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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Só para dizer que não morri

Estou escrevendo rapidamente para vocês não acharem que eu morri ou fui abduzida. O post anterior sobre o mistério do livro "A Metamorfose" trouxe comentários diversos sobre o tema. Gostaria de agradecer a todas as opiniões e atualizá-los: o anonimato permanece há mais de 1 mês. Continuo sem saber quem foi o remetente que deixou minha cabeça confusa. Só fico pensando que foi engano, pois se alguém fizesse isso, iria querer se mostrar depois, não? 

Bom, de qualquer forma, fica aí o incentivo para vocês fazerem com pessoas queridas. A ideia tem potencial para ser aproveitada e fazer um monte de gente feliz! Quem não leu a história, pode conferir aqui.

Confesso que ainda não li o livro. A despeito de estar de férias do trabalho, minha faculdade continua sugando minhas forças (e tempo) e outras prioridades estão tomando grande parte do dia. Além do mais, meus óculos de grau estão irremediavelmente arranhados e manchados - não me perguntem como. Então estou com dificuldade de ler, já que ser 4 olhos arranhados dá dor de cabeça e não ser também - maldito astigmatismo. Daí estou priorizando até as leituras, já que minha faculdade e um concurso público estão pedindo minha atenção. Sério, ando um poço de paciência, pois diariamente tenho dor de cabeça e até náuseas por causa desse problema visual. A boa notícia é que ontem finalmente consegui achar óculos lindos e baratos, do jeito que eu gosto. Para isso, precisei visitar 7 lojas, e por isso fui numa rua de Recife que é conhecida por ter apenas lojas desse ramo (ela se chama Manoel Borba). Encontrei o melhor custo-benefício na última loja, e de quebra ainda conheci a história da filhinha da vendedora, que estava na idade dos porquês e falava sem parar. Crianças nessa idade ensinam qualquer um a ter muuuuita paciência e, sobretudo, a refletir sobre as perguntas inocentes que são feitas. Tenho saudade dos meus irmãos com essa idade, juro.

Já que passei mais de 1 mês sem postar, decidi resumir esse tempo fora da blogosfera em fotos do Instagram. Pouco depois que a rede ficou disponível para Android, eu comprei um S2 da Samsung, e desde então posto esporadicamente qualquer coisa que der vontade. Muita gente tem raiva da "filosofia" do app Instagram, já que antes segregava para apenas possuidores de um iOS, e agora segrega para quem tem iOS e Android. Mas atualmente podemos visitar as fotos dessa rede no computador (antes não dava, só nos smartphones), então fica cada vez mais acessível. Meu namorado chama a rede de Estragão, já que as fotos perdem a qualidade e os filtros são limitados (existem apps que podem aumentar a variedade de edição de imagens), além de outras coisas bizarras. Em suma, eu adoro essa rede e vejo diariamente as atualizações de quem sigo, então pensei que seria legal mostrar isso aqui no blog:



1. Dia das Mães, mas eu postei uma foto com a minha avó, já que não a via há meses, por pura negligência recíproca. Pois é, nos afastamos de quem nós mais amamos, às vezes. Mas nunca é tarde para retomar o tempo perdido, certo? 2. Cinquenta anos de namoro. 3. Reunião de grupo para fazer um trabalho sobre Economia Brasileira. O tema era "Diretrizes da Política Externa do Brasil". Antes de começar, ficamos enrolando mais de duas horas em um restaurante delicioso aqui de Recife, o Atlântico, e um dos colegas pagou todas as cokes da mesa, pois ele foi contratado pela Coca-Cola o/ 4. Eu adorei essa foto! Foi tirada na Praia dos Carneiros, no litoral de Pernambuco. Veja como é jogar literalmente campo minado, haha. 5. Casal branquelo pegando um Sol e conhecendo algumas praias do Estado. Fomos nesse Catamarã Cavalo Marinho II. Compramos os ingressos em sites de oferta, então tudo ficou bem mais em conta. 6. A família do meu namorado sabe fazer sushi (obviamente namoro apenas por interesse), e por causa deles eu sei como preparar temakis e sushis (ficam deliciosos, mas não tão bonitos, haha). Tirei a foto do saquê que é usado no preparo daquele arroz específico. 7. Fui com minha cunhada na casa do namorado dela. Ela não lembrava onde era a entrada, e por esse motivo erramos três vezes o caminho. Seria mais estressante se eu não estivesse animada para comer sushi. Então com o tédio saiu essa foto monstruosa, haha. 8. Na festa da priminha do namorado. Eu adoro festa de criança, você só faz comer doces e salgados, se entope de refrigerante e ainda joga Xbox e vira rainha dos pirralhos (bom, nem sempre). 9. Primeira vez que me arrumei primeiro que o namorado, aí fiquei sem fazer nada por alguns minutos e saiu isso. 10. Inveja, mas daquelas boas, do sapatinho fofo da minha estagilinda. Tirei foto para lembrar de procurar algum parecido, haha.

Às vezes acho muito chato postar coisas sobre o simples cotidiano. Mas é tão legal reviver alguns dias, com a simples lembrança de fotos, que deu vontade de mostrar um lado mais pessoal aqui no blog. E é aquela história, a gente escreve o que dá na telha, né? Vou tentar resumir as fotos do Instagram mais vezes por aqui. Espero que gostem!

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O mistério do livro "A Metamorfose"

É, eu sei. Parece que o título foi escrito por uma criança de 7 anos de idade. Porém é mais ou menos o que senti quando me deparei com o que ganhei ontem à tarde. Vou contar a história: 

Eu estava cochilando na minha cama enquanto ainda tinha minutos do meu horário de almoço (faço home office). Minha irmã entrou sem bater na porta, para variar um pouco, e eu tomei um susto. Ela trouxe um envelope amarelo, daqueles comuns, tamanho A4, e perguntou o que tinha dentro. "Sei lá, ué. Vou abrir!". Rasguei sem jeito o papel e retirei de lá um livro laranja. Corri os olhos para o título e li "A Metamorfose", de Franz Kafka. Tateei a aspereza quadriculada do objeto fino, prestei atenção aos detalhes da forma das imagens repetidas na capa e vi uma fitinha amarela, marcada nas páginas 38 e 39. Após visualizar alguns detalhes do presente confuso, peguei novamente o envelope e constatei que tinha lá um adesivo com as informações do destinatário, com meu nome e sobrenome, endereço completo e CEP. Não tinha remetente.

