quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Muito, muito, muito, muito obrigada e até logo :')

Oin. Tudo bem com vocês? Espero que sim. Bom, andei sumida, é verdade. Mas depois de uma conversa esclarecedora com uma amiga linda, resolvi doar mais parte do meu tempo para algo ainda mais relacionado à fotografia, mais a ver como a época que estou vivendo. Para isso, pensei em recomeçar no mundo blogueiro. Tentar começar devagarinho, como sempre, mas com outra cara, outros desafios, outro nome. A gente adora um novo projeto, né? E aí estou cheia de ideias para dar vazão ao blog "Alienando". Calma, não se assusta com o nome. Tudo tem um porquê. Mas cada um interpreta como escolhe, então depois você vê o que acha. O "Escreva Carla, Escreva" é importantíssimo para mim, mas não consigo vislumbrar mais posts ou ideias por aqui, pelo menos por enquanto. É como se tivesse chegado o fim de um ciclo, e eu quero continuar na blogosfera, mas de outro jeito, sabe? Aí, como tinha começado a falar, criei no Wordpress o "Alienando", que continua sendo um blog escrito por mim, mas que terá mais coragem de ser visto. Vou tentar explorar mais tudo o que amo, com enfoque na fotografia. 

Enfim, então esse post é mais para dar aquela satisfação básica para os poucos e bons leitores que tenho nesse cantinho. Esse blog já me trouxe muita alegria, algumas amizades e diversos momentos de introspecção e auto-conhecimento. Foram contos melancólicos inspirados em merdas da vida de alguém que conheci, ou mesmo da minha vida. Foram desabafos sem nenhum eufemismo, e foram mistérios de livros e resenhas de filmes.

Vou continuar sendo eu mesma, que muda quando quer (e quando pode). Senti que essa foi a hora. Quem achar por bem acompanhar essa minha promessa de mudança no mundo dos blogs, aqui está o link: http://alienandodotcom.wordpress.com/ hihi

No mais, agradeço imensamente às leituras de vocês, às ideias, às opiniões trazidas e a tudo o que aconteceu nesse blog.

Beijão :')



sábado, 20 de julho de 2013

{resenha} Underground Sports Bar

Eu tenho uma imensa frustração por nunca ter feito intercâmbio. Um mix de responsabilidades que tenho aqui no Brasil, com medo de perder o que construí até agora, com falta de dinheiro e de oportunidades me deixam presa em Recife (PE). Pensando nisso, tentei olhar de forma positiva o que ainda tenho para conhecer nessa cidade multicultural (enquanto crio um plano mirabolante para vazar de uma hora para outra). E aí me coloquei no lugar de turista da minha própria cidade e decidi encontrar tudo o que Recife esconde de mim, no dia a dia corrido de trabalho e estudos.

O projeto "turista da minha própria cidade" ainda está apenas na minha mente, haha, mas já achei legal trocar essa ideia com vocês. Seria fantástico descobrirmos lugares das cidades de outros blogueiros, não é? Então sintam-se à vontade para explorar locais que estão bem debaixo dos seus narizes! E não esqueçam de me convidar!

Foi com esse sentimento que fui ao pub Underground Sports Bar. Ele fica na avenida Boa Viagem, de frente para o mar. Entrar ali foi diferente, pois só frequento bares bem mais humildes. Em todo canto havia detalhes, e o dono obviamente queria trazer elementos londrinos para criar um ambiente bem estrangeiro. Primeiro que o significado de underground foi arquitetado mesmo: o bar tem umas escadas para baixo, pra tornar o negócio subterrâneo. Lá dentro é bem aconchegante e a iluminação é fraquinha, traz um mistério em cada mesa empoleira da gente toda arrumada. Acho que encontrei algumas pessoas alternativas de Recife que também devem frequentar o Castigliani Café, que falei no último post. Peguei da fanpage deles (não gostei muito dessa foto, mas é necessária para mostrar como é o bar): 


Fui com uns amores da minha vida e lemos o cardápio. Os preços estavam no nível do bar. Não tinha espetinho de gato por R$ 2 reais, mas tinham pratos que pareciam deliciosos! Não é um lugar perfeito para jantar, pois você vai gastar uma dinheirama com isso, mas é ideal para petiscar, enquanto toma uns chopps E/OU uns drinks bem elaborados. O atendimento também é legal, apesar de a gente ter implorado por um chopp umas 5x já no final da noite. Indico para quem mora aqui e nunca foi. Fazer aniversários lá também é uma ótima ideia! As fotos sairão com fundos incríveis e terão joguinhos divertidos para brincar com os amigos (sinuca e dardos) e ainda tem jukebox para uma seleção de músicas do seu gosto! Além disso, tem mais de vinte TV's espalhadas pelo pub, para quem curte lutas e jogos de futebol. Agora vá com a carteira cheia. Quem é de fora e quer entrar em um Recife britânico, pode correr pra lá também. O endereço também é vantajoso para quem quiser aproveitar depois para andar no calçadão de Boa Viagem, e vislumbrar a escuridão do mar. Entendam do que estou falando (imagens da fanpage): 


Como fomos de carro, pude levar minha câmera, vide mural, haha. Selecionei algumas para ilustrar a noite. Muito bom voltar a manusear um dos objetos que mais amo na vida, deu um pingo de esperança, sabe?


Em relação ao bar, só posso escrever sobre o que provei. E lá tem uma batata que foi para o top cinco dos meus pratos prediletos. É uma delícia! Também provamos um doce que era suculento aparentemente, mas me desapontou muito. A batata se chamava "rustic potatoes", e, segundo o cardápio, era isso: batatas rústicas fritas cobertas de cheddar, bacon crocante e ranch, sal sulfuroso e cebolinhas. Eu adicionaria "divino" às especificações. O doce se chamava vanilla iced brownie, e eu já havia suspirado muitas vezes em fotos de amigos do instagram. Mas olha, nunca mais eu peço, haha. O detalhe estava descrito assim: brownie gelado de baunilha com frutas vermelhas. Porém quando veio, também tinha nozes na sobremesa. Na minha opinião, foi aí que eles erraram. Tanto em incluir nozes, quanto em não detalhar isso no menu.




