Crítica
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segunda-feira, 8 de julho de 2013

{resenha} Deixe a luz acesa

Vim contar minha história de sexta-feira (05/07). Estava de noite e eu fui fazer minha derradeira prova de Economia Brasileira, às 19h. Cheguei lá suando e morrendo de dor de cabeça, pois essa matéria me deixa muito nervosa. A prova acabou sendo em grupo de quatro pessoas com direito à consulta. Ou seja, no final das contas foi mamão com açúcar. De modo que quando saímos da prova (eu e outra amiga), pensamos em começar as férias com o pé direito, indo ao cinema que é bem perto da faculdade (isso sim é sorte!). Para isso, tentamos olhar no meu smartphone qual horário e sessão teria, porém o site cola uma imagem da programação, e não tem aplicativos para celular, então dificultou bastante identificarmos o nome do filme. Só deu para discernir que às 21h haveria a última película do dia. Fomos então ao Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, único serviço público com um bom custo/benefício de Recife. Ao longo do caminho, conversamos sobre como é interessante e surpreendente fazer coisas sem tanto planejamento, como ir ao cinema e ver um filme sem nem ao menos saber seu título. É claro que estávamos acreditando em Kléber Mendonça e todos os outros que fazem parte das seleções que passam lá nesse cinema. Praticamente todos não são de bilheteria, portanto você vai lá para ver algo que os grandes cinemas ignoram. Só assim você acha raridades visuais.

Chegamos bem antes da sessão, compramos nossos ingressos e perguntamos finalmente o título. O filme se chamava "Deixe a luz acesa", o que novamente nos deixava na escuridão sobre o conteúdo. O vendedor nos alertou sobre um atraso de 20 minutos que ocorreria. Decidimos então comer alguma coisa no Castigliani Café, local bem aconchegante de lá do cinema que mostra todas as pessoas alternativas que você não vê no dia a dia em Recife. Sempre acho que esse povo está preso em algum lugar, ou são ricos demais para trabalhar e andar de ônibus. Não sei, ao certo. Enfim, dividimos um misto quente (uma das variedades mais baratas do cardápio) e um refrigerante, pois não tinha suco de laranja.


Percebemos que às 21h as mesas começaram a esvaziar. E a portinha do cinema já estava empoleirada de gente querendo sentar e ver o filme. Esperamos 10 minutos pela conta e só depois conseguimos entrar na sala. Estávamos tranquilas pois o atendente tinha dito que o filme atrasaria uns minutos, porém ele deu a informação errada. Então corremos para a entrada. A arquitetura do cinema impede que pessoas de fora vejam o telão, então você primeiro sobe escadas para depois descer outras escadas e encontrar cadeiras acolchoadas e a tela gigante na sua frente. Assim, eu e minha amiga, ao subir os primeiros degraus, percebemos que o filme já tinha começado, pois estávamos escutando respirações ofegantes e gemidos das caixas acústicas. Ao descermos as escadas, avistamos na tela dois homens nus em completo êxtase, se beijando e se tocando. Deu para entender claramente também as investidas do personagem que estava por cima, ao penetrar o personagem de baixo, que gemia. Olhei para minha amiga e levantei as sobrancelhas, depois de uns risinhos nervosos. Trocamos olhares sobre qual seria a melhor poltrona e sentamos, um pouco constrangidas e muito impressionadas com as cenas de sexo.

Estávamos assistindo ao filme "Deixe a luz acesa", que conta a história de Erik Rothman (Thure Lindhardt), um documentarista em Nova York, em 1997, e Paul Lucy (Zachary Booth), um advogado. Sinopse do Filmow: "O que começa como um encontro logo se torna algo muito maior, e um relacionamento se desenvolve rapidamente. Enquanto os dois homens começam a construir uma casa e vida juntos, cada um continua a lutar em particular suas compulsões e vícios próprios. Um filme sobre sexo, amizade, intimidade e, acima de tudo, amor. Um olhar honesto sobre a natureza das relações em nossos tempos."


