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sábado, 20 de julho de 2013

{resenha} Underground Sports Bar

Eu tenho uma imensa frustração por nunca ter feito intercâmbio. Um mix de responsabilidades que tenho aqui no Brasil, com medo de perder o que construí até agora, com falta de dinheiro e de oportunidades me deixam presa em Recife (PE). Pensando nisso, tentei olhar de forma positiva o que ainda tenho para conhecer nessa cidade multicultural (enquanto crio um plano mirabolante para vazar de uma hora para outra). E aí me coloquei no lugar de turista da minha própria cidade e decidi encontrar tudo o que Recife esconde de mim, no dia a dia corrido de trabalho e estudos.

O projeto "turista da minha própria cidade" ainda está apenas na minha mente, haha, mas já achei legal trocar essa ideia com vocês. Seria fantástico descobrirmos lugares das cidades de outros blogueiros, não é? Então sintam-se à vontade para explorar locais que estão bem debaixo dos seus narizes! E não esqueçam de me convidar!

Foi com esse sentimento que fui ao pub Underground Sports Bar. Ele fica na avenida Boa Viagem, de frente para o mar. Entrar ali foi diferente, pois só frequento bares bem mais humildes. Em todo canto havia detalhes, e o dono obviamente queria trazer elementos londrinos para criar um ambiente bem estrangeiro. Primeiro que o significado de underground foi arquitetado mesmo: o bar tem umas escadas para baixo, pra tornar o negócio subterrâneo. Lá dentro é bem aconchegante e a iluminação é fraquinha, traz um mistério em cada mesa empoleira da gente toda arrumada. Acho que encontrei algumas pessoas alternativas de Recife que também devem frequentar o Castigliani Café, que falei no último post. Peguei da fanpage deles (não gostei muito dessa foto, mas é necessária para mostrar como é o bar): 


Fui com uns amores da minha vida e lemos o cardápio. Os preços estavam no nível do bar. Não tinha espetinho de gato por R$ 2 reais, mas tinham pratos que pareciam deliciosos! Não é um lugar perfeito para jantar, pois você vai gastar uma dinheirama com isso, mas é ideal para petiscar, enquanto toma uns chopps E/OU uns drinks bem elaborados. O atendimento também é legal, apesar de a gente ter implorado por um chopp umas 5x já no final da noite. Indico para quem mora aqui e nunca foi. Fazer aniversários lá também é uma ótima ideia! As fotos sairão com fundos incríveis e terão joguinhos divertidos para brincar com os amigos (sinuca e dardos) e ainda tem jukebox para uma seleção de músicas do seu gosto! Além disso, tem mais de vinte TV's espalhadas pelo pub, para quem curte lutas e jogos de futebol. Agora vá com a carteira cheia. Quem é de fora e quer entrar em um Recife britânico, pode correr pra lá também. O endereço também é vantajoso para quem quiser aproveitar depois para andar no calçadão de Boa Viagem, e vislumbrar a escuridão do mar. Entendam do que estou falando (imagens da fanpage): 


Como fomos de carro, pude levar minha câmera, vide mural, haha. Selecionei algumas para ilustrar a noite. Muito bom voltar a manusear um dos objetos que mais amo na vida, deu um pingo de esperança, sabe?


Em relação ao bar, só posso escrever sobre o que provei. E lá tem uma batata que foi para o top cinco dos meus pratos prediletos. É uma delícia! Também provamos um doce que era suculento aparentemente, mas me desapontou muito. A batata se chamava "rustic potatoes", e, segundo o cardápio, era isso: batatas rústicas fritas cobertas de cheddar, bacon crocante e ranch, sal sulfuroso e cebolinhas. Eu adicionaria "divino" às especificações. O doce se chamava vanilla iced brownie, e eu já havia suspirado muitas vezes em fotos de amigos do instagram. Mas olha, nunca mais eu peço, haha. O detalhe estava descrito assim: brownie gelado de baunilha com frutas vermelhas. Porém quando veio, também tinha nozes na sobremesa. Na minha opinião, foi aí que eles erraram. Tanto em incluir nozes, quanto em não detalhar isso no menu.