  


Deixei mais algumas fotos aqui, no flickr! E vocês, já pensaram em dar uma chance para a sua cidade e descobrir o que tem de novo por aí?

segunda-feira, 8 de julho de 2013

{resenha} Deixe a luz acesa

Vim contar minha história de sexta-feira (05/07). Estava de noite e eu fui fazer minha derradeira prova de Economia Brasileira, às 19h. Cheguei lá suando e morrendo de dor de cabeça, pois essa matéria me deixa muito nervosa. A prova acabou sendo em grupo de quatro pessoas com direito à consulta. Ou seja, no final das contas foi mamão com açúcar. De modo que quando saímos da prova (eu e outra amiga), pensamos em começar as férias com o pé direito, indo ao cinema que é bem perto da faculdade (isso sim é sorte!). Para isso, tentamos olhar no meu smartphone qual horário e sessão teria, porém o site cola uma imagem da programação, e não tem aplicativos para celular, então dificultou bastante identificarmos o nome do filme. Só deu para discernir que às 21h haveria a última película do dia. Fomos então ao Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, único serviço público com um bom custo/benefício de Recife. Ao longo do caminho, conversamos sobre como é interessante e surpreendente fazer coisas sem tanto planejamento, como ir ao cinema e ver um filme sem nem ao menos saber seu título. É claro que estávamos acreditando em Kléber Mendonça e todos os outros que fazem parte das seleções que passam lá nesse cinema. Praticamente todos não são de bilheteria, portanto você vai lá para ver algo que os grandes cinemas ignoram. Só assim você acha raridades visuais.

Chegamos bem antes da sessão, compramos nossos ingressos e perguntamos finalmente o título. O filme se chamava "Deixe a luz acesa", o que novamente nos deixava na escuridão sobre o conteúdo. O vendedor nos alertou sobre um atraso de 20 minutos que ocorreria. Decidimos então comer alguma coisa no Castigliani Café, local bem aconchegante de lá do cinema que mostra todas as pessoas alternativas que você não vê no dia a dia em Recife. Sempre acho que esse povo está preso em algum lugar, ou são ricos demais para trabalhar e andar de ônibus. Não sei, ao certo. Enfim, dividimos um misto quente (uma das variedades mais baratas do cardápio) e um refrigerante, pois não tinha suco de laranja.


Percebemos que às 21h as mesas começaram a esvaziar. E a portinha do cinema já estava empoleirada de gente querendo sentar e ver o filme. Esperamos 10 minutos pela conta e só depois conseguimos entrar na sala. Estávamos tranquilas pois o atendente tinha dito que o filme atrasaria uns minutos, porém ele deu a informação errada. Então corremos para a entrada. A arquitetura do cinema impede que pessoas de fora vejam o telão, então você primeiro sobe escadas para depois descer outras escadas e encontrar cadeiras acolchoadas e a tela gigante na sua frente. Assim, eu e minha amiga, ao subir os primeiros degraus, percebemos que o filme já tinha começado, pois estávamos escutando respirações ofegantes e gemidos das caixas acústicas. Ao descermos as escadas, avistamos na tela dois homens nus em completo êxtase, se beijando e se tocando. Deu para entender claramente também as investidas do personagem que estava por cima, ao penetrar o personagem de baixo, que gemia. Olhei para minha amiga e levantei as sobrancelhas, depois de uns risinhos nervosos. Trocamos olhares sobre qual seria a melhor poltrona e sentamos, um pouco constrangidas e muito impressionadas com as cenas de sexo.

Estávamos assistindo ao filme "Deixe a luz acesa", que conta a história de Erik Rothman (Thure Lindhardt), um documentarista em Nova York, em 1997, e Paul Lucy (Zachary Booth), um advogado. Sinopse do Filmow: "O que começa como um encontro logo se torna algo muito maior, e um relacionamento se desenvolve rapidamente. Enquanto os dois homens começam a construir uma casa e vida juntos, cada um continua a lutar em particular suas compulsões e vícios próprios. Um filme sobre sexo, amizade, intimidade e, acima de tudo, amor. Um olhar honesto sobre a natureza das relações em nossos tempos."


Foram 101 minutos vislumbrando um casal cheio de defeitos e qualidades, passando por situações cômicas, familiares, de superação, e também por perrengues raivosos com drogas, traição e vícios. Eu ousaria chamar o filme totalmente de comum (não que isso seja algo ruim, apenas corriqueiro, normal), se não fosse o fato de a trama se desenrolar entre dois homens. Foi incrível me deparar com um filme desse tipo, pois ele me ajudou a enxergar o convívio de um casal gay, algo que eu nunca experimentei nem vivenciei. É muito diferente ter amigos gays e ter contato com o dia a dia do casal gay. Até pelo motivo de que geralmente ninguém conhece o convívio dos casais. Foi lindo atestar a ridícula normalidade dos personagens, já que a história é totalmente realista.  


Portanto, indico o filme aos preconceituosos de plantão e também às pessoas que se consideram sem preconceito. Provavelmente o primeiro grupo poderá refletir mais sobre a normalidade de pessoas que se relacionam com outras de mesmo sexo, e talvez haja a constatação de que isso NÃO É PROBLEMA DE NINGUÉM, e por isso você devia parar de falar mal da relação que VOCÊ considera errada de "homem com homem" ou "mulher com mulher". O segundo grupo, supostamente mais esclarecido, poderia ver o filme se quisesse apreciar uma história de amor entre dois caras peculiares, e poderia talvez ter o mesmo insight que eu tive. Gente, sei que o assunto é polêmico, mas sinceramente, só peço que vocês saibam de uma coisa: tolerância e educação são a chave para um mundo melhor.

Bom, é isso. Demorei a postar, mas trouxe uma breve resenha de um filme não tão famoso. Espero que gostem e que me sigam no Filmow, se também forem cinéfilos. Podemos trocar umas ideias por lá!

Imagens retiradas da fanpage do Castigliani Café, do Google e do IMDB, respectivamente.
 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Só para dizer que não morri

Estou escrevendo rapidamente para vocês não acharem que eu morri ou fui abduzida. O post anterior sobre o mistério do livro "A Metamorfose" trouxe comentários diversos sobre o tema. Gostaria de agradecer a todas as opiniões e atualizá-los: o anonimato permanece há mais de 1 mês. Continuo sem saber quem foi o remetente que deixou minha cabeça confusa. Só fico pensando que foi engano, pois se alguém fizesse isso, iria querer se mostrar depois, não? 

Bom, de qualquer forma, fica aí o incentivo para vocês fazerem com pessoas queridas. A ideia tem potencial para ser aproveitada e fazer um monte de gente feliz! Quem não leu a história, pode conferir aqui.

Confesso que ainda não li o livro. A despeito de estar de férias do trabalho, minha faculdade continua sugando minhas forças (e tempo) e outras prioridades estão tomando grande parte do dia. Além do mais, meus óculos de grau estão irremediavelmente arranhados e manchados - não me perguntem como. Então estou com dificuldade de ler, já que ser 4 olhos arranhados dá dor de cabeça e não ser também - maldito astigmatismo. Daí estou priorizando até as leituras, já que minha faculdade e um concurso público estão pedindo minha atenção. Sério, ando um poço de paciência, pois diariamente tenho dor de cabeça e até náuseas por causa desse problema visual. A boa notícia é que ontem finalmente consegui achar óculos lindos e baratos, do jeito que eu gosto. Para isso, precisei visitar 7 lojas, e por isso fui numa rua de Recife que é conhecida por ter apenas lojas desse ramo (ela se chama Manoel Borba). Encontrei o melhor custo-benefício na última loja, e de quebra ainda conheci a história da filhinha da vendedora, que estava na idade dos porquês e falava sem parar. Crianças nessa idade ensinam qualquer um a ter muuuuita paciência e, sobretudo, a refletir sobre as perguntas inocentes que são feitas. Tenho saudade dos meus irmãos com essa idade, juro.

