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sexta-feira, 12 de abril de 2013

O mistério do livro "A Metamorfose"

É, eu sei. Parece que o título foi escrito por uma criança de 7 anos de idade. Porém é mais ou menos o que senti quando me deparei com o que ganhei ontem à tarde. Vou contar a história: 

Eu estava cochilando na minha cama enquanto ainda tinha minutos do meu horário de almoço (faço home office). Minha irmã entrou sem bater na porta, para variar um pouco, e eu tomei um susto. Ela trouxe um envelope amarelo, daqueles comuns, tamanho A4, e perguntou o que tinha dentro. "Sei lá, ué. Vou abrir!". Rasguei sem jeito o papel e retirei de lá um livro laranja. Corri os olhos para o título e li "A Metamorfose", de Franz Kafka. Tateei a aspereza quadriculada do objeto fino, prestei atenção aos detalhes da forma das imagens repetidas na capa e vi uma fitinha amarela, marcada nas páginas 38 e 39. Após visualizar alguns detalhes do presente confuso, peguei novamente o envelope e constatei que tinha lá um adesivo com as informações do destinatário, com meu nome e sobrenome, endereço completo e CEP. Não tinha remetente.

Agora não lembro exatamente se o recado que encontrei estava dentro do livro ou dentro do envelope, só sei que a pessoa que enviou "A Metamorfose" escreveu para mim em um papel branco, cortado um pouco mais da metade. Foi imprimido e digitado, então não tenho ideia da grafia. A forma como falava também não era nada familiar. Depois de ler o que o texto dizia, me senti em um filme. Daqueles em que acontece algo surreal e você tenta achar os porquês de tudo. Olhei para meus lados e minha primeira suspeita foi minha própria irmã. Eu disse algo como: "Vai, fala logo. Comprasse aonde esse exemplar?". Mas ela jurou não ter feito nada. Ela só achou o livro no 4º degrau das escadas da nossa casa (moramos no 1º andar), quando chegou da escola. Estranho, muito estranho, pensei. Começamos a tentar desvendar as características das pessoas que poderiam ter feito isso. De acordo com os fatos, e a cartinha digitada, chegamos às condições:
  1. É uma pessoa que sabe meu nome e sobrenome;
  2. É alguém que sabe meu endereço;
  3. Alguém que é daqui de Recife e sabe exatamente onde moro, pois o envelope não veio pelos Correios, foi deixado por alguém;
  4. Alguém que teve a ousadia de entrar no primeiro portão de casa, deixar a encomenda nas escadas, e sair de fininho, pois os vizinhos do térreo não viram nada OU alguém altamente habilidoso que jogou a encomenda através das grades do portão, e foi ninja a ponto de não rasgar o fino envelope amarelo;
  5. Alguém que quer me intrigar.
Além disso, essa pessoa já leu "A Metamorfose". Ela é um pouco egoísta, pois antes de entregar o lindo livro laranja, pensou em ficar com ele, e me pediu "perdão" por isso. Ela afirmou que o intuito dessa entrega era a existência desse pequeno mistério. Ela gosta de livros não apenas pelo seu conteúdo, mas também pela capa, existência de fitinhas marcadoras, etc. A escolha da obra foi feita por questões particulares, de preferência pela história do livro. O antigo leitor desse clássico afirmou que fazia tempo desde que lera a história de George Samsa. E por fim, ele transmitiu o significado básico que podemos esperar do conteúdo do livro, que seria ligado à metamorfose, mudança, transformação, e que isso significava evolução. Mas depois ele fala do outro sentido que eu posso descobrir, o sentido de Kafka. Eu só preciso "folhear as capas do livro laranja".

Minha extensa parte cética tenta encontrar as pessoas que podem se encaixar nas condições acima. Já falei com todas que estariam nesses filtros. Meu namorado disse que eu posso ter descoberto, mas a pessoa não quis admitir. Não descarto a possibilidade, mas continuo achando que o culpado pelo mistério ainda está no anonimato. Ao mesmo tempo, meu grande lado pessimista só está esperando alguém me sacanear de alguma forma, mas até agora nenhum pó de mico coçou minha pele, nem ninguém pegou o livro de volta. Além disso, cogitei a existência de alguma entrega aleatória, que por acaso me identificou e enviou um livro para fazer meu dia mais culto e feliz. Ou alguma seita secreta a qual buscou injetar literatura nas veias de jovens da era do Facebook, talvez.