Foram 101 minutos vislumbrando um casal cheio de defeitos e qualidades, passando por situações cômicas, familiares, de superação, e também por perrengues raivosos com drogas, traição e vícios. Eu ousaria chamar o filme totalmente de comum (não que isso seja algo ruim, apenas corriqueiro, normal), se não fosse o fato de a trama se desenrolar entre dois homens. Foi incrível me deparar com um filme desse tipo, pois ele me ajudou a enxergar o convívio de um casal gay, algo que eu nunca experimentei nem vivenciei. É muito diferente ter amigos gays e ter contato com o dia a dia do casal gay. Até pelo motivo de que geralmente ninguém conhece o convívio dos casais. Foi lindo atestar a ridícula normalidade dos personagens, já que a história é totalmente realista.  


Portanto, indico o filme aos preconceituosos de plantão e também às pessoas que se consideram sem preconceito. Provavelmente o primeiro grupo poderá refletir mais sobre a normalidade de pessoas que se relacionam com outras de mesmo sexo, e talvez haja a constatação de que isso NÃO É PROBLEMA DE NINGUÉM, e por isso você devia parar de falar mal da relação que VOCÊ considera errada de "homem com homem" ou "mulher com mulher". O segundo grupo, supostamente mais esclarecido, poderia ver o filme se quisesse apreciar uma história de amor entre dois caras peculiares, e poderia talvez ter o mesmo insight que eu tive. Gente, sei que o assunto é polêmico, mas sinceramente, só peço que vocês saibam de uma coisa: tolerância e educação são a chave para um mundo melhor.

Bom, é isso. Demorei a postar, mas trouxe uma breve resenha de um filme não tão famoso. Espero que gostem e que me sigam no Filmow, se também forem cinéfilos. Podemos trocar umas ideias por lá!

Imagens retiradas da fanpage do Castigliani Café, do Google e do IMDB, respectivamente.
 

segunda-feira, 4 de março de 2013

{Book Tour} As vantagens de ser invisível


Aqui estou finalmente escrevendo sobre um amigo fictício. Bom, tentei dividir a postagem para ninguém se perder nesse mar de pensamentos e, por causa das divisões, vocês podem ler separadamente cada tópico, se quiserem. Mas tudo segue uma ordem, tá? Ou seja, é preferível ler tudo, he. Ah, gostaria de mandar um beijo especial para a Amanda, da Revista 21, e para todos os realizadores desse site genial. Aos demais leitores do blog, espero que gostem do conteúdo visível e invisível de hoje. E também espero que estejam todos bem. Obrigada!

*Importante: Nesse post, não estou explicitamente descrevendo o final, nem partes relevantes do decorrer do livro. Porém, obviamente escrevi alguns detalhes da história, como citações, dicas de filmes, livros, bandas e, é claro, minha percepção acerca das cartas de Charlie. Lá para o finalzinho terá um texto com spoilers devidamente indicados. Boa leitura!

SOBRE O BOOK TOUR

Eu nunca havia participado de um book tour antes. Na verdade, minha ignorância era grande a ponto de nunca ter ouvido falar. Quando a Revista 21 postou sobre isso, não hesitei em tentar a sorte. Houve um sorteio e, surpreendentemente, fui escolhida como a primeira a começar a leitura de As Vantagens de Ser Invisível, de Stephen Chbosky - mais nove blogueiros estão nessa jornada. O que me fez preencher o simples formulário foi a ideia do livro viajante ser uma divertida forma de incentivo à leitura,  o qual é intensificada pela integração entre os dez leitores, já que cada um deverá escrever sua percepção do livro. Achei tão legal o estímulo que penso em comandar, futuramente, um book tour com algum livro da minha humilde estante.

SOBRE O RECEBIMENTO DO LIVRO VIAJANTE

Como moro na mesma cidade de uma das redatoras da Revista 21, combinamos de trocar o livro sem intermédio dos Correios. Eu estava em casa, concentrada no home office, com cabelos rebeldes e despenteados, quando o telefone me assustou com o toque da Samsung - que eu nunca troco. Atendi e falei rapidamente para a voz masculina que desceria para apanhar a história. Cheguei ao térreo (minha casa fica no primeiro andar) e vislumbrei uma pessoa de verdade que, para mim, costumava ser um personagem de ficção, da vida escrita de Amanda, do Maças Verdes (que está fora do ar, como assim, produção?). Foi um sentimento engraçado e confuso, como se a realidade e ficção fossem uma coisa só, sem a costumeira linha tênue. Obviamente, no caso supracitado, a realidade e ficção eram mesmo uma coisa só, partindo da premissa de que o rapaz realmente existe, e Amanda sempre deixou claro a veracidade do que escrevia em seu blog. Mas a minha percepção não era exclusivamente assim. Entendeu? Bom, de qualquer forma, acho que deixei Wesley, noivo da Amanda, meio sem graça por comentar que o conhecia de crônicas, he. Ah vai, eu acharia legal ser reconhecida por aí.