Agora não lembro exatamente se o recado que encontrei estava dentro do livro ou dentro do envelope, só sei que a pessoa que enviou "A Metamorfose" escreveu para mim em um papel branco, cortado um pouco mais da metade. Foi imprimido e digitado, então não tenho ideia da grafia. A forma como falava também não era nada familiar. Depois de ler o que o texto dizia, me senti em um filme. Daqueles em que acontece algo surreal e você tenta achar os porquês de tudo. Olhei para meus lados e minha primeira suspeita foi minha própria irmã. Eu disse algo como: "Vai, fala logo. Comprasse aonde esse exemplar?". Mas ela jurou não ter feito nada. Ela só achou o livro no 4º degrau das escadas da nossa casa (moramos no 1º andar), quando chegou da escola. Estranho, muito estranho, pensei. Começamos a tentar desvendar as características das pessoas que poderiam ter feito isso. De acordo com os fatos, e a cartinha digitada, chegamos às condições:
  1. É uma pessoa que sabe meu nome e sobrenome;
  2. É alguém que sabe meu endereço;
  3. Alguém que é daqui de Recife e sabe exatamente onde moro, pois o envelope não veio pelos Correios, foi deixado por alguém;
  4. Alguém que teve a ousadia de entrar no primeiro portão de casa, deixar a encomenda nas escadas, e sair de fininho, pois os vizinhos do térreo não viram nada OU alguém altamente habilidoso que jogou a encomenda através das grades do portão, e foi ninja a ponto de não rasgar o fino envelope amarelo;
  5. Alguém que quer me intrigar.
Além disso, essa pessoa já leu "A Metamorfose". Ela é um pouco egoísta, pois antes de entregar o lindo livro laranja, pensou em ficar com ele, e me pediu "perdão" por isso. Ela afirmou que o intuito dessa entrega era a existência desse pequeno mistério. Ela gosta de livros não apenas pelo seu conteúdo, mas também pela capa, existência de fitinhas marcadoras, etc. A escolha da obra foi feita por questões particulares, de preferência pela história do livro. O antigo leitor desse clássico afirmou que fazia tempo desde que lera a história de George Samsa. E por fim, ele transmitiu o significado básico que podemos esperar do conteúdo do livro, que seria ligado à metamorfose, mudança, transformação, e que isso significava evolução. Mas depois ele fala do outro sentido que eu posso descobrir, o sentido de Kafka. Eu só preciso "folhear as capas do livro laranja".

Minha extensa parte cética tenta encontrar as pessoas que podem se encaixar nas condições acima. Já falei com todas que estariam nesses filtros. Meu namorado disse que eu posso ter descoberto, mas a pessoa não quis admitir. Não descarto a possibilidade, mas continuo achando que o culpado pelo mistério ainda está no anonimato. Ao mesmo tempo, meu grande lado pessimista só está esperando alguém me sacanear de alguma forma, mas até agora nenhum pó de mico coçou minha pele, nem ninguém pegou o livro de volta. Além disso, cogitei a existência de alguma entrega aleatória, que por acaso me identificou e enviou um livro para fazer meu dia mais culto e feliz. Ou alguma seita secreta a qual buscou injetar literatura nas veias de jovens da era do Facebook, talvez.

O segredinho que vou contar aos meus amados leitores é que há uma minúscula parcela de esperança em mim. Esperança em dias melhores, pacíficos, em dias mágicos e em livros misteriosos, os quais chegam à sua casa sem passado, só futuro. Há dentro de mim algo que diz que eu ainda sou importante para o mundo, ainda importo na vida de um ou outro. Existe uma vozinha que fala: coisas incríveis e boas ainda acontecerão com você, Alien. Coisas até de outro mundo, quem sabe. 

Aí desde então sofri uma metamorfose e estou com 7 anos de novo: acredito em mágicas, e de quebra, em pessoas.







Notinha sobre as fotos: Tirei a primeira ontem, quando o Sol estava indo embora, e as posteriores hoje. Gostei dos céus diferentes, a despeito de terem sido capturados do mesmo lugar.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

My Valentine

Aí dizem que é Valentine's day, e eu não entendo muito a tradição ser no dia 14 de fevereiro, pois sou brasileira, e aqui fomos influenciados pelo santo casamenteiro, santa igreja católica. Apesar disso, lembro das escolas que tinham o sistema de mensagens anônimas. Estudei em muitas, aprendi a ser novata sem medo. Alguns cartões foram enviados para mim, mas só de amigos. Fiquei secretamente feliz de não ter ficado sem nenhuma cartinha. 

Amor é todo dia, não? 

Lá vem aquela raiva estrondosa de datas comemorativas. Relação paradoxal, na verdade. A tradição faz a data especialíssima, mas a cultura do esperar-o-dia-de-comemorar-para-comemorar não parece sustentável a longo prazo. É preciso amar as pessoas como se não houvesse... nada. Só pela delicadeza do sentimento mesmo. Pelo egoísmo de se sentir bem, às custas dos outros - é, amor também é egocêntrico. À custa do afeto que nos proporcionam, do bem-estar. Ser querido pela velhinha da esquina, pelo fazedor de pães, pela vizinha que, quando criança, disse a uma menina de franja cortada (irregularmente) que ela poderia chamá-la de avó. Aí o amor cria mais de uma avó, mais de uma irmã, a exemplo da amiga de trocentos anos, tão fucking distinta de mim, tão amada pelas diferenças. É, ou deveria ser, amor para tudo e todo mundo: mãe, pai, gato, cachorro, país, violão. Namorado. Ou namorada, quem sabe o desejo toma conta? Mas Valentine's day é coisa de namoradinhos, right? A história conta a saga do São Valentine pelo amor. A condenação à morte por ele.

Bem, Valentine's day é coisa de casal, como ia dizendo. Mas aí vem a mania de questionar. Indago: os que vivem a três ficam de fora? E os que têm relações amorosas e até sexuais com bichos? E com mortos (lembrei inexoravelmente do Nicolas)? A delonga é motivada pelo medo do sentimento bom. E, hoje, o receio, a vergonha da manifestação pública. Ser feliz assusta quem um dia já viveu triste. Então penso que amar, no fim das contas, é um ato de extrema coragem.

Em outras palavras,
amo você, Nu.