Já que passei mais de 1 mês sem postar, decidi resumir esse tempo fora da blogosfera em fotos do Instagram. Pouco depois que a rede ficou disponível para Android, eu comprei um S2 da Samsung, e desde então posto esporadicamente qualquer coisa que der vontade. Muita gente tem raiva da "filosofia" do app Instagram, já que antes segregava para apenas possuidores de um iOS, e agora segrega para quem tem iOS e Android. Mas atualmente podemos visitar as fotos dessa rede no computador (antes não dava, só nos smartphones), então fica cada vez mais acessível. Meu namorado chama a rede de Estragão, já que as fotos perdem a qualidade e os filtros são limitados (existem apps que podem aumentar a variedade de edição de imagens), além de outras coisas bizarras. Em suma, eu adoro essa rede e vejo diariamente as atualizações de quem sigo, então pensei que seria legal mostrar isso aqui no blog:



1. Dia das Mães, mas eu postei uma foto com a minha avó, já que não a via há meses, por pura negligência recíproca. Pois é, nos afastamos de quem nós mais amamos, às vezes. Mas nunca é tarde para retomar o tempo perdido, certo? 2. Cinquenta anos de namoro. 3. Reunião de grupo para fazer um trabalho sobre Economia Brasileira. O tema era "Diretrizes da Política Externa do Brasil". Antes de começar, ficamos enrolando mais de duas horas em um restaurante delicioso aqui de Recife, o Atlântico, e um dos colegas pagou todas as cokes da mesa, pois ele foi contratado pela Coca-Cola o/ 4. Eu adorei essa foto! Foi tirada na Praia dos Carneiros, no litoral de Pernambuco. Veja como é jogar literalmente campo minado, haha. 5. Casal branquelo pegando um Sol e conhecendo algumas praias do Estado. Fomos nesse Catamarã Cavalo Marinho II. Compramos os ingressos em sites de oferta, então tudo ficou bem mais em conta. 6. A família do meu namorado sabe fazer sushi (obviamente namoro apenas por interesse), e por causa deles eu sei como preparar temakis e sushis (ficam deliciosos, mas não tão bonitos, haha). Tirei a foto do saquê que é usado no preparo daquele arroz específico. 7. Fui com minha cunhada na casa do namorado dela. Ela não lembrava onde era a entrada, e por esse motivo erramos três vezes o caminho. Seria mais estressante se eu não estivesse animada para comer sushi. Então com o tédio saiu essa foto monstruosa, haha. 8. Na festa da priminha do namorado. Eu adoro festa de criança, você só faz comer doces e salgados, se entope de refrigerante e ainda joga Xbox e vira rainha dos pirralhos (bom, nem sempre). 9. Primeira vez que me arrumei primeiro que o namorado, aí fiquei sem fazer nada por alguns minutos e saiu isso. 10. Inveja, mas daquelas boas, do sapatinho fofo da minha estagilinda. Tirei foto para lembrar de procurar algum parecido, haha.

Às vezes acho muito chato postar coisas sobre o simples cotidiano. Mas é tão legal reviver alguns dias, com a simples lembrança de fotos, que deu vontade de mostrar um lado mais pessoal aqui no blog. E é aquela história, a gente escreve o que dá na telha, né? Vou tentar resumir as fotos do Instagram mais vezes por aqui. Espero que gostem!

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O mistério do livro "A Metamorfose"

É, eu sei. Parece que o título foi escrito por uma criança de 7 anos de idade. Porém é mais ou menos o que senti quando me deparei com o que ganhei ontem à tarde. Vou contar a história: 

Eu estava cochilando na minha cama enquanto ainda tinha minutos do meu horário de almoço (faço home office). Minha irmã entrou sem bater na porta, para variar um pouco, e eu tomei um susto. Ela trouxe um envelope amarelo, daqueles comuns, tamanho A4, e perguntou o que tinha dentro. "Sei lá, ué. Vou abrir!". Rasguei sem jeito o papel e retirei de lá um livro laranja. Corri os olhos para o título e li "A Metamorfose", de Franz Kafka. Tateei a aspereza quadriculada do objeto fino, prestei atenção aos detalhes da forma das imagens repetidas na capa e vi uma fitinha amarela, marcada nas páginas 38 e 39. Após visualizar alguns detalhes do presente confuso, peguei novamente o envelope e constatei que tinha lá um adesivo com as informações do destinatário, com meu nome e sobrenome, endereço completo e CEP. Não tinha remetente.

Agora não lembro exatamente se o recado que encontrei estava dentro do livro ou dentro do envelope, só sei que a pessoa que enviou "A Metamorfose" escreveu para mim em um papel branco, cortado um pouco mais da metade. Foi imprimido e digitado, então não tenho ideia da grafia. A forma como falava também não era nada familiar. Depois de ler o que o texto dizia, me senti em um filme. Daqueles em que acontece algo surreal e você tenta achar os porquês de tudo. Olhei para meus lados e minha primeira suspeita foi minha própria irmã. Eu disse algo como: "Vai, fala logo. Comprasse aonde esse exemplar?". Mas ela jurou não ter feito nada. Ela só achou o livro no 4º degrau das escadas da nossa casa (moramos no 1º andar), quando chegou da escola. Estranho, muito estranho, pensei. Começamos a tentar desvendar as características das pessoas que poderiam ter feito isso. De acordo com os fatos, e a cartinha digitada, chegamos às condições:
  1. É uma pessoa que sabe meu nome e sobrenome;
  2. É alguém que sabe meu endereço;
  3. Alguém que é daqui de Recife e sabe exatamente onde moro, pois o envelope não veio pelos Correios, foi deixado por alguém;
  4. Alguém que teve a ousadia de entrar no primeiro portão de casa, deixar a encomenda nas escadas, e sair de fininho, pois os vizinhos do térreo não viram nada OU alguém altamente habilidoso que jogou a encomenda através das grades do portão, e foi ninja a ponto de não rasgar o fino envelope amarelo;
  5. Alguém que quer me intrigar.
Além disso, essa pessoa já leu "A Metamorfose". Ela é um pouco egoísta, pois antes de entregar o lindo livro laranja, pensou em ficar com ele, e me pediu "perdão" por isso. Ela afirmou que o intuito dessa entrega era a existência desse pequeno mistério. Ela gosta de livros não apenas pelo seu conteúdo, mas também pela capa, existência de fitinhas marcadoras, etc. A escolha da obra foi feita por questões particulares, de preferência pela história do livro. O antigo leitor desse clássico afirmou que fazia tempo desde que lera a história de George Samsa. E por fim, ele transmitiu o significado básico que podemos esperar do conteúdo do livro, que seria ligado à metamorfose, mudança, transformação, e que isso significava evolução. Mas depois ele fala do outro sentido que eu posso descobrir, o sentido de Kafka. Eu só preciso "folhear as capas do livro laranja".