  


Deixei mais algumas fotos aqui, no flickr! E vocês, já pensaram em dar uma chance para a sua cidade e descobrir o que tem de novo por aí?

domingo, 6 de janeiro de 2013

{livro} Manual para Jovens Sonhadores

Sabe quando você lê algo que gostaria de ter escrito algumas partes? Aconteceu comigo nos primeiros dias de 2013, quando estava cumprindo minha meta de ler diariamente. O livro "O Manual para Jovens Sonhadores", de Nathalie Trutmann, ousa apresentar para você, jovem de 15 ou 40 anos, "algumas verdades que você sempre quis ouvir". A guatemalteca mostra, por meio de suas experiências com viagens e trabalhos, a importância de sonhar e correr atrás do que se acredita, a despeito dos conselhos dos nossos pais (que tiveram experiências mas que não são donos da verdade nem do futuro), dos caminhos que nossa cultura nos impõe como sendo seguros e corretos e, sobretudo, do que os outros irão dizer. 

A leitura do livro é simples e nos presenteia com fatos engraçados e inspiradores da vida predominantemente nômade da autora, como os trabalhos que já fez, a exemplo da vez que teve aulas de mergulho em Utila - ilha na baía de Honduras -, e ficou cuidando de iguanas para poder dormir de graça na estação de pesquisa, ou quando morou a trabalho, no Sri Lanka, e conheceu a forma como as pessoas lidam com a sorte (a cultura é bastante direcionada a seguir o que os mapas astrais determinam, sem questionamentos).  

O que Nathalie mais quer passar, por meio de uma escrita bastante biográfica e pouco pretenciosa, é a ideia de que podemos, realmente, fazer o que quisermos de nossas vidas, assim como pensávamos quando éramos crianças. O importante é acordar com vontade de ser feliz no que se faz para viver. Parece clichê, mas a parte interessante é a escritora descrevendo as dificuldades que teve, e os acontecimentos de sua vida que ajudaram na conclusão de nunca desistir do que você mais gosta. Dificuldades sempre ocorrerão, mas a falácia de que "a vida é assim" deve ser questionada com atitudes. 

Alguns momentos do livro parecem bem auto-ajuda, em que a autora reitera ideias como: "não siga o caminho dos outros, não dará necessariamente certo para você", ou até: "siga suas paixões". Tenho um pouco de antipatia por essa categoria, mas a forma como ela levanta essas questões é bastante sutil e dá para ler tranquilamente, sem a agonia de auto-ajuda meloso. Outro ponto é dar valor à jornada trilhada para alcançar o sonho, e não apenas no momento em que este virar realidade. 

Há também dinamicidade no livro, e por isso a leitura é tão rápida. Essa parte dinâmica também é vista nas dicas de vídeos que a autora seleciona, ao fim de todo capítulo. Eles procuram motivar as pessoas a serem mais criativas, autênticas e sonhadoras. Vi apenas o de Steve Jobs, já com legendas em português, que sintetiza bastante o que Nathalie vem discorrendo ao longo da sua obra. O título é "Você tem que encontrar o que ama", aqui, já legendado. Achei genial.

Como todo bom livro de inspiração, coletei algumas citações da autora e postei lá no tumblr para reler quando as coisas parecerem difíceis. Vocês estão convidados também! Li o livro no meu smartphone, pela primeira vez, e até que foi tranquilo, já que a leitura era curta. Ele está disponível para download aqui

Enfim, indico bastante o livro para quem gostaria de viajar e ainda está procrastinando o sonho (Oi, sou eu!). A autora desde cedo quis sair da Guatemala, seu país de origem, e passou por vários países até parar um pouco aqui no Brasil, por influência do namorado que virou marido.