1 riso + 1 beijo

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

{filme} O Som ao Redor

Gostaria de fazer uma resenha do filme "O Som ao Redor". Ele será a obra cinematográfica que estreará a tag cinema por estas bandas (culpa das resoluções de 2013). Esclareço: sou cinéfila, mas simplesmente não escrevia sobre isso, até hoje. Apenas discutia, e muito, com meus poucos amigos que também gostam de filmes. 

Devido à peculiar diferença do filme em questão, pensei em dividí-lo em duas partes: a primeira seria uma tentativa de olhar mais descritivo, contudo sem levar em consideração as sensações causadas pelo filme por conter gente conhecida, prédios recorrentes, histórias verdadeiramente vividas por mim pelos arredores das ruelas, praia de tardes peguentas e das leituras sob o Sol manso. A segunda parte vai conter justamente o supracitado: um relato pessoal misturadíssimo ao filme. Isso pelo motivo de eu ter vivido ali, naquele contexto, naquele bairro, a pouquíssimos metros da rua em que ocorreram as gravações. Explicarei-me logo mais. O trailer abaixo vai corroborar com meus elogios, deem uma apreciada:



1º PARTE

O filme "O Som ao Redor", de Kleber Mendonça Filho, é a primeira investida do diretor em longa-metragem de ficção. Nunca vi outros filmes dele, mas já escutei falar muito bem de "Recife Frio". O conhecimento que tinha de Kleber era apenas da Janela Internacional de Cinema do Recife, evento grandioso que junta um pessoal amante de cultura de cinema (geralmente são mostras de clássicos e filmes pernambucanos), lá no São Luiz (cinema velhinho que foi restaurado para abrigar essa evolução pernambucana, foto logo abaixo) e no Cinema da Fundação. Tinha visto o cineasta fazendo algumas apresentações antes do festival começar. Na época (há menos de um ano), ele parecia só um idealizador estudioso com ar nerd, por conta dos óculos de armação grossa. Criou um filme inesquecível.


A história é ambientada no Recife, capital de Pernambuco, com destaque para uma rua em que existem, predominantemente, altos prédios. As casas já são raras, porém as lembranças dos tempos em que as residências não eram sugadas por especulação mobiliária permanece na mente de alguns moradores. Essa arquitetura ilustra muito bem a brutalidade dos lugares em que moramos, os quais são construídos cada vez mais verticais e solitários, com a tentativa de proteção que, por vezes, se confunde em desigualdade social e afastamento.

A (falta de) segurança é questão crucial, abordada com sagacidade pelo diretor. As famílias que vivem nessa rua sofrem com o descaso do governo diante da violência comum nos centros urbanos de todo o país.  Sofrem e pagam por isso. Essa narrativa (a exemplo de roubos do som de carro ou privação da classe média em possuir certos objetos) é contextualizada em Recife, mas abrange perfeitamente outras capitais brasileiras. Esse tema impacta diretamente na milícia, liderada por Clodoaldo (Irandhir Santos), que rapidamente se estabelece na vizinhança e promete a paz, em troca da bagatela de R$ 20 por cada casa protegida. É maravilhosamente paradoxal como o grupo de seguranças traz tensão àquela rua.

Se o tema segurança permeia todo o enredo, os sons são vitais para a obra ter êxito. A poluição sonora frequente, como o relato da vizinha incrivelmente incomodada pelo cachorro que só sabe uivar, ou até o barulho agoniante da chave destruindo o carro (vista no comecinho do trailer), desenvolve a identidade dos problemas de uma sociedade dividida pelas diversas classes que o capitalismo cultiva e que os senhores de engenho deixaram de herança.

Dentro de tudo isso, ainda tem um humor impagável, que revela tanto gírias do povo pernambucano e recifense, como situações cotidianas, engraçadas pelo desenrolar das histórias. Destaque para a cena em que os condôminos se reúnem para decidir sobre a permanência do porteiro que dorme, e quais argumentos são usados.

Alguns personagens marcam forte presença na trama de final inesperado, embora não sejam os únicos com boas histórias para contar. O moço jovem, rico, simpático e educado, chamado João (Gustavo Han), que administra os negócios da família (mas odeia), a dona de casa de classe média, incomodada pelo cachorro do vizinho, mãe de dois filhos, esposa de homem trabalhador, usuária de maconha vez ou outra. O Sr. Francisco (Waldemar Solha), avô de João, um exemplo de como o patriarcado e a opressão social persistem com o passar dos anos, diante do poder que ele apresenta na vizinhança (ele detém mais da metade dos imóveis do bairro), e o segurança Clodoaldo. A história expõe intuitivamente as contradições da típica sociedade brasileira e também o preconceito enraizado, perante hierarquia invisível ou visível a partir de eufemismos. Uma cena que ilustra muito bem isso é quando o Sr. Francisco vai, tarde da noite, mergulhar na praia de Boa Viagem, mesmo com o aviso enorme sobre o perigo de tubarões.

O filme não é só aclamado por mim, reles mortal magricela. A repercussão foi tanta que chegou aos ouvidos do The New York Times, o qual escolheu como um dos melhores filmes do ano passado (apenas citando, já que adoramos tanto a opinião dos americanos). Vários prêmios, como de Roterdã, Rio de Janeiro e Gramado, também respaldaram a qualidade do filme bastante revelador.

Seguem algumas fotos do filme, retiradas do site oficial:




2º PARTE

Agora vem uma parte meio non-sense, mais pessoal e, sobretudo melosa. Curta, ao menos. E meio babona. Eu poderia escolher eufemismos, pois isso é o que mais sabemos fazer para nos incluirmos em papéis sociais bem aceitos, porém abrirei mão da palhaçada. 

Vou falar com os olhinhos cheios de orgulho: assisti a uma obra prima filmada ali, a duas ruas do meu apartamento minúsculo. Eu, que estou tão acostumada a venerar lugares que estão a quilômetros de distância. Eu, repleta de desejo por Paris e Inglaterra, e cheia de sentimento de injustiça divina. Eu, que crio indagações repetitivas e precárias como: "qual motivo, ó Senhor, que escolheste me jogar aqui? Qual pecado cometi, além de ter nascido mulher, claro?". [Lembrem-se/saibam que sou irônica.]