O segredinho que vou contar aos meus amados leitores é que há uma minúscula parcela de esperança em mim. Esperança em dias melhores, pacíficos, em dias mágicos e em livros misteriosos, os quais chegam à sua casa sem passado, só futuro. Há dentro de mim algo que diz que eu ainda sou importante para o mundo, ainda importo na vida de um ou outro. Existe uma vozinha que fala: coisas incríveis e boas ainda acontecerão com você, Alien. Coisas até de outro mundo, quem sabe. 

Aí desde então sofri uma metamorfose e estou com 7 anos de novo: acredito em mágicas, e de quebra, em pessoas.







Notinha sobre as fotos: Tirei a primeira ontem, quando o Sol estava indo embora, e as posteriores hoje. Gostei dos céus diferentes, a despeito de terem sido capturados do mesmo lugar.

segunda-feira, 4 de março de 2013

{Book Tour} As vantagens de ser invisível


Aqui estou finalmente escrevendo sobre um amigo fictício. Bom, tentei dividir a postagem para ninguém se perder nesse mar de pensamentos e, por causa das divisões, vocês podem ler separadamente cada tópico, se quiserem. Mas tudo segue uma ordem, tá? Ou seja, é preferível ler tudo, he. Ah, gostaria de mandar um beijo especial para a Amanda, da Revista 21, e para todos os realizadores desse site genial. Aos demais leitores do blog, espero que gostem do conteúdo visível e invisível de hoje. E também espero que estejam todos bem. Obrigada!

*Importante: Nesse post, não estou explicitamente descrevendo o final, nem partes relevantes do decorrer do livro. Porém, obviamente escrevi alguns detalhes da história, como citações, dicas de filmes, livros, bandas e, é claro, minha percepção acerca das cartas de Charlie. Lá para o finalzinho terá um texto com spoilers devidamente indicados. Boa leitura!

SOBRE O BOOK TOUR

Eu nunca havia participado de um book tour antes. Na verdade, minha ignorância era grande a ponto de nunca ter ouvido falar. Quando a Revista 21 postou sobre isso, não hesitei em tentar a sorte. Houve um sorteio e, surpreendentemente, fui escolhida como a primeira a começar a leitura de As Vantagens de Ser Invisível, de Stephen Chbosky - mais nove blogueiros estão nessa jornada. O que me fez preencher o simples formulário foi a ideia do livro viajante ser uma divertida forma de incentivo à leitura,  o qual é intensificada pela integração entre os dez leitores, já que cada um deverá escrever sua percepção do livro. Achei tão legal o estímulo que penso em comandar, futuramente, um book tour com algum livro da minha humilde estante.

SOBRE O RECEBIMENTO DO LIVRO VIAJANTE

Como moro na mesma cidade de uma das redatoras da Revista 21, combinamos de trocar o livro sem intermédio dos Correios. Eu estava em casa, concentrada no home office, com cabelos rebeldes e despenteados, quando o telefone me assustou com o toque da Samsung - que eu nunca troco. Atendi e falei rapidamente para a voz masculina que desceria para apanhar a história. Cheguei ao térreo (minha casa fica no primeiro andar) e vislumbrei uma pessoa de verdade que, para mim, costumava ser um personagem de ficção, da vida escrita de Amanda, do Maças Verdes (que está fora do ar, como assim, produção?). Foi um sentimento engraçado e confuso, como se a realidade e ficção fossem uma coisa só, sem a costumeira linha tênue. Obviamente, no caso supracitado, a realidade e ficção eram mesmo uma coisa só, partindo da premissa de que o rapaz realmente existe, e Amanda sempre deixou claro a veracidade do que escrevia em seu blog. Mas a minha percepção não era exclusivamente assim. Entendeu? Bom, de qualquer forma, acho que deixei Wesley, noivo da Amanda, meio sem graça por comentar que o conhecia de crônicas, he. Ah vai, eu acharia legal ser reconhecida por aí.