Minha extensa parte cética tenta encontrar as pessoas que podem se encaixar nas condições acima. Já falei com todas que estariam nesses filtros. Meu namorado disse que eu posso ter descoberto, mas a pessoa não quis admitir. Não descarto a possibilidade, mas continuo achando que o culpado pelo mistério ainda está no anonimato. Ao mesmo tempo, meu grande lado pessimista só está esperando alguém me sacanear de alguma forma, mas até agora nenhum pó de mico coçou minha pele, nem ninguém pegou o livro de volta. Além disso, cogitei a existência de alguma entrega aleatória, que por acaso me identificou e enviou um livro para fazer meu dia mais culto e feliz. Ou alguma seita secreta a qual buscou injetar literatura nas veias de jovens da era do Facebook, talvez.

O segredinho que vou contar aos meus amados leitores é que há uma minúscula parcela de esperança em mim. Esperança em dias melhores, pacíficos, em dias mágicos e em livros misteriosos, os quais chegam à sua casa sem passado, só futuro. Há dentro de mim algo que diz que eu ainda sou importante para o mundo, ainda importo na vida de um ou outro. Existe uma vozinha que fala: coisas incríveis e boas ainda acontecerão com você, Alien. Coisas até de outro mundo, quem sabe. 

Aí desde então sofri uma metamorfose e estou com 7 anos de novo: acredito em mágicas, e de quebra, em pessoas.







Notinha sobre as fotos: Tirei a primeira ontem, quando o Sol estava indo embora, e as posteriores hoje. Gostei dos céus diferentes, a despeito de terem sido capturados do mesmo lugar.

terça-feira, 9 de abril de 2013

"Se tu soubesse, não amaria mais ninguém"

[Conto inspirado a partir da música "Pelo Interfone", de Cícero. Convite feito pelo André, do Blog QMD]


Ainda é difícil olhar uma foto sua. Prefiro não ver. Nem ler suas emoções naqueles vídeos ébrios que ainda tenho guardado. Nem suas histórias inteligentes. Seu sorriso, enorme e cheio de dentes, parecia puro e não apresentava mal nenhum, ao menos naquela época. O seu argumento, sempre falho quando falava de si mesmo, sempre correto quando falava de quaisquer outros assuntos, faz muita falta. Não o bastante para conseguir tocar novamente seu rosto, e não pensar no mal que me fez (que me faz, esporadicamente). A dor e a amargura que ainda moram no meu peito não crescem mais, graças a Deus, mas permanecem ali, prontas para serem relembradas. Não há médico no mundo que consiga extrair aquela coisa ruim.  

Por vezes acho que preciso de você - me acalmando e dizendo que tudo vai ficar bem, criando oportunidades e mostrando que a vida não é só o que minha mente pessimista vislumbra, e sim que vai muito além do meu egoísmo repleto de sofrimento estreito, estúpido, infantil. Mas as lembranças, aquelas que escapam vez ou outra, sempre dilaceram minha alma e me distanciam de você. Sou fraca, você sabe, sempre soube. O bem que você me fez, frequente e quase diário, se perdeu em algum lugar no instante em que houve o desapontamento. Aquele momento difícil no qual você me ensinou a viver sem criar ilusões das coisas e pessoas. Sem criar a ilusão de rótulos de amizade, amor e ódio. Rótulos não passam de truques da nossa mente, a verdade é bem mais complexa.

Com você, aprendi a não amar mais ninguém.


segunda-feira, 4 de março de 2013

{Book Tour} As vantagens de ser invisível


Aqui estou finalmente escrevendo sobre um amigo fictício. Bom, tentei dividir a postagem para ninguém se perder nesse mar de pensamentos e, por causa das divisões, vocês podem ler separadamente cada tópico, se quiserem. Mas tudo segue uma ordem, tá? Ou seja, é preferível ler tudo, he. Ah, gostaria de mandar um beijo especial para a Amanda, da Revista 21, e para todos os realizadores desse site genial. Aos demais leitores do blog, espero que gostem do conteúdo visível e invisível de hoje. E também espero que estejam todos bem. Obrigada!

*Importante: Nesse post, não estou explicitamente descrevendo o final, nem partes relevantes do decorrer do livro. Porém, obviamente escrevi alguns detalhes da história, como citações, dicas de filmes, livros, bandas e, é claro, minha percepção acerca das cartas de Charlie. Lá para o finalzinho terá um texto com spoilers devidamente indicados. Boa leitura!

SOBRE O BOOK TOUR

Eu nunca havia participado de um book tour antes. Na verdade, minha ignorância era grande a ponto de nunca ter ouvido falar. Quando a Revista 21 postou sobre isso, não hesitei em tentar a sorte. Houve um sorteio e, surpreendentemente, fui escolhida como a primeira a começar a leitura de As Vantagens de Ser Invisível, de Stephen Chbosky - mais nove blogueiros estão nessa jornada. O que me fez preencher o simples formulário foi a ideia do livro viajante ser uma divertida forma de incentivo à leitura,  o qual é intensificada pela integração entre os dez leitores, já que cada um deverá escrever sua percepção do livro. Achei tão legal o estímulo que penso em comandar, futuramente, um book tour com algum livro da minha humilde estante.

SOBRE O RECEBIMENTO DO LIVRO VIAJANTE

Como moro na mesma cidade de uma das redatoras da Revista 21, combinamos de trocar o livro sem intermédio dos Correios. Eu estava em casa, concentrada no home office, com cabelos rebeldes e despenteados, quando o telefone me assustou com o toque da Samsung - que eu nunca troco. Atendi e falei rapidamente para a voz masculina que desceria para apanhar a história. Cheguei ao térreo (minha casa fica no primeiro andar) e vislumbrei uma pessoa de verdade que, para mim, costumava ser um personagem de ficção, da vida escrita de Amanda, do Maças Verdes (que está fora do ar, como assim, produção?). Foi um sentimento engraçado e confuso, como se a realidade e ficção fossem uma coisa só, sem a costumeira linha tênue. Obviamente, no caso supracitado, a realidade e ficção eram mesmo uma coisa só, partindo da premissa de que o rapaz realmente existe, e Amanda sempre deixou claro a veracidade do que escrevia em seu blog. Mas a minha percepção não era exclusivamente assim. Entendeu? Bom, de qualquer forma, acho que deixei Wesley, noivo da Amanda, meio sem graça por comentar que o conhecia de crônicas, he. Ah vai, eu acharia legal ser reconhecida por aí.