Nesse aclamado filme, você encontrará o bairro em que já morei por alguns anos, Setúbal, que não se decide se é bairro ou adendo do célebre Boa Viagem (as cartas endereçadas ficavam deveras confusas nessa escolha). As gírias da minha cidade, os traços de rostos conhecidos (Alô Sandrinho, companheiro das paradas esperando para sempre ônibus, atuando lá lindamente, e Bruno Negaum, produtor de eventos famosíssimo aqui de Recife, desenvolvendo cena hilária), as árvores, as esquinas, o colégio filmado (considerado de péssima escolha por pais e mestres), as relações, o problema social, os carros violentados, os encontros íntimos sem nenhum compromisso (não dá para taggear), a reunião de condomínio, os chatos condôminos - aqueles insuportáveis hipócritas -, os malditos seguranças que mais dão medo que protegem. Tudo aquilo que está na tela é muito próximo do que vivo, do que vivi. Minhas intocadas memórias, agora cutucadas. Foi um presente inesperado. Quero rever!

E você, já ouviu falar de "O Som ao Redor"? Está passando aí na sua cidade? Estou curiosíssima para ver opiniões e compreensões que o filme causará em cidadãos de outros Estados do Brasil e, sobretudo, em estrangeiros. Vá ao cinema, vale muito a pena. E o cinema também ajuda a mostrar, com mais qualidade, o desenho de som genial de Kleber e Pablo Lamar.


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

{meme} 2012: o ano apocalíptico

Sei que não deve ser muito bonito e, pior, (fucking) clichê, mas começo 2013 pedindo perdão por essa demora em atualizar esse cantinho aqui, que me faz tão bem. Talvez seja aquele sentimento estranho que, esporadicamente (ou não), nos acomete: nos afastamos daquilo que tanto amamos, por causa de distrações, trabalho, necessidades ou até outras paixões.

Bom, sem mais delongas, volto com muito orgulho para dizer que este será um ano revolucionário e feliz. Para mim e para vocês, tenho certeza. Bastam apenas atitudes, e aquela vontade de mudar o mundo. Feliz 2013, hihi.

Decidi fazer um overview do meu ano apocalíptico - o qual, graças ao calendário que usamos, já passou há  quase três dias! -, e acabei lendo um meme que poderia ajudar nisso (foi no Lace Place, blog que descobri há pouco tempo e já estou gostando). A essência do meme, que vocês já devem ter lido em outros blogs, é ter gratidão suficiente para elencar 15 coisas boas que ocorreram no ano, e mais 15 metas para 2013. Com meu ano foi predominantemente chato/triste/deprimente, vou ser birrenta e elencar, também, alguns desastres que aconteceram na minha humilde vida. Aqui embaixo postei a foto que tirei numa das primeiras luzes de 2012, e no momento que nem imaginava quanta dor eu podia suportar:


15 bizarrices deveras intensas:

- Amizades desfeitas (foram cinco, ao todo, então já vou contabilizando);
- Vontade suicida (só de leve, nada grave afinal estoy aquí, haha);
- Desilução amorosa;
- Decepções com um ou outro amado;
- Desistência do Projeto 365 dias (decorrente dos fatores supracitados, segundo Freud);
- Pintura de cabelo desastrosa e a bagatela de R$ 80 por água abaixo (foto aqui, mas não se engane, existe um filtro do ~estragão~);
- Mudança da casa materna, de Recife para Jaboatão dos Guararapes (rua Olimpia, vulgarmente conhecida como "fim do mundo", por ser longe demais);
- Problemas financeiros na família;
- Ida eterna do pitbull mais forte e carinhoso de todo o mundo (em memória);
- Irmão de um velho amigo com leucemia. Por favor, quem for de Recife (PE), doe sangue em nome de Marcus Nery. Aqui tem mais informações;
- Stress com faculdade.

15 belezinhas:


- Participação de protestos estudantis contra o aumento das passagens de ônibus;
- Experiências novas, efêmeras e psicodélicas (favor não associar às drogas ilícitas);
- Promoção na empresa em que trabalho (saí da vida de estagiária de pijama para a vida de funcionária, ainda de pijama!);
- Leitura de As Desventuras em Série (Lemony Snicket me fez gargalhar em momentos de tristeza, valeu muito a pena!);
- Show inédito de Paul McCartney (escrevi sobre isso aqui);
- Viagem à Curitiba (muito amor);
- Novos amigos feitos, com a característica de já serem colegas/amigos, mas terem se tornado pessoas incrivelmente especiais;
- Compra do S2 e do Notebook da Dell (estou satisfeita com ambas marcas, por enquanto);
- Carteira de habilitação (A e B o/);
- Mais um ano de faculdade finalizado (agora falta um ano e meio para a graduação!);
- Primeira doação de sangue (finalmente passei dos 50kg e me tornei capaz);
- Centenas de filmes vistos. A listagem dos que vi, a partir de setembro de 2012, se encontra aqui;
- Paixão por menino cheio de defeitos;
- Finalmente a compra da coleção de Harry Potter só para mim (nunca estimularam a leitura de HP quando eu era criança, mesmo assim li todos com a ajuda dos amiguinhos que emprestaram, e no final de dezembro peguei no Submarino uma promoção desta coleção colorida); 
- Consegui sobreviver ao apocalipse Maia (não foi um ano muito próspero, foi difícil fazer a listinha dos agradecimentos).


15 metas para 2013, o ano que será REVOLUCIONÁRIO:

- Criar o hábito da leitura diária de livros ou poemas;
- Fazer academia (Pilates, Yoga ou musculação mesmo);
- Reclamar menos, fazer mais;
- Estudar mais;
- Ser mais produtiva, em tudo o que interessar;
- Viajar para o Rio de Janeiro, para venerar Muse!!!!1;
- Pensar sobre intercâmbio;
- Pensar mais em mim e ser menos altruísta (se isso significar sofrimento ou ingratidão, haha);
- Ser mais segura;
- Ser mais equilibrada/zen, e menos estressada;
- Comprar um carro;
- Juntar dinheiro e manter a planilha de orçamento pessoal (baixei um arquivo xls no BM&F Bovespa, e estou customizando);
- Ser mais organizada;
- Ser mais família;
- Retomar estudos sobre fotografia.

Meu ano novo começou cheio de lama e gente bizarra, na praia de Candeias ao som de Capital Inicial. Muita confusão, muvuca e empurrões, mas a presença de pessoas amadas salvou um pouquinho a agonia do pandemônio.

E vocês, como estão?