No momento da troca do livro, pensei sobre "a realidade e ficção serem uma coisa só" justamente por causa da influência da leitura de As Vantagens de Ser Invisível, mais precisamente na parte do epílogo, em que tive um insight. Entendam: é que eu li o livro antes de a Revista 21 me mandar o viajante, pois tinha comprado o exemplar no ínterim do sorteio, divulgação dos participantes e recebimento. Além do mais, eu nunca acredito que posso ganhar sorteios, então a descrença na sorte me fez começar a devorar sobre o que Charlie - personagem principal - escrevia, antes mesmo de saber que teria a oportunidade de participar do book tour. Sobre esse insight, senti a estranheza de estar sendo vista por alguém, e a familiaridade de conhecer essa pessoa recaiu sobre minhas costas. Conhecer especificamente o próprio Charlie. Parece estupidez, mas a verdade é que senti uma conexão sem precedentes com o personagem, e ele estava ali, invisível, me observando. Senti isso na sala de espera do consultório do médico do coração, onde finalizei a leitura em meio a calafrios.


SOBRE "THE PERKS OF BEING A WALLFLOWER"

Para começar, o título original é esse aí de cima. O livro parece recente, provavelmente pela estreia do filme inspirado nele, mas é de 1999. A edição brasileira, no entanto, é de 2007. Essa literatura infantojuvenil traz um amontoado de cartas cronológicas escritas por Charlie - o garoto mais sensível que você conhecerá -, que escreve sinceramente sobre suas experiências, sensações, necessidades e vontades, para um destinatário que Charlie prefere manter em segredo. A história se passa em meados de 1991, e por isso cita diversos músicos da época. O livro é relativamente curto, com apenas 223 páginas, e é apresentado com 4 partes e epílogo. A citação "Eu me sinto infinito" vai marcar sua leitura com a primeira página, e a interpretação vai melhorar ao longo da história, assim que essa página se repetir. As 4 partes tratarão de um universo riquíssimo de assuntos, sentidos e vivenciados por Charlie. Traumas infantis, dramas familiares, suicídio, crises próprias da juventude, medos e experiências novas são alguns pontos descritos.

Um paradoxo que encontrei no livro, bem no início, foi um dos que mais me identifiquei: "Sou feliz e triste ao mesmo tempo". E é exatamente assim, como uma montanha-russa, que a vida de Charlie é mostrada ao longo dos meses.

SOBRE A CULTURA DO LIVRO

Como eu estava lendo para escrever uma resenha, saí anotando tudo o que acharia importante citar na postagem. Quando finalmente cheguei na última página do livro, percebi o quão importante foi ter rabiscado no "Organizer Memo Book" da Tilibra. Gostaria de criar essa rotina, mas sei da minha fome pelas histórias dos livros e o quanto isso dificulta o processo parar-para-escrever-rapidamente-algo-relevante-num-bloquinho. Risquei diversas folhinhas do bloco e percebi o quanto o livro estimula o leitor a ampliar sua bagagem cultural, por meio da menção de livros, filmes e músicas famosas da época. Poucos eu já conhecia e gostava, outros muitos estão sendo adicionados nas minhas redes sociais para não se perderem no limbo do esquecimento. Por conta  dessa peculiaridade, resolvi listar para vocês as referências encontradas no livro As Vantagens de Ser Invisível. Vai ficar mais fácil para ampliar os conhecimentos depois, no tempo de cada um. A margem de erro acobertará os momentos que não quis parar para escrever a dica do autor/esqueci de parar/não achei importante parar para escrever. Mas relaxem, a margem de erro foi seguramente baixa:

- Referências cinematográficas

1. Seriado MASH;
2. O barco do amor;
3. A ilha da fantasia;
4. A felicidade não se compra;
5. Os produtores;
6. A primeira noite de um homem;
7. Ensina-me a viver;
8. Minha vida de cachorro;
9. Sociedade dos poetas mortos;
10. A incrível verdade.

- Referências de livros

1. O Sol nasce para todos, de Harper Lee;
2. Este lado do paraíso, de F. Scott Fitzgerald;
3. Peter Pan, de J. M. Barrie;
4. O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald;
5. A Separate Peace, de John Knowles;
6. The Mayor of Castro Street, de Randy Shilts;
7. O apanhador no campo de centeio, J. D. Salinger;
8. Walden, de Henry David Thoreau;
9. On the road, de Jack Kerouac;
10. Naked Lunch, de William S. Burroughs;
11. Hamlet, de Shakespeare;
12. E. E. Cummings (escritor);
13. O estrangeiro, de Albert Camus;
14. The Fountainhead, de Ayn Rand;
15. A noite dos mortos-vivos, de John Russo.