No momento da troca do livro, pensei sobre "a realidade e ficção serem uma coisa só" justamente por causa da influência da leitura de As Vantagens de Ser Invisível, mais precisamente na parte do epílogo, em que tive um insight. Entendam: é que eu li o livro antes de a Revista 21 me mandar o viajante, pois tinha comprado o exemplar no ínterim do sorteio, divulgação dos participantes e recebimento. Além do mais, eu nunca acredito que posso ganhar sorteios, então a descrença na sorte me fez começar a devorar sobre o que Charlie - personagem principal - escrevia, antes mesmo de saber que teria a oportunidade de participar do book tour. Sobre esse insight, senti a estranheza de estar sendo vista por alguém, e a familiaridade de conhecer essa pessoa recaiu sobre minhas costas. Conhecer especificamente o próprio Charlie. Parece estupidez, mas a verdade é que senti uma conexão sem precedentes com o personagem, e ele estava ali, invisível, me observando. Senti isso na sala de espera do consultório do médico do coração, onde finalizei a leitura em meio a calafrios.


SOBRE "THE PERKS OF BEING A WALLFLOWER"

Para começar, o título original é esse aí de cima. O livro parece recente, provavelmente pela estreia do filme inspirado nele, mas é de 1999. A edição brasileira, no entanto, é de 2007. Essa literatura infantojuvenil traz um amontoado de cartas cronológicas escritas por Charlie - o garoto mais sensível que você conhecerá -, que escreve sinceramente sobre suas experiências, sensações, necessidades e vontades, para um destinatário que Charlie prefere manter em segredo. A história se passa em meados de 1991, e por isso cita diversos músicos da época. O livro é relativamente curto, com apenas 223 páginas, e é apresentado com 4 partes e epílogo. A citação "Eu me sinto infinito" vai marcar sua leitura com a primeira página, e a interpretação vai melhorar ao longo da história, assim que essa página se repetir. As 4 partes tratarão de um universo riquíssimo de assuntos, sentidos e vivenciados por Charlie. Traumas infantis, dramas familiares, suicídio, crises próprias da juventude, medos e experiências novas são alguns pontos descritos.

Um paradoxo que encontrei no livro, bem no início, foi um dos que mais me identifiquei: "Sou feliz e triste ao mesmo tempo". E é exatamente assim, como uma montanha-russa, que a vida de Charlie é mostrada ao longo dos meses.

SOBRE A CULTURA DO LIVRO

Como eu estava lendo para escrever uma resenha, saí anotando tudo o que acharia importante citar na postagem. Quando finalmente cheguei na última página do livro, percebi o quão importante foi ter rabiscado no "Organizer Memo Book" da Tilibra. Gostaria de criar essa rotina, mas sei da minha fome pelas histórias dos livros e o quanto isso dificulta o processo parar-para-escrever-rapidamente-algo-relevante-num-bloquinho. Risquei diversas folhinhas do bloco e percebi o quanto o livro estimula o leitor a ampliar sua bagagem cultural, por meio da menção de livros, filmes e músicas famosas da época. Poucos eu já conhecia e gostava, outros muitos estão sendo adicionados nas minhas redes sociais para não se perderem no limbo do esquecimento. Por conta  dessa peculiaridade, resolvi listar para vocês as referências encontradas no livro As Vantagens de Ser Invisível. Vai ficar mais fácil para ampliar os conhecimentos depois, no tempo de cada um. A margem de erro acobertará os momentos que não quis parar para escrever a dica do autor/esqueci de parar/não achei importante parar para escrever. Mas relaxem, a margem de erro foi seguramente baixa:

- Referências cinematográficas

1. Seriado MASH;
2. O barco do amor;
3. A ilha da fantasia;
4. A felicidade não se compra;
5. Os produtores;
6. A primeira noite de um homem;
7. Ensina-me a viver;
8. Minha vida de cachorro;
9. Sociedade dos poetas mortos;
10. A incrível verdade.