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Desembargador Motta, 3574

Sabe qual é a sensação de fazer pela primeira vez alguma coisa que você sempre quis? Senti isso quando viajei sozinha para Curitiba, em julho deste ano. Recebi a oportunidade de desempenhar meu job lá no Paraná. Nunca tinha pisado no Sul do país, e sempre invejei o frio que faz por aqueles cantos. É claro que aceitei em milésimos de segundo! Foram só alguns dias, de quinta-feira até domingo: o bastante para recuperar a minha sanidade e vontade de viver, já que Recife e seus cidadãos, na época, estavam sufocando meu coraçãozinho. 

Foi uma experiência maravilhosa e por isso indico muito: viaje, nem que seja forever alone. É um baita remédio para a alma. E também aceite desafios sem pestanejar. Foi o que fiz: apresentei, pela primeira vez, o trabalho que venho fazendo apenas nos bastidores. Conheci meus importantes clientes e mostrei para eles meus conhecimentos de social media. Entendi mais o que eles esperavam de mim, da minha empresa. Conheci mais de mim mesma: o nervosismo ficou de lado quando falei de algo que fazia todos os dias e gostava muito. Respondi a dúvidas, ri com alguns achados do job e saí de lá morrendo de vontade de trabalhar mais ainda pelo que acredito.

A noite de sexta-feira, o sábado e a manhã do domingo foram os dias de turismo. Parecem poucos dias, mas com passeios planejados e otimização do tempo (para quê dormir mais de cinco horas, afinal?), tudo pareceu correr bem. Saí de lá pois era preciso, voltei para Recife com felicidade de reencontrar alguns amados. Tipo aquela célebre citação que é um filme: "viajo porque preciso, volto porque te amo". Isso nunca pareceu se encaixar tão bem no contexto daquele final de semana incrível com pessoas inéditas. 

Não tirei tantas fotos quanto gostaria, mas fiz uma seleção da viagem para vocês verem. O que mais me impressionou em Curitiba foi o planejamento de arborização da cidade. Fiquei completamente apaixonada pela limpeza das ruas, organização dos ônibus e demais serviços, e o verde que o lugar emanava a cada esquina. 

A dica para quem quer conhecer os principais pontos turísticos é pegar a Linha Turismo. Com ela, é possível conhecer os parques, praças, teatros, museus e demais atrações. Lembro que fiquei apaixonada pela Ópera de Arame, o Museu Oscar Niemeyer e o Jardim Botânico.



Meus momentos mais solitários: viajar no avião, conversando com estranhos que provavelmente nunca mais verei na vida, e devorar um café da manhã digno para um dia diferente de trabalho.


Essa foi a dica do meu cliente super fofo que almoçou comigo e com minha chefa. "The best burger in the world" é ousado no slogan, e tem realmente um sabor delicioso (e nem é tão caro). 



Pedacinhos do hostel que fiquei hospedada. Pimentinhas crescidas e quadrinhos bem feios na descida das escadas.


Alguém está vendo alguma coisa ali dentro? Esse é o chopp submarino, tomei lá no Schwarzwald - Bar do Alemão. Tem um canequinho ali, e no dia perguntei ao garçom se podia levar comigo. Ele foi bem sucinto e mandou olhar embaixo do canequinho, nem deu muita atenção. Estava escrito: "Este caneco foi roubado honestamente.". Morri de amores por esse lugar. 



  

Museu Oscar Niemeyer: espetacular. Quero voltar milhões de vezes!





Filho sendo abduzido no Jardim Botânico.




Essa florzinha amarela se chama amor perfeito. Sabia que encontraria um dia!


Uma das impressões que tive durante a viagem foi a demonstração inusitada de amor de algumas pessoas. Algo paradoxal: estou sempre aqui, nas ruas do Marco Zero, em casa fazendo home office, ou na faculdade. Quando viajo, eis que aparecem manifestações de amor puro - o que não ocorre com frequência na situação Aline no Recife. Sei que é extremamente corriqueiro mas, que tal colar na parede do quarto "é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã."?

Em suma: indico viagens, Curitiba e chopp geladíssimo. 
E muito amor para quem merece.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Diário de uma motociclista

Andar de motocicleta causa uma sensação ímpar! Seus cabelos ficam esvoaçantes, seu corpo se refresca com o ventinho e a adrenalina originada pela situação te causa um misto de temor e felicidade. A cada acelerada, a intensificação desse sentimento bom aumenta. Pelo menos é isso que venho sentindo nas últimas aulas! No início do ano, paguei à autoescola tanto por aulas de carro quanto de moto, em um ímpeto de pobre na liquidação. Como o valor da diferença das habilitações A e B era ínfimo, achei que seria mais vantagem aprender duas coisas em um período só. Acontece que na primeiríssima aula com o instrutor, fiquei totalmente petrificada diante da minha ignorância. Eu só sabia que o veículo era perigoso e tinha duas rodas. E só. Não sabia como ligava, dava partida, acelerava, freava, ou como se comportava em cima daquilo sem cair. Só para ter uma ideia: na primeira aula, eu passei uns quinze minutos tremendo literalmente. Estou tendo a sorte (ou azar) de ser ensinada por um instrutor mandão que adora repetir meu nome a cada segundo. Pode parecer chato, mas se o objetivo da aula é aprender algumas noções, está dando certo!  