- Referências musicais 

Reuni praticamente todas as músicas do livro em uma lista de reprodução muito amor. Só não consegui achar Daydream, dos Smashing Pumpkins, no Grooveshark. Enjoy!

1. Asleep, de The Smiths;
2. Blackbird, de The Beatles;
3. MLK, de U2;
4. Landslide, de Fleetwood Mac;
5. Laser Light Show, do Pink Floyd;
6. The Rocky Horror Picture Show (a peça);
7. Village People;
8. Blondie;
9. Nirvana;
10. Vapour Trail, de Ride;
11. Scarborough Fair, de Simon & Garfunkel;
12. A whiter shade of pale, de Procol Harum;
13. Time of no reply, do Nick Drake;
14. Dear prudence, dos Beatles;
15. Gypsy, da Suzanne Vega;
16. Nights in white satin, dos Moody Blues;
17. Daydream, dos Smashing Pumpkins;
18. Dusk, do Gênesis (antes do Phil Collins!);
19. Something, de Beatles;
20. Billie Holiday;
21. Broken Wings, de Mr. Mister;
22. I'm going home, de The Rocky Horror Picture Show;
23. Another Brick in the Wall, Pink Floyd - parte II.


SOBRE A HISTÓRIA [ATENÇÃO: SPOILERS SUTIS]

A narração é do próprio Charlie, garoto deveras solitário, e a partir da confiança que ele deposita no destinatário anônimo, revelações da sua vida particular são feitas por meio das cartas que ele sempre envia. Diante da necessidade de participar mais e fazer novos amigos na escola (ambiente de início hostil), Charlie conhece Patrick, divertido veterano da sala de "trabalhos manuais" [que inveja das escolas americanas!], e a partir dele conhece Sam, a meia-irmã de Patrick e a garota pela qual Charlie rapidamente se apaixona [minha gente, tá pra nascer alguém fofo e ingênuo como esse personagem ficcional!]. A partir dessas amizades, Charlie se depara com um universo de novos amigos, novas rotinas, novos lugares, inéditas drogas e principalmente experiências, como primeiro encontro, primeiro beijo. A parte mais hardcore do livro trata de assuntos polêmicos, e isso foi o que mais me encantou, já que eu comecei o livro com pouca fé, achando que seria meio bobinho. Aborto, homossexualidade, sexo, drogas, violência física, sobretudo em mulheres, abuso infantil e suicídio são temas abordados que incitam a reflexão de cada um. É incrível como ele é sensível a ponto de achar natural temas como a homossexualidade, e como ele é ingênuo a ponto de não perceber uma carta suicida. A sensatez também é vista quando ele decididamente não concorda com a violência que eventualmente sua irmã sofre com o namorado, já que ele lida querendo defender a irmã mais velha. Mas Charlie é, na maioria das vezes, uma pessoa que não se posiciona, não toma iniciativas e que aceita algumas situações apenas por não conseguir se expressar. Patrick diz: "Você vê as coisas. Você guarda silêncio sobre elas. E você compreende.”.

Os anos narrados são 1991 e 1992, e no decorrer da história, é perceptível a evolução da maturidade de Charlie, frente a tudo o que ele viveu. Além dos acontecimentos da vida dele, pode-se dizer que Charlie vai sendo lapidado pelo seu professor de inglês (Bill), o qual dá livros clássicos para o aluno durante todo o ano letivo. É legal a transformação da simples relação de aluno e professor para a de amigos, já que o professor acredita, escuta  e aconselha Charlie. Mais legal do que é isso são as diversas dicas de literatura estrangeira que você decerto ainda quer ler antes de morrer. Uma das citações que mais gosto no livro é feita pelo professor Bill, quando ele prevê que "A gente aceita o amor que acha que merece.". Adicionei a citação à foto que tirei em Curitiba, no Jardim Botânico. Lá, todas as plantas têm seu nome numa plaqueta, e essa florzinha amarela se chama "amor-perfeito". É ousadia demais ter essa citação nessa flor?