Bom, espero que leiam e gostem. Caso dê aquela preguiça, veja a palestra da Nathalie falando um pouco sobre o livro. É uma síntese que já mostra a essência do que ela quis compartilhar com o mundo. Só pelo sotaque lindo já vale a pena!

E vocês, têm dicas melhores de livros nessa categoria? Fiquei interessada!



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

{meme} 2012: o ano apocalíptico

Sei que não deve ser muito bonito e, pior, (fucking) clichê, mas começo 2013 pedindo perdão por essa demora em atualizar esse cantinho aqui, que me faz tão bem. Talvez seja aquele sentimento estranho que, esporadicamente (ou não), nos acomete: nos afastamos daquilo que tanto amamos, por causa de distrações, trabalho, necessidades ou até outras paixões.

Bom, sem mais delongas, volto com muito orgulho para dizer que este será um ano revolucionário e feliz. Para mim e para vocês, tenho certeza. Bastam apenas atitudes, e aquela vontade de mudar o mundo. Feliz 2013, hihi.

Decidi fazer um overview do meu ano apocalíptico - o qual, graças ao calendário que usamos, já passou há  quase três dias! -, e acabei lendo um meme que poderia ajudar nisso (foi no Lace Place, blog que descobri há pouco tempo e já estou gostando). A essência do meme, que vocês já devem ter lido em outros blogs, é ter gratidão suficiente para elencar 15 coisas boas que ocorreram no ano, e mais 15 metas para 2013. Com meu ano foi predominantemente chato/triste/deprimente, vou ser birrenta e elencar, também, alguns desastres que aconteceram na minha humilde vida. Aqui embaixo postei a foto que tirei numa das primeiras luzes de 2012, e no momento que nem imaginava quanta dor eu podia suportar:


15 bizarrices deveras intensas:

- Amizades desfeitas (foram cinco, ao todo, então já vou contabilizando);
- Vontade suicida (só de leve, nada grave afinal estoy aquí, haha);
- Desilução amorosa;
- Decepções com um ou outro amado;
- Desistência do Projeto 365 dias (decorrente dos fatores supracitados, segundo Freud);
- Pintura de cabelo desastrosa e a bagatela de R$ 80 por água abaixo (foto aqui, mas não se engane, existe um filtro do ~estragão~);
- Mudança da casa materna, de Recife para Jaboatão dos Guararapes (rua Olimpia, vulgarmente conhecida como "fim do mundo", por ser longe demais);
- Problemas financeiros na família;
- Ida eterna do pitbull mais forte e carinhoso de todo o mundo (em memória);
- Irmão de um velho amigo com leucemia. Por favor, quem for de Recife (PE), doe sangue em nome de Marcus Nery. Aqui tem mais informações;
- Stress com faculdade.

15 belezinhas:


- Participação de protestos estudantis contra o aumento das passagens de ônibus;
- Experiências novas, efêmeras e psicodélicas (favor não associar às drogas ilícitas);
- Promoção na empresa em que trabalho (saí da vida de estagiária de pijama para a vida de funcionária, ainda de pijama!);
- Leitura de As Desventuras em Série (Lemony Snicket me fez gargalhar em momentos de tristeza, valeu muito a pena!);
- Show inédito de Paul McCartney (escrevi sobre isso aqui);
- Viagem à Curitiba (muito amor);
- Novos amigos feitos, com a característica de já serem colegas/amigos, mas terem se tornado pessoas incrivelmente especiais;
- Compra do S2 e do Notebook da Dell (estou satisfeita com ambas marcas, por enquanto);
- Carteira de habilitação (A e B o/);
- Mais um ano de faculdade finalizado (agora falta um ano e meio para a graduação!);
- Primeira doação de sangue (finalmente passei dos 50kg e me tornei capaz);
- Centenas de filmes vistos. A listagem dos que vi, a partir de setembro de 2012, se encontra aqui;
- Paixão por menino cheio de defeitos;
- Finalmente a compra da coleção de Harry Potter só para mim (nunca estimularam a leitura de HP quando eu era criança, mesmo assim li todos com a ajuda dos amiguinhos que emprestaram, e no final de dezembro peguei no Submarino uma promoção desta coleção colorida); 
- Consegui sobreviver ao apocalipse Maia (não foi um ano muito próspero, foi difícil fazer a listinha dos agradecimentos).