Listei alguns conceitos básicos que assimilei, considerando o modelo da minha moto, o modo como ela estava configurada e a didática do instrutor. É claro que para fazer as etapas, você tem que ter mais de 18 anos, ter passado na prova teórica (acertar mais de 21 pontos), ter em mãos documento oficial com foto e o RENACH (Registro Nacional de Carteira de Habilitação), estar devidamente seguro com o capacete e demais acessórios e estar na presença do instrutor. Não vale a pena tentar sozinho em casa. Eis os passos:
  1. Subir pelo lado do descanso. Para a moto ficar paradinha, ela tem um descanso semelhante ao de uma bicicleta. Você deverá subir por aquele lado, geralmente o esquerdo, por medida de segurança.
  2. Puxar o guidom para si. Ele estará inclinado para o lado do descanso, desta forma você terá que puxar o guidom para si, deixando alinhado ao seu corpo que, até agora, estará em pé. Achei a moto muito pesada! 
  3. Posicionar-se corretamente na moto. Pode parecer bobo, mas você tem que saber a forma correta de sentar no veículo, pois isso influenciará no desempenho do equilíbrio lá na frente. Caso você sente muito na frente ou atrás, poderá exercer um peso que dificultará as manobras. 
  4. Apoiar pé direito no chão enquanto levanta o descanso. Você retira o descanso com o peito do pé e deve lembrar de colocar de volta com o calcanhar. Na hora, você verá que essa é a maneira mais fácil de fazer o processo.
  5. Ligar a moto. Girar a chave. Tem lá o intuitivo on/off, rs.
  6. Conferir se a marcha está em ponto neutro. Se no carro o título é "ponto morto", na moto você vê um painel mostrar um "N" bem grande esverdeado. A moto tem que estar nesse estágio para, em breve, ser colocada na primeira marcha e sair andando.
  7. Pressionar a ignição. A moto que eu andei tinha uma ignição que era um botãozinho vermelho. Observando o trânsito, notei que existe outro dispositivo que fica na altura das pernas, e aparentemente o piloto tem que fazer um movimento brusco para baixo para o motor começar a roncar. Achei o botãozinho mais prático.
  8. Segurar a embreagem. A embreagem está mais próxima da sua mão esquerda. Você terá que segurar o manete e fechar completamente na sua mão. 
  9. Colocar na primeira marcha. O seu pé direito tem que estar apoiado no chão, e o esquerdo, que é o do lado do descanso (normalmente), vai passar a marcha, pisando o pedal. Um clique para baixo é colocar na 1º marcha. 
  10. Fazer meia embreagem. Você vai soltando a embreagem devagarinho, até ela chegar na metade ou em um ponto que a moto ande. O próximo passo ajuda nesse processo. Se soltar demais, a moto "morre".
  11. Impulsionar a moto para frente com o pé direito. Na aula, o instrutor ensina a dar um impulso com o próprio pé para a moto andar, para que você não precise girar o acelerador (ele põe um pino para impedir que o aluno, nas primeiras aulas, gire o acelerador e chegue à China ou emergência).
  12. Equilibrar-se. Se os passos precedentes forem executados perfeitamente, você estará andando a pouquíssimos km/h. Alguém que já andava de bicicleta antes pode ter mais noção de equilíbrio.
  13. Frear. Era o que eu mais queria saber. Seria o SOS perfeito se algo desse errado. O freio estará ao alcance do seu pé direito. Você deverá pisar no freio e simultaneamente apoiar o pé esquerdo no chão, caso contrário, a motocicleta poderá cair sobre você.
As dicas para obter um bom desempenho e ganhar a 1º habilitação de moto são simples: o ideal é usar o mesmo veículo dos treinamentos e a mesma didática, se estiver dando resultado. E lá, naquele nervosismo, fazer tudo o que aprendeu, sem muita criatividade. Comprei sete aulas que duravam 50 min cada, estou achando que será suficiente. Analise o seu progresso e só eventualmente compre mais aulas.

É isso. Resolvi compartilhar o pouquinho que aprendi com vocês, com todas as limitações de uma autoescola, é claro. Percebo o quanto o nosso trânsito é caótico também por causa da falta de educação dos pilotos. Infelizmente na autoescola - e acredito que isso seja uma característica do país todo -, você apenas aprende a passar na prova do Detran. Não entendo como o país continua sem perspectiva de um futuro mais promissor, sem investir verdadeiramente em educação de todo tipo. Só esse ano, em Pernambuco, 71.462 carteiras de habilitação foram emitidas (do tipo primeira habilitação). Isso significa que, em teoria, mais de setenta mil pessoas já sabem dirigir. Decerto uma ilusão, já que você não é ensinado a se comportar no trânsito. É só visualizar as estatísticas assustadoras de morte do Estado para comprovar que algo está errado. A única movimentação que vi do governo foi criar o CEPAM (Comitê de prevenção aos acidentes de moto em Pernambuco). As ações incluem educação no trânsito, palestras educativas, fiscalizações e capacitações de equipes médicas. Acho a campanha bem apelativa, já que estampa fotos de acidentados que perderam os pés ou as pernas, por exemplo, nos acidentes. Causar medo e ensinar não são atitudes de mesmo significado para mim.

E vocês, já dirigem? Pilotam? Como foi a prova? Estou ansiosíssima!




terça-feira, 14 de agosto de 2012

Escadas e sonhos tortos

Tive mais um daqueles sonhos longos e complicados.

Sonhei que precisava desesperadamente comprar roupas novas - algo bastante verdadeiro, pena que tenho preguiça -, e a loja que fui, em um sábado de poucas pessoas no centro da cidade, tinha essa seção no 2º andar. 

Quando fui chamar o elevador, notei que estava quebrado. Ao contar os sonhos para alguns amigos, lembrei que elevadores não estavam in no livro O Elevador Ersatz, graças às crenças de Esmé Squalor e outros. Rapidamente procurei as escadas para concretizar meu objetivo fútil, e quando as achei, iniciei uma jornada sombria e confusa. O que era para ser uma alegre e rápida subida tornou-se um pesadelo. Havia toda sorte de escadas: longas, estreitas, em formatos de caracol e outros indefinidos. Chegar ao 2º andar nunca tinha sido tão difícil - pensava no sonho - e, apesar de parar algumas vezes para descansar e constatar que estava no caminho certo, a jornada estava ficando cansativa. Quando finalmente percebi que estava perto, e aquela sensação de "ufa, finalmente esse sufoco vai acabar" começou a formigar, me deparei com uma curva obrigatória que me levou diretamente ao fim da escada. A escada simplesmente acabou, lá no alto (senti que tinha subido muito mais do que apenas dois andares).

Caminho tortuoso que não levou a lugar nenhum.

Assim como o final desse texto, o sonho apanhou sentimentos densos de frustração. Minhas entranhas estão rangendo de agonia até agora. Também senti umas pitadas de injustiça percorrendo o corpo magrelo. 

Vocês também ousam sonhar?



Obs.: A foto foi tirada por Allan, no parque da Jaqueira, em Recife, no fim de uma tarde. Eu estava devaneando horrores.

terça-feira, 26 de junho de 2012

De quando eu desa(ndei)bafei

Gente, I know, andei sumida! Queria agradecer a quem viu alguma qualidade no último conto que postei. Queria também agradecer aos omissos, que provavelmente acharam o texto uma inutilidade em um mundo já tão sofrido e optaram por não me ofender. Fiquei tão abalada com o sentimento que vomitei naquelas frases, que não consegui mais escrever. Espero que nem todos tenham me abandonado.