Já para o fim, o interessante do mistério do destinatário é que, no epílogo, eu tive a inédita sensação de conexão com o livro, já que eu me tornei o destinatário de Charlie, com a ajuda da minha percepção e imaginação. Achei, no mínimo, mágico. Sério, fiquei muito emocionada e até chorei com os calafrios que senti. Em outras palavras: pareci o Charlie afetado e sentimental, haha. E por isso que eu adorei esse livro - parafraseando a ideia inicial de Charlie: tão simples e tão complexo ao mesmo tempo.


domingo, 6 de janeiro de 2013

{livro} Manual para Jovens Sonhadores

Sabe quando você lê algo que gostaria de ter escrito algumas partes? Aconteceu comigo nos primeiros dias de 2013, quando estava cumprindo minha meta de ler diariamente. O livro "O Manual para Jovens Sonhadores", de Nathalie Trutmann, ousa apresentar para você, jovem de 15 ou 40 anos, "algumas verdades que você sempre quis ouvir". A guatemalteca mostra, por meio de suas experiências com viagens e trabalhos, a importância de sonhar e correr atrás do que se acredita, a despeito dos conselhos dos nossos pais (que tiveram experiências mas que não são donos da verdade nem do futuro), dos caminhos que nossa cultura nos impõe como sendo seguros e corretos e, sobretudo, do que os outros irão dizer. 

A leitura do livro é simples e nos presenteia com fatos engraçados e inspiradores da vida predominantemente nômade da autora, como os trabalhos que já fez, a exemplo da vez que teve aulas de mergulho em Utila - ilha na baía de Honduras -, e ficou cuidando de iguanas para poder dormir de graça na estação de pesquisa, ou quando morou a trabalho, no Sri Lanka, e conheceu a forma como as pessoas lidam com a sorte (a cultura é bastante direcionada a seguir o que os mapas astrais determinam, sem questionamentos).  

O que Nathalie mais quer passar, por meio de uma escrita bastante biográfica e pouco pretenciosa, é a ideia de que podemos, realmente, fazer o que quisermos de nossas vidas, assim como pensávamos quando éramos crianças. O importante é acordar com vontade de ser feliz no que se faz para viver. Parece clichê, mas a parte interessante é a escritora descrevendo as dificuldades que teve, e os acontecimentos de sua vida que ajudaram na conclusão de nunca desistir do que você mais gosta. Dificuldades sempre ocorrerão, mas a falácia de que "a vida é assim" deve ser questionada com atitudes. 

Alguns momentos do livro parecem bem auto-ajuda, em que a autora reitera ideias como: "não siga o caminho dos outros, não dará necessariamente certo para você", ou até: "siga suas paixões". Tenho um pouco de antipatia por essa categoria, mas a forma como ela levanta essas questões é bastante sutil e dá para ler tranquilamente, sem a agonia de auto-ajuda meloso. Outro ponto é dar valor à jornada trilhada para alcançar o sonho, e não apenas no momento em que este virar realidade. 

Há também dinamicidade no livro, e por isso a leitura é tão rápida. Essa parte dinâmica também é vista nas dicas de vídeos que a autora seleciona, ao fim de todo capítulo. Eles procuram motivar as pessoas a serem mais criativas, autênticas e sonhadoras. Vi apenas o de Steve Jobs, já com legendas em português, que sintetiza bastante o que Nathalie vem discorrendo ao longo da sua obra. O título é "Você tem que encontrar o que ama", aqui, já legendado. Achei genial.

Como todo bom livro de inspiração, coletei algumas citações da autora e postei lá no tumblr para reler quando as coisas parecerem difíceis. Vocês estão convidados também! Li o livro no meu smartphone, pela primeira vez, e até que foi tranquilo, já que a leitura era curta. Ele está disponível para download aqui

Enfim, indico bastante o livro para quem gostaria de viajar e ainda está procrastinando o sonho (Oi, sou eu!). A autora desde cedo quis sair da Guatemala, seu país de origem, e passou por vários países até parar um pouco aqui no Brasil, por influência do namorado que virou marido.

Bom, espero que leiam e gostem. Caso dê aquela preguiça, veja a palestra da Nathalie falando um pouco sobre o livro. É uma síntese que já mostra a essência do que ela quis compartilhar com o mundo. Só pelo sotaque lindo já vale a pena!