15 metas para 2013, o ano que será REVOLUCIONÁRIO:

- Criar o hábito da leitura diária de livros ou poemas;
- Fazer academia (Pilates, Yoga ou musculação mesmo);
- Reclamar menos, fazer mais;
- Estudar mais;
- Ser mais produtiva, em tudo o que interessar;
- Viajar para o Rio de Janeiro, para venerar Muse!!!!1;
- Pensar sobre intercâmbio;
- Pensar mais em mim e ser menos altruísta (se isso significar sofrimento ou ingratidão, haha);
- Ser mais segura;
- Ser mais equilibrada/zen, e menos estressada;
- Comprar um carro;
- Juntar dinheiro e manter a planilha de orçamento pessoal (baixei um arquivo xls no BM&F Bovespa, e estou customizando);
- Ser mais organizada;
- Ser mais família;
- Retomar estudos sobre fotografia.

Meu ano novo começou cheio de lama e gente bizarra, na praia de Candeias ao som de Capital Inicial. Muita confusão, muvuca e empurrões, mas a presença de pessoas amadas salvou um pouquinho a agonia do pandemônio.

E vocês, como estão?

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Diário de uma motociclista

Andar de motocicleta causa uma sensação ímpar! Seus cabelos ficam esvoaçantes, seu corpo se refresca com o ventinho e a adrenalina originada pela situação te causa um misto de temor e felicidade. A cada acelerada, a intensificação desse sentimento bom aumenta. Pelo menos é isso que venho sentindo nas últimas aulas! No início do ano, paguei à autoescola tanto por aulas de carro quanto de moto, em um ímpeto de pobre na liquidação. Como o valor da diferença das habilitações A e B era ínfimo, achei que seria mais vantagem aprender duas coisas em um período só. Acontece que na primeiríssima aula com o instrutor, fiquei totalmente petrificada diante da minha ignorância. Eu só sabia que o veículo era perigoso e tinha duas rodas. E só. Não sabia como ligava, dava partida, acelerava, freava, ou como se comportava em cima daquilo sem cair. Só para ter uma ideia: na primeira aula, eu passei uns quinze minutos tremendo literalmente. Estou tendo a sorte (ou azar) de ser ensinada por um instrutor mandão que adora repetir meu nome a cada segundo. Pode parecer chato, mas se o objetivo da aula é aprender algumas noções, está dando certo!  