O projeto de 365 dias também está abalado. No dia 25 de maio comecei a desandar. A minha vida inteira começou a tropeçar depois desse dia mágico, e eu não tirei minha foto, como andava fazendo há meses - todos os dias. Foi uma coincidência com alguns problemas pessoais que ainda estou passando. Parei de tirar as fotos do projeto, a vida desandou. Acho coincidências engraçadas.

De modo que estou, com muita dificuldade, teclando no meu notebook pago à vista, enquanto penso em algo legal para dizer. Só mais um minuto, eu juro. Huuum, será que não sobrou nada?

O que acontece quando a sua vida toma um rumo totalmente novo (entenda novo como estranho, temporariamente triste e incomum)? Tudo o que você conhecia não era verdade, era só fruto da sua ingenuidade e inexperiência de vida? E, claro, da sua imaginação? O que acontece quando você é sugado por alguma força que te obriga a pisar os pés nus no chão gelado?

Ando com uma mente monotemática, sensível e extremamente hopeless. Algo me diz que se eu não mudar alguns - ou todos - hábitos, vou cair em um poço fundo e sem volta. 

Enfim, estou lendo O diário de Bridget Jones, de Helen Fielding, e ela costuma arrancar algumas risadinhas minhas, a despeito dessa tsunami. Todo mundo deveria ler essa palhaça! Olha um trechinho:

"Ai, Deus. Como Tom sempre diz, numa voz sepulcral, colocando a mão no meu ombro e olhando nos meus olhos de um jeito apavorante: "Só as mulheres sangram.".

Prometo tentar multiplicar meus sorrisos em breve. E postar, rs.


quarta-feira, 30 de maio de 2012

Meme atual de um Alien

Vivi até hoje para receber meu segundo meme! Uma das melhores sensações que tenho é quando alguém lembra de mim. Sou dessas. Obrigadíssima, Carolina. Aproveitando a alegria que você me deu, ao me indicar, preciso salientar que adoro o que você escreve e compartilha com o mundo. Indico de todo o coração esse sweet blog.

Pois bem, o meme é bem curtinho. Só precisei preencher as lacunas sendo coerente comigo mesma. E, infelizmente, o momento não está dos mais jocosos. Optei por manter as mesmas frases, não por preguiça, mas por serem bem generalistas e, por isso, mais rápidas de serem respondidas. Também adicionei algumas fotos que ilustrassem as frases.

REGRAS
  • Completar todas as frases.
  • Repassar o meme para 5 pessoas e avisá-las sobre.
  • Ao repassar as frases, você pode optar por manter as mesmas ou inventar outras.

{Frases}
01) Sou muito _____________________.
02) Eu não suporto ___________________.
03) Eu nunca ________________________.
04) Eu já ___________________________.
05) Quando criança, eu _________________.
06) Neste exato momento, eu quero mesmo é _________________.
07) Eu morro de medo de _______________________.
08) Eu sempre __________________.
09) Se eu pudesse, ______________________.
10) Fico feliz quando _________________________.
11) Se pudesse voltar no tempo, eu ____________________.
12) Adoro assistir a ____________________.
13) Quero aprender _______________________.
14) Eu preciso ________________________.
15) Não gosto muito de ___________________. 

{Minhas respostas}
01) Sou muito imatura.

Essa fotografia foi um autorretrato kinda ugly

02) Eu não suporto surpresas ruins.
03) Eu nunca achei que sofreria tanto por culpa de pessoas queridas.
04) Eu já fiz um monte de besteiras.
05) Quando criança, eu era uma das pessoas mais felizes de todo o mundo.

Essa aqui foi mamãe ou papai que tirou. Olha o tamanho dos dentes de um Alienzinho, haha. Meu cabelo era enorme! E essa franja cortada toda errada? Vibe hipster aos 6 anos, do you know?

06) Neste exato momento, eu quero mesmo é superar problemas da melhor forma possível.
07) Eu morro de medo de perder pessoas importantes por fatos desimportantes.
08) Eu sempre quero tentar resolver as coisas.
09) Se eu pudesse, faria tudo ficar bem.
10) Fico feliz quando as pessoas lembram de mim de uma forma amável.

 Foto tirada por Allan.

11) Se pudesse voltar no tempo, eu não teria me envolvido com um monte de gente insignificante que me fez sofrer. 
12) Adoro assistir a filmes que criam novos pensamentos na minha vida, nem que sejam só por alguns dias.
13) Quero aprender a superar os baques da vida.
14) Eu preciso de pessoas que me amem e demonstrem isso.
15) Não gosto muito de ficar parada.

{Minhas blogueiras indicadas}

Dessa vez, diferente do meu primeiro meme, tive que fazer uma forcinha para uma seleção de apenas 5 blogueiras. Apesar de existirem mais, resolvi listar as meninas abaixo, e digo o motivo logo em seguida. Olha só quem são:
  • Isabella. Essa garota desenha, cria roupas, marca-páginas, quadros, pulseirinhas e ainda ensina para a gente! Também escreve o que sente e é engraçada. Gosto da Isabella. Ah, ela tem uma lojinha, viu? E o nome do blog dela é, por si só, uma felicidade: Strawberry Fields. Eu completaria com Foreveeeeer.
  • Gabriela. Escreve muito! Desde contos a postagens de fotografias e o que quiser, e é isso que eu amo na Gabriela. Um destaque são as descrições dos marcadores. Sempre acho genial (e engraçado).
  • Roberta. Gosto muito da forma como essa menina escreve, de um jeito tão maduro e bom de ler, inteligente, sagaz. As resenhas que faz de livros e filmes são muito ricas. Não tenho certeza de que ela participará desse meme, não vi nada parecido e, por isso, talvez o conceito do Brisa de Palavras não comporte esse tipo de postagem.
  • Camila. Comecei a lê-la recentemente. A sonoridade do nome do blog é deliciosa, Não me mande flores, e o motivo é melhor ainda. Segundo Camila, é para incentivar o incomum, o original. A autora é daquelas que adoram dividir dicas bem legais sobre assuntos interessantes. 
  • Danni. Blog novo na área, meninas! E eu aposto muito em você, Danni. Simplesmente me apaixonei pelas fotografias dessa publicitária. Inclusive os  favoritos do meu flickr estão repletos das fotos dela. 