No momento da troca do livro, pensei sobre "a realidade e ficção serem uma coisa só" justamente por causa da influência da leitura de As Vantagens de Ser Invisível, mais precisamente na parte do epílogo, em que tive um insight. Entendam: é que eu li o livro antes de a Revista 21 me mandar o viajante, pois tinha comprado o exemplar no ínterim do sorteio, divulgação dos participantes e recebimento. Além do mais, eu nunca acredito que posso ganhar sorteios, então a descrença na sorte me fez começar a devorar sobre o que Charlie - personagem principal - escrevia, antes mesmo de saber que teria a oportunidade de participar do book tour. Sobre esse insight, senti a estranheza de estar sendo vista por alguém, e a familiaridade de conhecer essa pessoa recaiu sobre minhas costas. Conhecer especificamente o próprio Charlie. Parece estupidez, mas a verdade é que senti uma conexão sem precedentes com o personagem, e ele estava ali, invisível, me observando. Senti isso na sala de espera do consultório do médico do coração, onde finalizei a leitura em meio a calafrios.


SOBRE "THE PERKS OF BEING A WALLFLOWER"

Para começar, o título original é esse aí de cima. O livro parece recente, provavelmente pela estreia do filme inspirado nele, mas é de 1999. A edição brasileira, no entanto, é de 2007. Essa literatura infantojuvenil traz um amontoado de cartas cronológicas escritas por Charlie - o garoto mais sensível que você conhecerá -, que escreve sinceramente sobre suas experiências, sensações, necessidades e vontades, para um destinatário que Charlie prefere manter em segredo. A história se passa em meados de 1991, e por isso cita diversos músicos da época. O livro é relativamente curto, com apenas 223 páginas, e é apresentado com 4 partes e epílogo. A citação "Eu me sinto infinito" vai marcar sua leitura com a primeira página, e a interpretação vai melhorar ao longo da história, assim que essa página se repetir. As 4 partes tratarão de um universo riquíssimo de assuntos, sentidos e vivenciados por Charlie. Traumas infantis, dramas familiares, suicídio, crises próprias da juventude, medos e experiências novas são alguns pontos descritos.

Um paradoxo que encontrei no livro, bem no início, foi um dos que mais me identifiquei: "Sou feliz e triste ao mesmo tempo". E é exatamente assim, como uma montanha-russa, que a vida de Charlie é mostrada ao longo dos meses.

SOBRE A CULTURA DO LIVRO

Como eu estava lendo para escrever uma resenha, saí anotando tudo o que acharia importante citar na postagem. Quando finalmente cheguei na última página do livro, percebi o quão importante foi ter rabiscado no "Organizer Memo Book" da Tilibra. Gostaria de criar essa rotina, mas sei da minha fome pelas histórias dos livros e o quanto isso dificulta o processo parar-para-escrever-rapidamente-algo-relevante-num-bloquinho. Risquei diversas folhinhas do bloco e percebi o quanto o livro estimula o leitor a ampliar sua bagagem cultural, por meio da menção de livros, filmes e músicas famosas da época. Poucos eu já conhecia e gostava, outros muitos estão sendo adicionados nas minhas redes sociais para não se perderem no limbo do esquecimento. Por conta  dessa peculiaridade, resolvi listar para vocês as referências encontradas no livro As Vantagens de Ser Invisível. Vai ficar mais fácil para ampliar os conhecimentos depois, no tempo de cada um. A margem de erro acobertará os momentos que não quis parar para escrever a dica do autor/esqueci de parar/não achei importante parar para escrever. Mas relaxem, a margem de erro foi seguramente baixa:

- Referências cinematográficas

1. Seriado MASH;
2. O barco do amor;
3. A ilha da fantasia;
4. A felicidade não se compra;
5. Os produtores;
6. A primeira noite de um homem;
7. Ensina-me a viver;
8. Minha vida de cachorro;
9. Sociedade dos poetas mortos;
10. A incrível verdade.

- Referências de livros

1. O Sol nasce para todos, de Harper Lee;
2. Este lado do paraíso, de F. Scott Fitzgerald;
3. Peter Pan, de J. M. Barrie;
4. O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald;
5. A Separate Peace, de John Knowles;
6. The Mayor of Castro Street, de Randy Shilts;
7. O apanhador no campo de centeio, J. D. Salinger;
8. Walden, de Henry David Thoreau;
9. On the road, de Jack Kerouac;
10. Naked Lunch, de William S. Burroughs;
11. Hamlet, de Shakespeare;
12. E. E. Cummings (escritor);
13. O estrangeiro, de Albert Camus;
14. The Fountainhead, de Ayn Rand;
15. A noite dos mortos-vivos, de John Russo.



- Referências musicais 

Reuni praticamente todas as músicas do livro em uma lista de reprodução muito amor. Só não consegui achar Daydream, dos Smashing Pumpkins, no Grooveshark. Enjoy!

1. Asleep, de The Smiths;
2. Blackbird, de The Beatles;
3. MLK, de U2;
4. Landslide, de Fleetwood Mac;
5. Laser Light Show, do Pink Floyd;
6. The Rocky Horror Picture Show (a peça);
7. Village People;
8. Blondie;
9. Nirvana;
10. Vapour Trail, de Ride;
11. Scarborough Fair, de Simon & Garfunkel;
12. A whiter shade of pale, de Procol Harum;
13. Time of no reply, do Nick Drake;
14. Dear prudence, dos Beatles;
15. Gypsy, da Suzanne Vega;
16. Nights in white satin, dos Moody Blues;
17. Daydream, dos Smashing Pumpkins;
18. Dusk, do Gênesis (antes do Phil Collins!);
19. Something, de Beatles;
20. Billie Holiday;
21. Broken Wings, de Mr. Mister;
22. I'm going home, de The Rocky Horror Picture Show;
23. Another Brick in the Wall, Pink Floyd - parte II.


SOBRE A HISTÓRIA [ATENÇÃO: SPOILERS SUTIS]

A narração é do próprio Charlie, garoto deveras solitário, e a partir da confiança que ele deposita no destinatário anônimo, revelações da sua vida particular são feitas por meio das cartas que ele sempre envia. Diante da necessidade de participar mais e fazer novos amigos na escola (ambiente de início hostil), Charlie conhece Patrick, divertido veterano da sala de "trabalhos manuais" [que inveja das escolas americanas!], e a partir dele conhece Sam, a meia-irmã de Patrick e a garota pela qual Charlie rapidamente se apaixona [minha gente, tá pra nascer alguém fofo e ingênuo como esse personagem ficcional!]. A partir dessas amizades, Charlie se depara com um universo de novos amigos, novas rotinas, novos lugares, inéditas drogas e principalmente experiências, como primeiro encontro, primeiro beijo. A parte mais hardcore do livro trata de assuntos polêmicos, e isso foi o que mais me encantou, já que eu comecei o livro com pouca fé, achando que seria meio bobinho. Aborto, homossexualidade, sexo, drogas, violência física, sobretudo em mulheres, abuso infantil e suicídio são temas abordados que incitam a reflexão de cada um. É incrível como ele é sensível a ponto de achar natural temas como a homossexualidade, e como ele é ingênuo a ponto de não perceber uma carta suicida. A sensatez também é vista quando ele decididamente não concorda com a violência que eventualmente sua irmã sofre com o namorado, já que ele lida querendo defender a irmã mais velha. Mas Charlie é, na maioria das vezes, uma pessoa que não se posiciona, não toma iniciativas e que aceita algumas situações apenas por não conseguir se expressar. Patrick diz: "Você vê as coisas. Você guarda silêncio sobre elas. E você compreende.”.