- Referências de livros

1. O Sol nasce para todos, de Harper Lee;
2. Este lado do paraíso, de F. Scott Fitzgerald;
3. Peter Pan, de J. M. Barrie;
4. O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald;
5. A Separate Peace, de John Knowles;
6. The Mayor of Castro Street, de Randy Shilts;
7. O apanhador no campo de centeio, J. D. Salinger;
8. Walden, de Henry David Thoreau;
9. On the road, de Jack Kerouac;
10. Naked Lunch, de William S. Burroughs;
11. Hamlet, de Shakespeare;
12. E. E. Cummings (escritor);
13. O estrangeiro, de Albert Camus;
14. The Fountainhead, de Ayn Rand;
15. A noite dos mortos-vivos, de John Russo.



- Referências musicais 

Reuni praticamente todas as músicas do livro em uma lista de reprodução muito amor. Só não consegui achar Daydream, dos Smashing Pumpkins, no Grooveshark. Enjoy!

1. Asleep, de The Smiths;
2. Blackbird, de The Beatles;
3. MLK, de U2;
4. Landslide, de Fleetwood Mac;
5. Laser Light Show, do Pink Floyd;
6. The Rocky Horror Picture Show (a peça);
7. Village People;
8. Blondie;
9. Nirvana;
10. Vapour Trail, de Ride;
11. Scarborough Fair, de Simon & Garfunkel;
12. A whiter shade of pale, de Procol Harum;
13. Time of no reply, do Nick Drake;
14. Dear prudence, dos Beatles;
15. Gypsy, da Suzanne Vega;
16. Nights in white satin, dos Moody Blues;
17. Daydream, dos Smashing Pumpkins;
18. Dusk, do Gênesis (antes do Phil Collins!);
19. Something, de Beatles;
20. Billie Holiday;
21. Broken Wings, de Mr. Mister;
22. I'm going home, de The Rocky Horror Picture Show;
23. Another Brick in the Wall, Pink Floyd - parte II.


SOBRE A HISTÓRIA [ATENÇÃO: SPOILERS SUTIS]

A narração é do próprio Charlie, garoto deveras solitário, e a partir da confiança que ele deposita no destinatário anônimo, revelações da sua vida particular são feitas por meio das cartas que ele sempre envia. Diante da necessidade de participar mais e fazer novos amigos na escola (ambiente de início hostil), Charlie conhece Patrick, divertido veterano da sala de "trabalhos manuais" [que inveja das escolas americanas!], e a partir dele conhece Sam, a meia-irmã de Patrick e a garota pela qual Charlie rapidamente se apaixona [minha gente, tá pra nascer alguém fofo e ingênuo como esse personagem ficcional!]. A partir dessas amizades, Charlie se depara com um universo de novos amigos, novas rotinas, novos lugares, inéditas drogas e principalmente experiências, como primeiro encontro, primeiro beijo. A parte mais hardcore do livro trata de assuntos polêmicos, e isso foi o que mais me encantou, já que eu comecei o livro com pouca fé, achando que seria meio bobinho. Aborto, homossexualidade, sexo, drogas, violência física, sobretudo em mulheres, abuso infantil e suicídio são temas abordados que incitam a reflexão de cada um. É incrível como ele é sensível a ponto de achar natural temas como a homossexualidade, e como ele é ingênuo a ponto de não perceber uma carta suicida. A sensatez também é vista quando ele decididamente não concorda com a violência que eventualmente sua irmã sofre com o namorado, já que ele lida querendo defender a irmã mais velha. Mas Charlie é, na maioria das vezes, uma pessoa que não se posiciona, não toma iniciativas e que aceita algumas situações apenas por não conseguir se expressar. Patrick diz: "Você vê as coisas. Você guarda silêncio sobre elas. E você compreende.”.