Espero que vocês gostem da experiência de saber as próprias respostas que completam aquelas quinze indagações. Como vocês devem ter percebido, estou passando por maus bocados. Uma coisa boa nisso tudo é que a inspiração para criar histórias melancólicas e desafortunadas vem à tona, e os contos começam a reaparecer (tem que ver o lado positivo de tudo, não é mesmo?). 

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Sobre setenta e duas fotografias alienígenas

Quando você gosta de algo, e se compromete, você consegue alcançar os objetivos preconcebidos. Pelo menos essa é a conclusão que eu tiro acerca do andamento do meu projeto fotográfico.

Por incrível que pareça, o desejo de chegar às 365 fotos, em 1 ano, continua de pé. Se eu não for atropelada até lá, acho que consigo, pois apesar de dar um pouco de desânimo naqueles dias cheios de deadlines, há uma beleza tão grande em fazer o que te faz bem que, mesmo morta de cansada, suspendo os 560 gramas da bebê profissional, se estiver em casa ou local seguro, ou tamborilo nos dedos, com facilidade, a menorzinha das duas criadoras de imagem que tenho, com atenção para não ser assaltada em Recife - algo, infelizmente, bastante comum.

É interessante você, depois de algum tempo, visualizar a evolução do seu trabalho. Nesse caso específico, pude perceber que quase cancelo o projeto por vergonha de não ter me empenhado em alguns momentos. Para mim, a dificuldade do projeto é o comprometimento de fotografar diariamente (pelo menos essa foi a promessa que fiz a mim mesma, não quero quebrar), e por isso, nem todas saem do jeito almejado. Umas eu publiquei quase morrendo, tudo em respeito ao conceito do carpe diem fotográfico.

Decerto gostei de algumas, afinal, o projeto ainda está rolando, e por meio das que apreciei, aprendi um pouco mais sobre mim mesma. Percebi as cores que mais enchem meus olhos de beleza, as composições que acho bem feitas e minha paixão paradoxal tanto por simetria, quanto por desordem total. 

Houve, ainda, a percepção da vantagem impagável de imaginar um mini filme da minha vida. Vendo as setenta e duas fotografias alienígenas, tive impressões dos acontecimentos que achei importante no decorrer do dia, na hora em que tive que escolher qual foto publicar.

Por enquanto é só. Continuo lendo as Dicas de Fotografia, estou fazendo umas pesquisas para comprar livros práticos e de leitura simples e dinâmica sobre o assunto, e sempre que dá, tento trocar uma ideia com amigos que se interessam por isso. A Gabe, por exemplo, é uma estudante de fotografia fofa que às vezes manda uns materiais bem legais para meu e-mail. 

Fiz uma seleção de quase três meses do projeto, e das 72 fotos, 27, as que mais gosto, aparecem aí embaixo. Dividi em categorias e não há ordem cronológica:

Shows

Em menos de três meses, assisti ao ensaio de um célebre pernambucano talentosíssimo e, de quebra, vivenciei o espetáculo de um Beatle. Fase sortuda!

 {2}
 {41}

Céu

Fico arrepiada com a natureza, em especial com aquele espaço acima do horizonte. Essa minha fase bucólica é recheada de onomatopeias como oh! e ah! que antecedem as fotografias. Geralmente acontece assim: estou absorta em minhas tarefas e, do nada, o céu arrebate meus olhos e eu percebo que o mínimo que posso fazer, além de contemplar aquela paisagem singular, é roubar um pouco do momento e compartilhar no mundo virtual (e, em breve, no meu quarto, quando eu revelar). 

 {24}
 {33}

Comida (ou o expressivo neologismo: "nhamy!")

Eu amo comer. Grande parte da minha grana vai para as refeições sagradas. Eu não tenho muitas fotografias boas relacionadas a essa categoria, pois é difícil se concentrar fotografando o antes, já que a minha barriguinha começa a se irritar com a demora do processo.

 {4}
 {53}

Gente

Eu gosto de gente. Gosto mais ainda de quem gosta de mim. Pode parecer estúpido, mas esse trecho em itálico é o início de conversa que tenho sobre essas fotos. Foram escolhidas pela estética e pelo calor do momento da fotografia. Acredito que fotos podem captar não apenas imagens, mas também sentimento. E foi isso que tentei demonstrar. Eu amo todas essas pessoas exatamente no momento dessas fotografias. Fui feliz com elas. O presente, no entanto, não condiz com todas as fotos. E essa inconstância é a premissa da vida. O que nos resta é viver, right?

Ah, através dessas fotos, percebi que gosto de fazer cortes na hora de captura. Uma testa, um olho, uma orelha ou um nariz acabam saindo da composição da foto pelas minhas mãos magricelas.

{51, 36, 12, 16, 21 e 9, seguindo a ordem da esquerda para a direita}

Coisas/sensações que gosto

Gosto do cinema e a magia transcendental trazida por ele. E essa foto (confesso ter sido a que mais gostei das que tirei) só foi possível pelo motivo de eu ter uma mania meio besta: ser a última a sair, de toda sessão. Nesse dia, assisti a Hugo, de Martin Scorsese, filme bastante premiado no Oscar 2012. Dois, dos cinco prêmios, foram de Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte.
Relógios que não apenas dizem as horas, mas também são bonitinhos;
O frio que a chuva traz, e a beleza das gotinhas;
Ganhar presentes feitos à mão;
Ler, de preferência no friozinho, um livro atraente.

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  {35}

Autorretratos

Para mim, são os mais difíceis. Como ainda não tenho tripé, complica bastante. Utilizo CDs e livros para deixar a câmera mais alta, mas corro o risco de ser atrapalhada e derrubar tudo. Ativo o timer em 10 segundos e faço a pose que pensei. Tranco a porta do quarto para ninguém entrar de supetão e eu parar, por ficar com vergonha, haha. A maioria das fotos foram tiradas à noite (único horário em que estou relativamente livre). Estranhamente gostei um pouco dessas:

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 {47}
 {66}
  {72}

E vocês, também estão envolvidos em algum projeto?

Post scriptum: Todos os dias lidamos com críticas, e isso é normal, é para nos ajudar a melhorar. Mas aprendi a lidar com os haters há pouco tempo: não importa o que você faz, eles continuarão hostis. Veja a dica do gatinho:


© Escreva carla, escreva
Maira Gall