Listei alguns conceitos básicos que assimilei, considerando o modelo da minha moto, o modo como ela estava configurada e a didática do instrutor. É claro que para fazer as etapas, você tem que ter mais de 18 anos, ter passado na prova teórica (acertar mais de 21 pontos), ter em mãos documento oficial com foto e o RENACH (Registro Nacional de Carteira de Habilitação), estar devidamente seguro com o capacete e demais acessórios e estar na presença do instrutor. Não vale a pena tentar sozinho em casa. Eis os passos:
  1. Subir pelo lado do descanso. Para a moto ficar paradinha, ela tem um descanso semelhante ao de uma bicicleta. Você deverá subir por aquele lado, geralmente o esquerdo, por medida de segurança.
  2. Puxar o guidom para si. Ele estará inclinado para o lado do descanso, desta forma você terá que puxar o guidom para si, deixando alinhado ao seu corpo que, até agora, estará em pé. Achei a moto muito pesada! 
  3. Posicionar-se corretamente na moto. Pode parecer bobo, mas você tem que saber a forma correta de sentar no veículo, pois isso influenciará no desempenho do equilíbrio lá na frente. Caso você sente muito na frente ou atrás, poderá exercer um peso que dificultará as manobras. 
  4. Apoiar pé direito no chão enquanto levanta o descanso. Você retira o descanso com o peito do pé e deve lembrar de colocar de volta com o calcanhar. Na hora, você verá que essa é a maneira mais fácil de fazer o processo.
  5. Ligar a moto. Girar a chave. Tem lá o intuitivo on/off, rs.
  6. Conferir se a marcha está em ponto neutro. Se no carro o título é "ponto morto", na moto você vê um painel mostrar um "N" bem grande esverdeado. A moto tem que estar nesse estágio para, em breve, ser colocada na primeira marcha e sair andando.
  7. Pressionar a ignição. A moto que eu andei tinha uma ignição que era um botãozinho vermelho. Observando o trânsito, notei que existe outro dispositivo que fica na altura das pernas, e aparentemente o piloto tem que fazer um movimento brusco para baixo para o motor começar a roncar. Achei o botãozinho mais prático.
  8. Segurar a embreagem. A embreagem está mais próxima da sua mão esquerda. Você terá que segurar o manete e fechar completamente na sua mão. 
  9. Colocar na primeira marcha. O seu pé direito tem que estar apoiado no chão, e o esquerdo, que é o do lado do descanso (normalmente), vai passar a marcha, pisando o pedal. Um clique para baixo é colocar na 1º marcha. 
  10. Fazer meia embreagem. Você vai soltando a embreagem devagarinho, até ela chegar na metade ou em um ponto que a moto ande. O próximo passo ajuda nesse processo. Se soltar demais, a moto "morre".
  11. Impulsionar a moto para frente com o pé direito. Na aula, o instrutor ensina a dar um impulso com o próprio pé para a moto andar, para que você não precise girar o acelerador (ele põe um pino para impedir que o aluno, nas primeiras aulas, gire o acelerador e chegue à China ou emergência).
  12. Equilibrar-se. Se os passos precedentes forem executados perfeitamente, você estará andando a pouquíssimos km/h. Alguém que já andava de bicicleta antes pode ter mais noção de equilíbrio.
  13. Frear. Era o que eu mais queria saber. Seria o SOS perfeito se algo desse errado. O freio estará ao alcance do seu pé direito. Você deverá pisar no freio e simultaneamente apoiar o pé esquerdo no chão, caso contrário, a motocicleta poderá cair sobre você.
As dicas para obter um bom desempenho e ganhar a 1º habilitação de moto são simples: o ideal é usar o mesmo veículo dos treinamentos e a mesma didática, se estiver dando resultado. E lá, naquele nervosismo, fazer tudo o que aprendeu, sem muita criatividade. Comprei sete aulas que duravam 50 min cada, estou achando que será suficiente. Analise o seu progresso e só eventualmente compre mais aulas.

É isso. Resolvi compartilhar o pouquinho que aprendi com vocês, com todas as limitações de uma autoescola, é claro. Percebo o quanto o nosso trânsito é caótico também por causa da falta de educação dos pilotos. Infelizmente na autoescola - e acredito que isso seja uma característica do país todo -, você apenas aprende a passar na prova do Detran. Não entendo como o país continua sem perspectiva de um futuro mais promissor, sem investir verdadeiramente em educação de todo tipo. Só esse ano, em Pernambuco, 71.462 carteiras de habilitação foram emitidas (do tipo primeira habilitação). Isso significa que, em teoria, mais de setenta mil pessoas já sabem dirigir. Decerto uma ilusão, já que você não é ensinado a se comportar no trânsito. É só visualizar as estatísticas assustadoras de morte do Estado para comprovar que algo está errado. A única movimentação que vi do governo foi criar o CEPAM (Comitê de prevenção aos acidentes de moto em Pernambuco). As ações incluem educação no trânsito, palestras educativas, fiscalizações e capacitações de equipes médicas. Acho a campanha bem apelativa, já que estampa fotos de acidentados que perderam os pés ou as pernas, por exemplo, nos acidentes. Causar medo e ensinar não são atitudes de mesmo significado para mim.