Os anos narrados são 1991 e 1992, e no decorrer da história, é perceptível a evolução da maturidade de Charlie, frente a tudo o que ele viveu. Além dos acontecimentos da vida dele, pode-se dizer que Charlie vai sendo lapidado pelo seu professor de inglês (Bill), o qual dá livros clássicos para o aluno durante todo o ano letivo. É legal a transformação da simples relação de aluno e professor para a de amigos, já que o professor acredita, escuta  e aconselha Charlie. Mais legal do que é isso são as diversas dicas de literatura estrangeira que você decerto ainda quer ler antes de morrer. Uma das citações que mais gosto no livro é feita pelo professor Bill, quando ele prevê que "A gente aceita o amor que acha que merece.". Adicionei a citação à foto que tirei em Curitiba, no Jardim Botânico. Lá, todas as plantas têm seu nome numa plaqueta, e essa florzinha amarela se chama "amor-perfeito". É ousadia demais ter essa citação nessa flor?


Já para o fim, o interessante do mistério do destinatário é que, no epílogo, eu tive a inédita sensação de conexão com o livro, já que eu me tornei o destinatário de Charlie, com a ajuda da minha percepção e imaginação. Achei, no mínimo, mágico. Sério, fiquei muito emocionada e até chorei com os calafrios que senti. Em outras palavras: pareci o Charlie afetado e sentimental, haha. E por isso que eu adorei esse livro - parafraseando a ideia inicial de Charlie: tão simples e tão complexo ao mesmo tempo.


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

{filme} Save the Date

Achei esse filme só por causa da bela Lizzy Caplan. Lembro de ter amado a atuação especial dela no seriado True Blood e também em filmes como Mean Girls. Fiquei um pouco tensa vendo o desempenho em Cloverfield e no Bachelorette só deu para ficar com vontade de ter a franjinha dela, não curti muito a história. Fiquei desapontadíssima com a nota que o senhor IMDB deu: 4.8. Mas não se abale. Há vários elementos bons no filme em questão, listados logo mais.  


{sinopse}
A história é sobre a rejeição de Sarah (Lizzy) diante do repentino pedido de casamento de Kevin (Geoffrey Arend) e do posterior envolvimento dela com Jonathan (Mark Webber), além do desenrolar dos preparativos de casamento de sua irmã Beth (Alison Brie). Olha o trailer:


{blá blá blá}
Eu sei, parece fucking clichê e, pior: simplório. Pode ser recorrente, mas falar sobre isso nem sempre é simples, pelo contrário: há muita complexidade quando se fala de sentimentos, rótulos, mudança de vida. O tema realmente não foge ao costumeiro assunto que permeia esporadicamente (ou sempre?) nossas cabecinhas: o amor. O que me fez gostar do filme foram as atitudes que a personagem principal desempenhou, a despeito de todo o contexto gritar para ela não fazer nada disso, não mudar as coisas do jeito que ela quer, e sim "como deveriam ser", aos olhos dos outros. Well, ladies and gentlemen, welcome to the free world! Sarah é uma mulher independente e fiel aos seus sentimentos e convicções. Ela não acredita no casamento e tem direito de não se aventurar nisso, já que não se sente preparada e nem ao menos crê no sagrado matrimônio. Isso a afasta do seu namorado apaixonadíssimo. Achei super radical uma pessoa terminar um namoro por causa de um pedido de casamento, mas como disse, Sarah é fiel aos seus sentimentos. Ela quis correr daquilo que a apavora. Nada mais normal. O efeito colateral dessa autenticidade é um pouco de irresponsabilidade e egoísmo. Sarah acaba se envolvendo com outra pessoa, um apaixonante, desengonçado e barbudo Jonathan, e em algum momento ela novamente terá que enfrentar seus medos de conviver com alguém, de se tornar vulnerável às inesperadas situações do amor. Lembra um pouco a história de 500 dias com Ela, com menos drama e simbolismo. 