Os anos narrados são 1991 e 1992, e no decorrer da história, é perceptível a evolução da maturidade de Charlie, frente a tudo o que ele viveu. Além dos acontecimentos da vida dele, pode-se dizer que Charlie vai sendo lapidado pelo seu professor de inglês (Bill), o qual dá livros clássicos para o aluno durante todo o ano letivo. É legal a transformação da simples relação de aluno e professor para a de amigos, já que o professor acredita, escuta  e aconselha Charlie. Mais legal do que é isso são as diversas dicas de literatura estrangeira que você decerto ainda quer ler antes de morrer. Uma das citações que mais gosto no livro é feita pelo professor Bill, quando ele prevê que "A gente aceita o amor que acha que merece.". Adicionei a citação à foto que tirei em Curitiba, no Jardim Botânico. Lá, todas as plantas têm seu nome numa plaqueta, e essa florzinha amarela se chama "amor-perfeito". É ousadia demais ter essa citação nessa flor?


Já para o fim, o interessante do mistério do destinatário é que, no epílogo, eu tive a inédita sensação de conexão com o livro, já que eu me tornei o destinatário de Charlie, com a ajuda da minha percepção e imaginação. Achei, no mínimo, mágico. Sério, fiquei muito emocionada e até chorei com os calafrios que senti. Em outras palavras: pareci o Charlie afetado e sentimental, haha. E por isso que eu adorei esse livro - parafraseando a ideia inicial de Charlie: tão simples e tão complexo ao mesmo tempo.


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

My Valentine

Aí dizem que é Valentine's day, e eu não entendo muito a tradição ser no dia 14 de fevereiro, pois sou brasileira, e aqui fomos influenciados pelo santo casamenteiro, santa igreja católica. Apesar disso, lembro das escolas que tinham o sistema de mensagens anônimas. Estudei em muitas, aprendi a ser novata sem medo. Alguns cartões foram enviados para mim, mas só de amigos. Fiquei secretamente feliz de não ter ficado sem nenhuma cartinha. 

Amor é todo dia, não? 

Lá vem aquela raiva estrondosa de datas comemorativas. Relação paradoxal, na verdade. A tradição faz a data especialíssima, mas a cultura do esperar-o-dia-de-comemorar-para-comemorar não parece sustentável a longo prazo. É preciso amar as pessoas como se não houvesse... nada. Só pela delicadeza do sentimento mesmo. Pelo egoísmo de se sentir bem, às custas dos outros - é, amor também é egocêntrico. À custa do afeto que nos proporcionam, do bem-estar. Ser querido pela velhinha da esquina, pelo fazedor de pães, pela vizinha que, quando criança, disse a uma menina de franja cortada (irregularmente) que ela poderia chamá-la de avó. Aí o amor cria mais de uma avó, mais de uma irmã, a exemplo da amiga de trocentos anos, tão fucking distinta de mim, tão amada pelas diferenças. É, ou deveria ser, amor para tudo e todo mundo: mãe, pai, gato, cachorro, país, violão. Namorado. Ou namorada, quem sabe o desejo toma conta? Mas Valentine's day é coisa de namoradinhos, right? A história conta a saga do São Valentine pelo amor. A condenação à morte por ele.

Bem, Valentine's day é coisa de casal, como ia dizendo. Mas aí vem a mania de questionar. Indago: os que vivem a três ficam de fora? E os que têm relações amorosas e até sexuais com bichos? E com mortos (lembrei inexoravelmente do Nicolas)? A delonga é motivada pelo medo do sentimento bom. E, hoje, o receio, a vergonha da manifestação pública. Ser feliz assusta quem um dia já viveu triste. Então penso que amar, no fim das contas, é um ato de extrema coragem.

Em outras palavras,
amo você, Nu.

1 riso + 1 beijo

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

{meme} 7 coisas

Nesse meme dos 7 alguma coisa, fui lembrada pela Flá, e fiquei muito feliz por isso! Obrigada mesmo, fotográfa linda! 

Bom, decidi escrever as coisas que vinham mais rapidamente à minha cabeça, pois sempre demoro com memes. Acho que vai ficar mais espontâneo e, o melhor, vai sair a postagem de uma vez por todas! Peguei fotografias minhas para ilustrar algumas respostas. 

Desculpa a demora, Flá :~~

7 coisas para fazer antes de morrer:

Estar em um show exclusivo de Muse;
Ter minha própria casa;
Ter filhos;
Ter um gatinho;
Ler centenas de livros;
Fazer alguma diferença significativa no mundo;
Viajar, viajar, viajar.
Perdoar Deus e o mundo!

Viagem à Curitiba

7 coisas que eu mais falo:

Aff.
Vije!
Eita!
Enfim.
Ok.
Véi...
Desculpa :~~ (mas estou parando).
Pu#aquepar&u

7 coisas que faço bem:

Dormir;
Motivar (os outros);
Revisar;
Falar;
Reclamar (mas estou parando);
Planejar;
Organizar.
Falar ironicamente, de forma perversa, às vezes 

7 coisas que não faço:

Deixar comida;
Varrer a casa;
Ver futebol;
Comprar por impulso (quase nunca, vai...);
Ver BBB (parei por convicções próprias, nada contra ninguém etc e tal);
Ver novela;
Ler mais de um livro ao mesmo tempo (é muito raro).

7 coisas que me encantam:

Música;
Cinema;
Livros;
Fotografia;
Trejeitos, expressões faciais (é interessantíssimo observar pessoas);
Variações do céu (inspiram fotos);
Manifestações de afeto e boas surpresas;

Awn, olha esse céu
Coleção amada de Desventuras em Série :3
Cinema, um dos lugares mais prazerosos que conheço ^^

7 coisas que não gosto:

Telefone tocando;
Brigar com as pessoas (mesmo aquelas que não simpatizo);
Ficar sem nenhuma leitura;
Pessoas indiferentes;
Misoginia, sexismo, enfim, preconceito (principalmente racial, de gênero e orientação sexual);
A fruta manga (errrgh);
Assuntos não esclarecidos.

7 blogs pra responder também:

Gabriela, do 187 Tons de Frio;
Carol, do Muggle World;
Vívian, do Nada Convincente;
Bella, do Strawberry Fields;
Pablo do Coisas de Pablo;
e Taís, do Hapiness only real when shared.


He,
é isso.