E vocês, já dirigem? Pilotam? Como foi a prova? Estou ansiosíssima!




sexta-feira, 25 de maio de 2012

Sobre setenta e duas fotografias alienígenas

Quando você gosta de algo, e se compromete, você consegue alcançar os objetivos preconcebidos. Pelo menos essa é a conclusão que eu tiro acerca do andamento do meu projeto fotográfico.

Por incrível que pareça, o desejo de chegar às 365 fotos, em 1 ano, continua de pé. Se eu não for atropelada até lá, acho que consigo, pois apesar de dar um pouco de desânimo naqueles dias cheios de deadlines, há uma beleza tão grande em fazer o que te faz bem que, mesmo morta de cansada, suspendo os 560 gramas da bebê profissional, se estiver em casa ou local seguro, ou tamborilo nos dedos, com facilidade, a menorzinha das duas criadoras de imagem que tenho, com atenção para não ser assaltada em Recife - algo, infelizmente, bastante comum.

É interessante você, depois de algum tempo, visualizar a evolução do seu trabalho. Nesse caso específico, pude perceber que quase cancelo o projeto por vergonha de não ter me empenhado em alguns momentos. Para mim, a dificuldade do projeto é o comprometimento de fotografar diariamente (pelo menos essa foi a promessa que fiz a mim mesma, não quero quebrar), e por isso, nem todas saem do jeito almejado. Umas eu publiquei quase morrendo, tudo em respeito ao conceito do carpe diem fotográfico.

Decerto gostei de algumas, afinal, o projeto ainda está rolando, e por meio das que apreciei, aprendi um pouco mais sobre mim mesma. Percebi as cores que mais enchem meus olhos de beleza, as composições que acho bem feitas e minha paixão paradoxal tanto por simetria, quanto por desordem total. 

Houve, ainda, a percepção da vantagem impagável de imaginar um mini filme da minha vida. Vendo as setenta e duas fotografias alienígenas, tive impressões dos acontecimentos que achei importante no decorrer do dia, na hora em que tive que escolher qual foto publicar.

Por enquanto é só. Continuo lendo as Dicas de Fotografia, estou fazendo umas pesquisas para comprar livros práticos e de leitura simples e dinâmica sobre o assunto, e sempre que dá, tento trocar uma ideia com amigos que se interessam por isso. A Gabe, por exemplo, é uma estudante de fotografia fofa que às vezes manda uns materiais bem legais para meu e-mail. 

Fiz uma seleção de quase três meses do projeto, e das 72 fotos, 27, as que mais gosto, aparecem aí embaixo. Dividi em categorias e não há ordem cronológica:

Shows

Em menos de três meses, assisti ao ensaio de um célebre pernambucano talentosíssimo e, de quebra, vivenciei o espetáculo de um Beatle. Fase sortuda!

 {2}
 {41}

Céu

Fico arrepiada com a natureza, em especial com aquele espaço acima do horizonte. Essa minha fase bucólica é recheada de onomatopeias como oh! e ah! que antecedem as fotografias. Geralmente acontece assim: estou absorta em minhas tarefas e, do nada, o céu arrebate meus olhos e eu percebo que o mínimo que posso fazer, além de contemplar aquela paisagem singular, é roubar um pouco do momento e compartilhar no mundo virtual (e, em breve, no meu quarto, quando eu revelar). 

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Comida (ou o expressivo neologismo: "nhamy!")

Eu amo comer. Grande parte da minha grana vai para as refeições sagradas. Eu não tenho muitas fotografias boas relacionadas a essa categoria, pois é difícil se concentrar fotografando o antes, já que a minha barriguinha começa a se irritar com a demora do processo.

 {4}
 {53}

Gente

Eu gosto de gente. Gosto mais ainda de quem gosta de mim. Pode parecer estúpido, mas esse trecho em itálico é o início de conversa que tenho sobre essas fotos. Foram escolhidas pela estética e pelo calor do momento da fotografia. Acredito que fotos podem captar não apenas imagens, mas também sentimento. E foi isso que tentei demonstrar. Eu amo todas essas pessoas exatamente no momento dessas fotografias. Fui feliz com elas. O presente, no entanto, não condiz com todas as fotos. E essa inconstância é a premissa da vida. O que nos resta é viver, right?