{looks}
O filme tem bastante diálogo e a fotografia é uma delícia. O vestuário de Lizzy me inspirou imensamente, com saias, vestidos floridos, marcados na cintura - geralmente com lindos cintos marrons -, botas ou sapatos de cano alto. Cara, não sei falar sobre roupa, mas garanto que me identifiquei loucamente com a personalidade da Sarah. Deu vontade de esvaziar meu guarda-roupa e ir correndo gastar minha poupança (fiquei em casa escrevendo essa resenha). O interessante sobre a personagem, nesse quesito moda, é que ela usa diversos acessórios iguais com peças diferentes, e você não percebe tanto. Isso, na prática, é super vantajoso pois ajuda na criatividade e poupa uma grana na compra de roupas e afins! Fiquei tão inspirada que dei print em todos os looks que gostei (imagens tiradas do próprio filme):








{música}
A trilha sonora também me surpreendeu positivamente, pena que achei difícil encontrar para download. Listei apenas 4 logo abaixo, muito boas. E o melhor, não conhecia nenhuma delas. Nas músicas, há o plus do Kevin e o noivo da Beth fazerem parte de uma banda chamada Wolfbird, e produzirem canções para o filme.  


{ilustrações}
No mais, para não esquecer, a história começa e termina com ilustrações da personagem Sarah, que além de gerente de uma livraria é também uma artista que expressa seus sentimentos e experiências vividas por meio de desenhos. São divertidos:



E vocês, já viram Save the Date? Gostaram? Refleti bastante sobre a história e reafirmei algo que decidi ser esse ano: mais fiel às minhas vontades, assim como a Sarah (porém responsável, hihi). 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

{filme} O Som ao Redor

Gostaria de fazer uma resenha do filme "O Som ao Redor". Ele será a obra cinematográfica que estreará a tag cinema por estas bandas (culpa das resoluções de 2013). Esclareço: sou cinéfila, mas simplesmente não escrevia sobre isso, até hoje. Apenas discutia, e muito, com meus poucos amigos que também gostam de filmes. 

Devido à peculiar diferença do filme em questão, pensei em dividí-lo em duas partes: a primeira seria uma tentativa de olhar mais descritivo, contudo sem levar em consideração as sensações causadas pelo filme por conter gente conhecida, prédios recorrentes, histórias verdadeiramente vividas por mim pelos arredores das ruelas, praia de tardes peguentas e das leituras sob o Sol manso. A segunda parte vai conter justamente o supracitado: um relato pessoal misturadíssimo ao filme. Isso pelo motivo de eu ter vivido ali, naquele contexto, naquele bairro, a pouquíssimos metros da rua em que ocorreram as gravações. Explicarei-me logo mais. O trailer abaixo vai corroborar com meus elogios, deem uma apreciada:



1º PARTE

O filme "O Som ao Redor", de Kleber Mendonça Filho, é a primeira investida do diretor em longa-metragem de ficção. Nunca vi outros filmes dele, mas já escutei falar muito bem de "Recife Frio". O conhecimento que tinha de Kleber era apenas da Janela Internacional de Cinema do Recife, evento grandioso que junta um pessoal amante de cultura de cinema (geralmente são mostras de clássicos e filmes pernambucanos), lá no São Luiz (cinema velhinho que foi restaurado para abrigar essa evolução pernambucana, foto logo abaixo) e no Cinema da Fundação. Tinha visto o cineasta fazendo algumas apresentações antes do festival começar. Na época (há menos de um ano), ele parecia só um idealizador estudioso com ar nerd, por conta dos óculos de armação grossa. Criou um filme inesquecível.


A história é ambientada no Recife, capital de Pernambuco, com destaque para uma rua em que existem, predominantemente, altos prédios. As casas já são raras, porém as lembranças dos tempos em que as residências não eram sugadas por especulação mobiliária permanece na mente de alguns moradores. Essa arquitetura ilustra muito bem a brutalidade dos lugares em que moramos, os quais são construídos cada vez mais verticais e solitários, com a tentativa de proteção que, por vezes, se confunde em desigualdade social e afastamento.

A (falta de) segurança é questão crucial, abordada com sagacidade pelo diretor. As famílias que vivem nessa rua sofrem com o descaso do governo diante da violência comum nos centros urbanos de todo o país.  Sofrem e pagam por isso. Essa narrativa (a exemplo de roubos do som de carro ou privação da classe média em possuir certos objetos) é contextualizada em Recife, mas abrange perfeitamente outras capitais brasileiras. Esse tema impacta diretamente na milícia, liderada por Clodoaldo (Irandhir Santos), que rapidamente se estabelece na vizinhança e promete a paz, em troca da bagatela de R$ 20 por cada casa protegida. É maravilhosamente paradoxal como o grupo de seguranças traz tensão àquela rua.