E vocês, já responderam ao meme das 7 coisas? :)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

la petite mort

Julia penteia os cabelos, faz um coque em formato de bolinha no topo. Pinta os olhos como os de gato, risca de vermelho os lábios. Põe vestido curto de estampa dificilmente reconhecível e corre para não se atrasar. É resistente. Vai gastar o tempo e dinheiro em cidade universitária, à noite, com estranhos, afeminados, afetados. Ingere gelatina verde, sente sabor adocicado seguido de ânsia de vômito. Promete não repetir a dose, todavia logo enche a boca de gummi beares repletos de álcool.

Amigos ao redor balbuciam, contudo nem estão ali, estão procurando outros amigos, mexendo nas redes sociais pelo 3G. Aqueles já não têm nada a acrescentar. Fuma cigarro azul, fino, sente o terror de um possível futuro câncer e jura não tragar mais, só em ocasiões especialíssimas. Lembra-se de Augustus, sente saudades da ficção. Não escuta nada nem ninguém em volta, só as batidas dúbias daquela música ruim, feita apenas para vender peitos e bundas e artistas sem coração. Ela até tem coração, muitíssimo obrigada, mas a cada dia que passa fica mais frio, bate menos, permanece mais distante dos que ama. 

É o câncer de pulmão que não irá se aproveitar do corpinho magro, graças a Deus. Pena que outro já se instaurou, a partir de memórias nojentas e hipócritas. Bebe sete latas para contabilizar o gasto da festa. Bebe rapidamente mais cinco, pois agora ela acertou na matemática. Ebriedade a faz pensar em como são estúpidos, como estão estagnados, enganados. Nada é real, só aquela semente que a fez mais vulnerável ainda. Coração continua frio, porém sensível. Quer chorar, mas está numa festa. Morre de amores e ódio por aqueles que a sufocaram de tanto rir e afogaram de tanto chorar. Quase a mataram de vez (lembra-se  em meio a risos frenéticos e medonhos)! Lágrimas rolam só para mostrar o quão fraca ainda é, o quanto ainda lembra. Finalmente o efeito da semente a faz sentir prazer em estar viva, cabe ali quase um orgasmo existencial, a despeito do horror, do desapontamento. Se o peito ainda pulsa, pensa olhando o céu, a esperança de júbilo não morreu.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

{filme} Save the Date

Achei esse filme só por causa da bela Lizzy Caplan. Lembro de ter amado a atuação especial dela no seriado True Blood e também em filmes como Mean Girls. Fiquei um pouco tensa vendo o desempenho em Cloverfield e no Bachelorette só deu para ficar com vontade de ter a franjinha dela, não curti muito a história. Fiquei desapontadíssima com a nota que o senhor IMDB deu: 4.8. Mas não se abale. Há vários elementos bons no filme em questão, listados logo mais.  


{sinopse}
A história é sobre a rejeição de Sarah (Lizzy) diante do repentino pedido de casamento de Kevin (Geoffrey Arend) e do posterior envolvimento dela com Jonathan (Mark Webber), além do desenrolar dos preparativos de casamento de sua irmã Beth (Alison Brie). Olha o trailer:


{blá blá blá}
Eu sei, parece fucking clichê e, pior: simplório. Pode ser recorrente, mas falar sobre isso nem sempre é simples, pelo contrário: há muita complexidade quando se fala de sentimentos, rótulos, mudança de vida. O tema realmente não foge ao costumeiro assunto que permeia esporadicamente (ou sempre?) nossas cabecinhas: o amor. O que me fez gostar do filme foram as atitudes que a personagem principal desempenhou, a despeito de todo o contexto gritar para ela não fazer nada disso, não mudar as coisas do jeito que ela quer, e sim "como deveriam ser", aos olhos dos outros. Well, ladies and gentlemen, welcome to the free world! Sarah é uma mulher independente e fiel aos seus sentimentos e convicções. Ela não acredita no casamento e tem direito de não se aventurar nisso, já que não se sente preparada e nem ao menos crê no sagrado matrimônio. Isso a afasta do seu namorado apaixonadíssimo. Achei super radical uma pessoa terminar um namoro por causa de um pedido de casamento, mas como disse, Sarah é fiel aos seus sentimentos. Ela quis correr daquilo que a apavora. Nada mais normal. O efeito colateral dessa autenticidade é um pouco de irresponsabilidade e egoísmo. Sarah acaba se envolvendo com outra pessoa, um apaixonante, desengonçado e barbudo Jonathan, e em algum momento ela novamente terá que enfrentar seus medos de conviver com alguém, de se tornar vulnerável às inesperadas situações do amor. Lembra um pouco a história de 500 dias com Ela, com menos drama e simbolismo. 



{looks}
O filme tem bastante diálogo e a fotografia é uma delícia. O vestuário de Lizzy me inspirou imensamente, com saias, vestidos floridos, marcados na cintura - geralmente com lindos cintos marrons -, botas ou sapatos de cano alto. Cara, não sei falar sobre roupa, mas garanto que me identifiquei loucamente com a personalidade da Sarah. Deu vontade de esvaziar meu guarda-roupa e ir correndo gastar minha poupança (fiquei em casa escrevendo essa resenha). O interessante sobre a personagem, nesse quesito moda, é que ela usa diversos acessórios iguais com peças diferentes, e você não percebe tanto. Isso, na prática, é super vantajoso pois ajuda na criatividade e poupa uma grana na compra de roupas e afins! Fiquei tão inspirada que dei print em todos os looks que gostei (imagens tiradas do próprio filme):








{música}
A trilha sonora também me surpreendeu positivamente, pena que achei difícil encontrar para download. Listei apenas 4 logo abaixo, muito boas. E o melhor, não conhecia nenhuma delas. Nas músicas, há o plus do Kevin e o noivo da Beth fazerem parte de uma banda chamada Wolfbird, e produzirem canções para o filme.  


{ilustrações}
No mais, para não esquecer, a história começa e termina com ilustrações da personagem Sarah, que além de gerente de uma livraria é também uma artista que expressa seus sentimentos e experiências vividas por meio de desenhos. São divertidos:



E vocês, já viram Save the Date? Gostaram? Refleti bastante sobre a história e reafirmei algo que decidi ser esse ano: mais fiel às minhas vontades, assim como a Sarah (porém responsável, hihi). 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

{filme} O Som ao Redor

Gostaria de fazer uma resenha do filme "O Som ao Redor". Ele será a obra cinematográfica que estreará a tag cinema por estas bandas (culpa das resoluções de 2013). Esclareço: sou cinéfila, mas simplesmente não escrevia sobre isso, até hoje. Apenas discutia, e muito, com meus poucos amigos que também gostam de filmes. 