Ah, através dessas fotos, percebi que gosto de fazer cortes na hora de captura. Uma testa, um olho, uma orelha ou um nariz acabam saindo da composição da foto pelas minhas mãos magricelas.

{51, 36, 12, 16, 21 e 9, seguindo a ordem da esquerda para a direita}

Coisas/sensações que gosto

Gosto do cinema e a magia transcendental trazida por ele. E essa foto (confesso ter sido a que mais gostei das que tirei) só foi possível pelo motivo de eu ter uma mania meio besta: ser a última a sair, de toda sessão. Nesse dia, assisti a Hugo, de Martin Scorsese, filme bastante premiado no Oscar 2012. Dois, dos cinco prêmios, foram de Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte.
Relógios que não apenas dizem as horas, mas também são bonitinhos;
O frio que a chuva traz, e a beleza das gotinhas;
Ganhar presentes feitos à mão;
Ler, de preferência no friozinho, um livro atraente.

 {54}
  {35}

Autorretratos

Para mim, são os mais difíceis. Como ainda não tenho tripé, complica bastante. Utilizo CDs e livros para deixar a câmera mais alta, mas corro o risco de ser atrapalhada e derrubar tudo. Ativo o timer em 10 segundos e faço a pose que pensei. Tranco a porta do quarto para ninguém entrar de supetão e eu parar, por ficar com vergonha, haha. A maioria das fotos foram tiradas à noite (único horário em que estou relativamente livre). Estranhamente gostei um pouco dessas:

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E vocês, também estão envolvidos em algum projeto?

Post scriptum: Todos os dias lidamos com críticas, e isso é normal, é para nos ajudar a melhorar. Mas aprendi a lidar com os haters há pouco tempo: não importa o que você faz, eles continuarão hostis. Veja a dica do gatinho:


quinta-feira, 3 de maio de 2012

O curioso olhar de Amy

Vocês já devem ter visto a notícia das belíssimas fotografias de Amy Hildebrand. Se você pesquisar no Google (queridíssimo de todo santo dia), vai achar diversos sites que recorrem ao seguinte título: "fotógrafa cega registra uma foto por dia" ou afins. Achei muito sensacionalista.

A história dessa americana de Ohio é emocionante e bastante vívida. Gostaria de humildemente me arriscar, contando o início dela (já que Amy está firme e forte nesse mundo) de forma um pouco mais detalhada e menos seca que as notícias que vi há um tempo.


Por causa de sua condição genética, Amy nasceu cega, e os médicos já trataram de entregar aos pais uma lista de coisas que ela nunca poderia fazer na vida. Essa poderia ser uma história predominantemente triste se as pessoas envolvidas quisessem dessa maneira. Mas aqueles doutores estavam errados. Por sorte, os pais de Amy também acharam isso, e buscaram todas as formas de ajuda para a filha albina. 

Ao longo de sua infância e adolescência, as visitas aos médicos ousados e cheios de vontade de fazê-la enxergar, deram resultados incríveis para quem não via nada. Por meio de tratamentos e cirurgias, ela foi capaz de enxergar, mas não plenamente. Explico: sua visão é distinta. A própria fotógrafa chama de “shadow vision”, como se apenas enxergasse sombras e leves contornos. A verdade é que nunca poderíamos saber como é ter o olhar de Amy, mas ela tratou de transformar sua misteriosa visão em arte.




A deficiência visual certamente não impediu Amy de seguir o sonho de ser fotógrafa. Aos 16 anos ela começou a se interessar pelos estudos da área. O seu medo de perder algumas memórias também incentivou essa paixão, segundo esse quote:
"I became obsessed with taking photos to document things I might forget". 
Sinto-me tão próxima a Amy, também fotografo por isso (mas eu realmente devo ter algum problema neurológico, assusto-me com a facilidade de esquecimento da minha mente)!