Se o tema segurança permeia todo o enredo, os sons são vitais para a obra ter êxito. A poluição sonora frequente, como o relato da vizinha incrivelmente incomodada pelo cachorro que só sabe uivar, ou até o barulho agoniante da chave destruindo o carro (vista no comecinho do trailer), desenvolve a identidade dos problemas de uma sociedade dividida pelas diversas classes que o capitalismo cultiva e que os senhores de engenho deixaram de herança.

Dentro de tudo isso, ainda tem um humor impagável, que revela tanto gírias do povo pernambucano e recifense, como situações cotidianas, engraçadas pelo desenrolar das histórias. Destaque para a cena em que os condôminos se reúnem para decidir sobre a permanência do porteiro que dorme, e quais argumentos são usados.

Alguns personagens marcam forte presença na trama de final inesperado, embora não sejam os únicos com boas histórias para contar. O moço jovem, rico, simpático e educado, chamado João (Gustavo Han), que administra os negócios da família (mas odeia), a dona de casa de classe média, incomodada pelo cachorro do vizinho, mãe de dois filhos, esposa de homem trabalhador, usuária de maconha vez ou outra. O Sr. Francisco (Waldemar Solha), avô de João, um exemplo de como o patriarcado e a opressão social persistem com o passar dos anos, diante do poder que ele apresenta na vizinhança (ele detém mais da metade dos imóveis do bairro), e o segurança Clodoaldo. A história expõe intuitivamente as contradições da típica sociedade brasileira e também o preconceito enraizado, perante hierarquia invisível ou visível a partir de eufemismos. Uma cena que ilustra muito bem isso é quando o Sr. Francisco vai, tarde da noite, mergulhar na praia de Boa Viagem, mesmo com o aviso enorme sobre o perigo de tubarões.

O filme não é só aclamado por mim, reles mortal magricela. A repercussão foi tanta que chegou aos ouvidos do The New York Times, o qual escolheu como um dos melhores filmes do ano passado (apenas citando, já que adoramos tanto a opinião dos americanos). Vários prêmios, como de Roterdã, Rio de Janeiro e Gramado, também respaldaram a qualidade do filme bastante revelador.

Seguem algumas fotos do filme, retiradas do site oficial:




2º PARTE

Agora vem uma parte meio non-sense, mais pessoal e, sobretudo melosa. Curta, ao menos. E meio babona. Eu poderia escolher eufemismos, pois isso é o que mais sabemos fazer para nos incluirmos em papéis sociais bem aceitos, porém abrirei mão da palhaçada. 

Vou falar com os olhinhos cheios de orgulho: assisti a uma obra prima filmada ali, a duas ruas do meu apartamento minúsculo. Eu, que estou tão acostumada a venerar lugares que estão a quilômetros de distância. Eu, repleta de desejo por Paris e Inglaterra, e cheia de sentimento de injustiça divina. Eu, que crio indagações repetitivas e precárias como: "qual motivo, ó Senhor, que escolheste me jogar aqui? Qual pecado cometi, além de ter nascido mulher, claro?". [Lembrem-se/saibam que sou irônica.]

Nesse aclamado filme, você encontrará o bairro em que já morei por alguns anos, Setúbal, que não se decide se é bairro ou adendo do célebre Boa Viagem (as cartas endereçadas ficavam deveras confusas nessa escolha). As gírias da minha cidade, os traços de rostos conhecidos (Alô Sandrinho, companheiro das paradas esperando para sempre ônibus, atuando lá lindamente, e Bruno Negaum, produtor de eventos famosíssimo aqui de Recife, desenvolvendo cena hilária), as árvores, as esquinas, o colégio filmado (considerado de péssima escolha por pais e mestres), as relações, o problema social, os carros violentados, os encontros íntimos sem nenhum compromisso (não dá para taggear), a reunião de condomínio, os chatos condôminos - aqueles insuportáveis hipócritas -, os malditos seguranças que mais dão medo que protegem. Tudo aquilo que está na tela é muito próximo do que vivo, do que vivi. Minhas intocadas memórias, agora cutucadas. Foi um presente inesperado. Quero rever!