Devido à peculiar diferença do filme em questão, pensei em dividí-lo em duas partes: a primeira seria uma tentativa de olhar mais descritivo, contudo sem levar em consideração as sensações causadas pelo filme por conter gente conhecida, prédios recorrentes, histórias verdadeiramente vividas por mim pelos arredores das ruelas, praia de tardes peguentas e das leituras sob o Sol manso. A segunda parte vai conter justamente o supracitado: um relato pessoal misturadíssimo ao filme. Isso pelo motivo de eu ter vivido ali, naquele contexto, naquele bairro, a pouquíssimos metros da rua em que ocorreram as gravações. Explicarei-me logo mais. O trailer abaixo vai corroborar com meus elogios, deem uma apreciada:



1º PARTE

O filme "O Som ao Redor", de Kleber Mendonça Filho, é a primeira investida do diretor em longa-metragem de ficção. Nunca vi outros filmes dele, mas já escutei falar muito bem de "Recife Frio". O conhecimento que tinha de Kleber era apenas da Janela Internacional de Cinema do Recife, evento grandioso que junta um pessoal amante de cultura de cinema (geralmente são mostras de clássicos e filmes pernambucanos), lá no São Luiz (cinema velhinho que foi restaurado para abrigar essa evolução pernambucana, foto logo abaixo) e no Cinema da Fundação. Tinha visto o cineasta fazendo algumas apresentações antes do festival começar. Na época (há menos de um ano), ele parecia só um idealizador estudioso com ar nerd, por conta dos óculos de armação grossa. Criou um filme inesquecível.


A história é ambientada no Recife, capital de Pernambuco, com destaque para uma rua em que existem, predominantemente, altos prédios. As casas já são raras, porém as lembranças dos tempos em que as residências não eram sugadas por especulação mobiliária permanece na mente de alguns moradores. Essa arquitetura ilustra muito bem a brutalidade dos lugares em que moramos, os quais são construídos cada vez mais verticais e solitários, com a tentativa de proteção que, por vezes, se confunde em desigualdade social e afastamento.

A (falta de) segurança é questão crucial, abordada com sagacidade pelo diretor. As famílias que vivem nessa rua sofrem com o descaso do governo diante da violência comum nos centros urbanos de todo o país.  Sofrem e pagam por isso. Essa narrativa (a exemplo de roubos do som de carro ou privação da classe média em possuir certos objetos) é contextualizada em Recife, mas abrange perfeitamente outras capitais brasileiras. Esse tema impacta diretamente na milícia, liderada por Clodoaldo (Irandhir Santos), que rapidamente se estabelece na vizinhança e promete a paz, em troca da bagatela de R$ 20 por cada casa protegida. É maravilhosamente paradoxal como o grupo de seguranças traz tensão àquela rua.

Se o tema segurança permeia todo o enredo, os sons são vitais para a obra ter êxito. A poluição sonora frequente, como o relato da vizinha incrivelmente incomodada pelo cachorro que só sabe uivar, ou até o barulho agoniante da chave destruindo o carro (vista no comecinho do trailer), desenvolve a identidade dos problemas de uma sociedade dividida pelas diversas classes que o capitalismo cultiva e que os senhores de engenho deixaram de herança.

Dentro de tudo isso, ainda tem um humor impagável, que revela tanto gírias do povo pernambucano e recifense, como situações cotidianas, engraçadas pelo desenrolar das histórias. Destaque para a cena em que os condôminos se reúnem para decidir sobre a permanência do porteiro que dorme, e quais argumentos são usados.

Alguns personagens marcam forte presença na trama de final inesperado, embora não sejam os únicos com boas histórias para contar. O moço jovem, rico, simpático e educado, chamado João (Gustavo Han), que administra os negócios da família (mas odeia), a dona de casa de classe média, incomodada pelo cachorro do vizinho, mãe de dois filhos, esposa de homem trabalhador, usuária de maconha vez ou outra. O Sr. Francisco (Waldemar Solha), avô de João, um exemplo de como o patriarcado e a opressão social persistem com o passar dos anos, diante do poder que ele apresenta na vizinhança (ele detém mais da metade dos imóveis do bairro), e o segurança Clodoaldo. A história expõe intuitivamente as contradições da típica sociedade brasileira e também o preconceito enraizado, perante hierarquia invisível ou visível a partir de eufemismos. Uma cena que ilustra muito bem isso é quando o Sr. Francisco vai, tarde da noite, mergulhar na praia de Boa Viagem, mesmo com o aviso enorme sobre o perigo de tubarões.

O filme não é só aclamado por mim, reles mortal magricela. A repercussão foi tanta que chegou aos ouvidos do The New York Times, o qual escolheu como um dos melhores filmes do ano passado (apenas citando, já que adoramos tanto a opinião dos americanos). Vários prêmios, como de Roterdã, Rio de Janeiro e Gramado, também respaldaram a qualidade do filme bastante revelador.

Seguem algumas fotos do filme, retiradas do site oficial:




2º PARTE

Agora vem uma parte meio non-sense, mais pessoal e, sobretudo melosa. Curta, ao menos. E meio babona. Eu poderia escolher eufemismos, pois isso é o que mais sabemos fazer para nos incluirmos em papéis sociais bem aceitos, porém abrirei mão da palhaçada. 

Vou falar com os olhinhos cheios de orgulho: assisti a uma obra prima filmada ali, a duas ruas do meu apartamento minúsculo. Eu, que estou tão acostumada a venerar lugares que estão a quilômetros de distância. Eu, repleta de desejo por Paris e Inglaterra, e cheia de sentimento de injustiça divina. Eu, que crio indagações repetitivas e precárias como: "qual motivo, ó Senhor, que escolheste me jogar aqui? Qual pecado cometi, além de ter nascido mulher, claro?". [Lembrem-se/saibam que sou irônica.]

Nesse aclamado filme, você encontrará o bairro em que já morei por alguns anos, Setúbal, que não se decide se é bairro ou adendo do célebre Boa Viagem (as cartas endereçadas ficavam deveras confusas nessa escolha). As gírias da minha cidade, os traços de rostos conhecidos (Alô Sandrinho, companheiro das paradas esperando para sempre ônibus, atuando lá lindamente, e Bruno Negaum, produtor de eventos famosíssimo aqui de Recife, desenvolvendo cena hilária), as árvores, as esquinas, o colégio filmado (considerado de péssima escolha por pais e mestres), as relações, o problema social, os carros violentados, os encontros íntimos sem nenhum compromisso (não dá para taggear), a reunião de condomínio, os chatos condôminos - aqueles insuportáveis hipócritas -, os malditos seguranças que mais dão medo que protegem. Tudo aquilo que está na tela é muito próximo do que vivo, do que vivi. Minhas intocadas memórias, agora cutucadas. Foi um presente inesperado. Quero rever!

E você, já ouviu falar de "O Som ao Redor"? Está passando aí na sua cidade? Estou curiosíssima para ver opiniões e compreensões que o filme causará em cidadãos de outros Estados do Brasil e, sobretudo, em estrangeiros. Vá ao cinema, vale muito a pena. E o cinema também ajuda a mostrar, com mais qualidade, o desenho de som genial de Kleber e Pablo Lamar.


© Escreva carla, escreva
Maira Gall