A paixão dessa estadunidense também gera os trocados no final do mês por intermédio da empresa Best Day Ever. Um diagnóstico de cegueira, quando mais jovem, e um diploma e trabalho de fotógrafa. Não é incrível? O site tem um design muito acessível e bonito, além de ser uma fofura. Considerei um ótimo exemplo de comunicação entre prospectos desse serviço, afinal, não estão sendo vendidos produtos concretos, como refrigerantes. São fotografias, momentos, memórias, sentimentos eternizados. A comprovação disso está na frase que vem após o nome da marca (Best Day Ever): We wanna be there with you. Simples e genial. E com corações vermelhos, oun!



Há, ainda, seu projeto de 1000 dias. Ela começou em 2009 e agora está terminando. Aquele desafio básico: todos os dias fazer uma imagem - alguém, além de mim, lembrou do #365project? E quem, além de Amy, encara um projeto diário que objetiva mil fotografias no final? O resultado varia de acordo com o comprometimento com o projeto, por exemplo, nas fotografias de Amy, você consegue perceber o crescimento dos filhotes dela. Isso não é admirável? 

Bastante expressiva, Amy fotografa os momentos que vive e que sente (me identifiquei de novo, dona Amy). O incrível é que a sua forma de enxergar o mundo é aproveitada diretamente em seus trabalhos. A citação da Amy que resume isso diz:
"Nem todos os meus dias serão bons, nem todas as minhas fotos serão boas, mas elas irão me refletir".
Bom, minha querida Amy, então sua vida é fantástica praticamente todo dia, mesmo com os prováveis perrengues.






Fazer a seleção de quase mil fotos é bastante difícil para quem não tem tanto tempo (hello, everybody!) e, sobretudo, quando a maioria das fotos consegue persuadir suas escolhas e aquecer seu coração. Achei interessante a qualidade e o quanto as fotos dizem sobre os dias de Amy. De maneira decrescente, vi quase a metade do projeto, vendo até a 560º imagem.







Essa fotógrafa, mãe de Alice e Little Man (os apelidos dos maravilhosos filhotes) e esposa de Aaron (que conheceu na faculdade de fotografia, naquelas salinhas escuras de revelação, hum) virou uma espécie de exemplo vivo para mim. Mesmo com suas limitações visuais, ela conseguiu a façanha de exercer um trabalho invejável (e rentável, detalhe) que tem como premissa justamente um dos seus sentidos limitados. Aliás, acredito que limite não seja uma palavra muito usada no vocabulário de Amy. Deve estar mais presente nos laudos médicos desesperançosos.


Senti uma alegria tão grande com a história que tentei entrar em contato com ela. Escrevi um e-mail curto pois pensei que assim eu tivesse mais chance de ser lida e respondida. Elogiei o trabalho e sua paixão pela arte, e depois perguntei algo mais técnico como se ela usava algum equipamento especial para as fotos. Para minha surpresa, em menos de duas semanas recebi uma resposta delicada e meiga da artista desses retratos (destaquei em negrito alguns pontos motivadores):


Hi Aline,
No, I don't use anything special really. I guess if there is one tool I use to help aid me in my decision making during shooting it would probably be a loop. Loops are normally used to look at negatives on a light table, but I have found it useful on so many different occasions. I had to buy it back in college for my first photography class and ever since then it has been in my camera bag! 

I was born blind, but over time, with the help of doctors and surgeries, I have regained some sight, making me still legally blind, but not completely blind as I once was. I feel that I can see well, but that is purely because I know no other way! So, I have adapted to my visual condition and have learned to live around it. With my camera I learned how many clicks of the dial will take me to whichever f-stop or shutter speed I am wanting, and I am able to see the light meter within the viewfinder to know when something is correctly exposed. I guess you could say I have come up with little tricks on how to get around my condition :)

Hopefully that helped explain things more!
All the best,
Amy

Não é de se inspirar?

© Escreva carla, escreva
Maira Gall