E você, já ouviu falar de "O Som ao Redor"? Está passando aí na sua cidade? Estou curiosíssima para ver opiniões e compreensões que o filme causará em cidadãos de outros Estados do Brasil e, sobretudo, em estrangeiros. Vá ao cinema, vale muito a pena. E o cinema também ajuda a mostrar, com mais qualidade, o desenho de som genial de Kleber e Pablo Lamar.


domingo, 6 de janeiro de 2013

{livro} Manual para Jovens Sonhadores

Sabe quando você lê algo que gostaria de ter escrito algumas partes? Aconteceu comigo nos primeiros dias de 2013, quando estava cumprindo minha meta de ler diariamente. O livro "O Manual para Jovens Sonhadores", de Nathalie Trutmann, ousa apresentar para você, jovem de 15 ou 40 anos, "algumas verdades que você sempre quis ouvir". A guatemalteca mostra, por meio de suas experiências com viagens e trabalhos, a importância de sonhar e correr atrás do que se acredita, a despeito dos conselhos dos nossos pais (que tiveram experiências mas que não são donos da verdade nem do futuro), dos caminhos que nossa cultura nos impõe como sendo seguros e corretos e, sobretudo, do que os outros irão dizer. 

A leitura do livro é simples e nos presenteia com fatos engraçados e inspiradores da vida predominantemente nômade da autora, como os trabalhos que já fez, a exemplo da vez que teve aulas de mergulho em Utila - ilha na baía de Honduras -, e ficou cuidando de iguanas para poder dormir de graça na estação de pesquisa, ou quando morou a trabalho, no Sri Lanka, e conheceu a forma como as pessoas lidam com a sorte (a cultura é bastante direcionada a seguir o que os mapas astrais determinam, sem questionamentos).  

O que Nathalie mais quer passar, por meio de uma escrita bastante biográfica e pouco pretenciosa, é a ideia de que podemos, realmente, fazer o que quisermos de nossas vidas, assim como pensávamos quando éramos crianças. O importante é acordar com vontade de ser feliz no que se faz para viver. Parece clichê, mas a parte interessante é a escritora descrevendo as dificuldades que teve, e os acontecimentos de sua vida que ajudaram na conclusão de nunca desistir do que você mais gosta. Dificuldades sempre ocorrerão, mas a falácia de que "a vida é assim" deve ser questionada com atitudes. 

Alguns momentos do livro parecem bem auto-ajuda, em que a autora reitera ideias como: "não siga o caminho dos outros, não dará necessariamente certo para você", ou até: "siga suas paixões". Tenho um pouco de antipatia por essa categoria, mas a forma como ela levanta essas questões é bastante sutil e dá para ler tranquilamente, sem a agonia de auto-ajuda meloso. Outro ponto é dar valor à jornada trilhada para alcançar o sonho, e não apenas no momento em que este virar realidade. 

Há também dinamicidade no livro, e por isso a leitura é tão rápida. Essa parte dinâmica também é vista nas dicas de vídeos que a autora seleciona, ao fim de todo capítulo. Eles procuram motivar as pessoas a serem mais criativas, autênticas e sonhadoras. Vi apenas o de Steve Jobs, já com legendas em português, que sintetiza bastante o que Nathalie vem discorrendo ao longo da sua obra. O título é "Você tem que encontrar o que ama", aqui, já legendado. Achei genial.

Como todo bom livro de inspiração, coletei algumas citações da autora e postei lá no tumblr para reler quando as coisas parecerem difíceis. Vocês estão convidados também! Li o livro no meu smartphone, pela primeira vez, e até que foi tranquilo, já que a leitura era curta. Ele está disponível para download aqui

Enfim, indico bastante o livro para quem gostaria de viajar e ainda está procrastinando o sonho (Oi, sou eu!). A autora desde cedo quis sair da Guatemala, seu país de origem, e passou por vários países até parar um pouco aqui no Brasil, por influência do namorado que virou marido.

Bom, espero que leiam e gostem. Caso dê aquela preguiça, veja a palestra da Nathalie falando um pouco sobre o livro. É uma síntese que já mostra a essência do que ela quis compartilhar com o mundo. Só pelo sotaque lindo já vale a pena!

E vocês, têm dicas melhores de livros nessa categoria? Fiquei interessada!



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Maira Gall