E vocês, têm dicas melhores de livros nessa categoria? Fiquei interessada!



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

{meme} 2012: o ano apocalíptico

Sei que não deve ser muito bonito e, pior, (fucking) clichê, mas começo 2013 pedindo perdão por essa demora em atualizar esse cantinho aqui, que me faz tão bem. Talvez seja aquele sentimento estranho que, esporadicamente (ou não), nos acomete: nos afastamos daquilo que tanto amamos, por causa de distrações, trabalho, necessidades ou até outras paixões.

Bom, sem mais delongas, volto com muito orgulho para dizer que este será um ano revolucionário e feliz. Para mim e para vocês, tenho certeza. Bastam apenas atitudes, e aquela vontade de mudar o mundo. Feliz 2013, hihi.

Decidi fazer um overview do meu ano apocalíptico - o qual, graças ao calendário que usamos, já passou há  quase três dias! -, e acabei lendo um meme que poderia ajudar nisso (foi no Lace Place, blog que descobri há pouco tempo e já estou gostando). A essência do meme, que vocês já devem ter lido em outros blogs, é ter gratidão suficiente para elencar 15 coisas boas que ocorreram no ano, e mais 15 metas para 2013. Com meu ano foi predominantemente chato/triste/deprimente, vou ser birrenta e elencar, também, alguns desastres que aconteceram na minha humilde vida. Aqui embaixo postei a foto que tirei numa das primeiras luzes de 2012, e no momento que nem imaginava quanta dor eu podia suportar:


15 bizarrices deveras intensas:

- Amizades desfeitas (foram cinco, ao todo, então já vou contabilizando);
- Vontade suicida (só de leve, nada grave afinal estoy aquí, haha);
- Desilução amorosa;
- Decepções com um ou outro amado;
- Desistência do Projeto 365 dias (decorrente dos fatores supracitados, segundo Freud);
- Pintura de cabelo desastrosa e a bagatela de R$ 80 por água abaixo (foto aqui, mas não se engane, existe um filtro do ~estragão~);
- Mudança da casa materna, de Recife para Jaboatão dos Guararapes (rua Olimpia, vulgarmente conhecida como "fim do mundo", por ser longe demais);
- Problemas financeiros na família;
- Ida eterna do pitbull mais forte e carinhoso de todo o mundo (em memória);
- Irmão de um velho amigo com leucemia. Por favor, quem for de Recife (PE), doe sangue em nome de Marcus Nery. Aqui tem mais informações;
- Stress com faculdade.

15 belezinhas:


- Participação de protestos estudantis contra o aumento das passagens de ônibus;
- Experiências novas, efêmeras e psicodélicas (favor não associar às drogas ilícitas);
- Promoção na empresa em que trabalho (saí da vida de estagiária de pijama para a vida de funcionária, ainda de pijama!);
- Leitura de As Desventuras em Série (Lemony Snicket me fez gargalhar em momentos de tristeza, valeu muito a pena!);
- Show inédito de Paul McCartney (escrevi sobre isso aqui);
- Viagem à Curitiba (muito amor);
- Novos amigos feitos, com a característica de já serem colegas/amigos, mas terem se tornado pessoas incrivelmente especiais;
- Compra do S2 e do Notebook da Dell (estou satisfeita com ambas marcas, por enquanto);
- Carteira de habilitação (A e B o/);
- Mais um ano de faculdade finalizado (agora falta um ano e meio para a graduação!);
- Primeira doação de sangue (finalmente passei dos 50kg e me tornei capaz);
- Centenas de filmes vistos. A listagem dos que vi, a partir de setembro de 2012, se encontra aqui;
- Paixão por menino cheio de defeitos;
- Finalmente a compra da coleção de Harry Potter só para mim (nunca estimularam a leitura de HP quando eu era criança, mesmo assim li todos com a ajuda dos amiguinhos que emprestaram, e no final de dezembro peguei no Submarino uma promoção desta coleção colorida); 
- Consegui sobreviver ao apocalipse Maia (não foi um ano muito próspero, foi difícil fazer a listinha dos agradecimentos).


15 metas para 2013, o ano que será REVOLUCIONÁRIO:

- Criar o hábito da leitura diária de livros ou poemas;
- Fazer academia (Pilates, Yoga ou musculação mesmo);
- Reclamar menos, fazer mais;
- Estudar mais;
- Ser mais produtiva, em tudo o que interessar;
- Viajar para o Rio de Janeiro, para venerar Muse!!!!1;
- Pensar sobre intercâmbio;
- Pensar mais em mim e ser menos altruísta (se isso significar sofrimento ou ingratidão, haha);
- Ser mais segura;
- Ser mais equilibrada/zen, e menos estressada;
- Comprar um carro;
- Juntar dinheiro e manter a planilha de orçamento pessoal (baixei um arquivo xls no BM&F Bovespa, e estou customizando);
- Ser mais organizada;
- Ser mais família;
- Retomar estudos sobre fotografia.

Meu ano novo começou cheio de lama e gente bizarra, na praia de Candeias ao som de Capital Inicial. Muita confusão, muvuca e empurrões, mas a presença de pessoas amadas salvou um pouquinho a agonia do pandemônio.

E vocês, como estão?

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Sambinha, opinião e mantra

Quem gosta da Mallu Magalhães deve ter visto o clipe que foi lançado ontem na web. O nome da canção é Sambinha Bom, e definitivamente esse é o título que a descreve perfeitamente. A melodia é aveludada, a vozinha dela acalma o coração, e a letra é apaixonante e ainda tem o bônus de ser daquelas que NÃO grudam como chiclete na nossa mente. Apenas fluem com facilidade e naturalidade. 


Apesar de essa música já estar na minha playlist diária (desde o lançamento de Pitanga, o novo disco da Mallu crescidinha), para mim o vídeo exagerou demais no uso de HDR, mas por outro lado serviu para dar uma realidade aos contornos da pele da cantora. O vestido de cores quentes e longas fitas (que lindinho!), misturado com o quarto repleto de plantas, contrasta muito bem com a versão enregelante que aparece na segunda parte do vídeo - ela fica parecendo um alien, rs. Com as imagens rolando, interpretei a música de uma maneira bem romântica, e devaneei sobre uma garota que não aguenta mais se lamuriar por alguém que ama e está longe, e por esse motivo, canta essa canção que, como mágica, faz voltar aquele que ela quer tirar a roupa, entre outras coisas. Na minha leitura, a apresentação da filmagem ora quente, ora fria, busca passar o sentimento de felicidade e tristeza de alguém apaixonado, de acordo com a presença ou ausência do famigerado ser amado, respectivamente. Aprecia aqui:


Confesso que costumava ter vergonha da Mallu quando ela era mais novinha, apesar de sempre ter gostado do seu canto um tanto débil e sereno. Fiquei com esse sentimento zombeteiro (e ridículo) após assistir a entrevistas no Altas Horas e no Programa do Jô, e vislumbrar aquela menina adolescente sem nenhum tipo de preparo diante das câmeras. Ela parecia eternamente demente e falava de um jeito devagar que me irritava. Algumas pinturas no seu rosto me faziam franzir o cenho e contorcer os lábios em desaprovação, sem mencionar aqueles trapos que eu não conseguia acreditar que ela estava vestindo.

Hoje enxergo o quão estúpida era, e que minhas opiniões eram baseadas em uma mente fechada, a qual não tolerava artistas menos robóticos e verdadeiramente autênticos. Esse assunto me lembra daquela máxima do filme O Diário de Bridget Jones: legal é gostar de alguém pelo que ela realmente é, a despeito de todas as características que podem ser vistas como defeitos por nós. Quando eu li o livro (há alguns dias), revi o filme em seguida e dei print nessa parte memorável. Gente, pelo amor de Deus, todo mundo já viu esse filme, right? Se a resposta for negativa, evitem o spoiler nas imagens abaixo:

Por causa da ordem dos prints, faz mais sentido assim: "Sim, gosto muito de você. Do jeito que você é."

De modo que optei por escrever sobre a música da Mallu pelo simples fato de gostar dela, do jeito que ela é (mesmo com seu semblante eternamente chapado, rs). Estou repetindo esse mantra cotidianamente para esperar menos das pessoas, pois estou percebendo que o nível de frustração com a vida e o cosmos diminui drasticamente. E aí, se a palavra exigência for usada, que seja exclusivamente para minhas próprias mudanças. Ou no job, é claro.

© Escreva carla, escreva
Maira Gall