Reflexivo
Mostrando postagens com marcador Reflexivo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de julho de 2013

{resenha} Deixe a luz acesa

Vim contar minha história de sexta-feira (05/07). Estava de noite e eu fui fazer minha derradeira prova de Economia Brasileira, às 19h. Cheguei lá suando e morrendo de dor de cabeça, pois essa matéria me deixa muito nervosa. A prova acabou sendo em grupo de quatro pessoas com direito à consulta. Ou seja, no final das contas foi mamão com açúcar. De modo que quando saímos da prova (eu e outra amiga), pensamos em começar as férias com o pé direito, indo ao cinema que é bem perto da faculdade (isso sim é sorte!). Para isso, tentamos olhar no meu smartphone qual horário e sessão teria, porém o site cola uma imagem da programação, e não tem aplicativos para celular, então dificultou bastante identificarmos o nome do filme. Só deu para discernir que às 21h haveria a última película do dia. Fomos então ao Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, único serviço público com um bom custo/benefício de Recife. Ao longo do caminho, conversamos sobre como é interessante e surpreendente fazer coisas sem tanto planejamento, como ir ao cinema e ver um filme sem nem ao menos saber seu título. É claro que estávamos acreditando em Kléber Mendonça e todos os outros que fazem parte das seleções que passam lá nesse cinema. Praticamente todos não são de bilheteria, portanto você vai lá para ver algo que os grandes cinemas ignoram. Só assim você acha raridades visuais.

Chegamos bem antes da sessão, compramos nossos ingressos e perguntamos finalmente o título. O filme se chamava "Deixe a luz acesa", o que novamente nos deixava na escuridão sobre o conteúdo. O vendedor nos alertou sobre um atraso de 20 minutos que ocorreria. Decidimos então comer alguma coisa no Castigliani Café, local bem aconchegante de lá do cinema que mostra todas as pessoas alternativas que você não vê no dia a dia em Recife. Sempre acho que esse povo está preso em algum lugar, ou são ricos demais para trabalhar e andar de ônibus. Não sei, ao certo. Enfim, dividimos um misto quente (uma das variedades mais baratas do cardápio) e um refrigerante, pois não tinha suco de laranja.


Percebemos que às 21h as mesas começaram a esvaziar. E a portinha do cinema já estava empoleirada de gente querendo sentar e ver o filme. Esperamos 10 minutos pela conta e só depois conseguimos entrar na sala. Estávamos tranquilas pois o atendente tinha dito que o filme atrasaria uns minutos, porém ele deu a informação errada. Então corremos para a entrada. A arquitetura do cinema impede que pessoas de fora vejam o telão, então você primeiro sobe escadas para depois descer outras escadas e encontrar cadeiras acolchoadas e a tela gigante na sua frente. Assim, eu e minha amiga, ao subir os primeiros degraus, percebemos que o filme já tinha começado, pois estávamos escutando respirações ofegantes e gemidos das caixas acústicas. Ao descermos as escadas, avistamos na tela dois homens nus em completo êxtase, se beijando e se tocando. Deu para entender claramente também as investidas do personagem que estava por cima, ao penetrar o personagem de baixo, que gemia. Olhei para minha amiga e levantei as sobrancelhas, depois de uns risinhos nervosos. Trocamos olhares sobre qual seria a melhor poltrona e sentamos, um pouco constrangidas e muito impressionadas com as cenas de sexo.

Estávamos assistindo ao filme "Deixe a luz acesa", que conta a história de Erik Rothman (Thure Lindhardt), um documentarista em Nova York, em 1997, e Paul Lucy (Zachary Booth), um advogado. Sinopse do Filmow: "O que começa como um encontro logo se torna algo muito maior, e um relacionamento se desenvolve rapidamente. Enquanto os dois homens começam a construir uma casa e vida juntos, cada um continua a lutar em particular suas compulsões e vícios próprios. Um filme sobre sexo, amizade, intimidade e, acima de tudo, amor. Um olhar honesto sobre a natureza das relações em nossos tempos."


Foram 101 minutos vislumbrando um casal cheio de defeitos e qualidades, passando por situações cômicas, familiares, de superação, e também por perrengues raivosos com drogas, traição e vícios. Eu ousaria chamar o filme totalmente de comum (não que isso seja algo ruim, apenas corriqueiro, normal), se não fosse o fato de a trama se desenrolar entre dois homens. Foi incrível me deparar com um filme desse tipo, pois ele me ajudou a enxergar o convívio de um casal gay, algo que eu nunca experimentei nem vivenciei. É muito diferente ter amigos gays e ter contato com o dia a dia do casal gay. Até pelo motivo de que geralmente ninguém conhece o convívio dos casais. Foi lindo atestar a ridícula normalidade dos personagens, já que a história é totalmente realista.  


Portanto, indico o filme aos preconceituosos de plantão e também às pessoas que se consideram sem preconceito. Provavelmente o primeiro grupo poderá refletir mais sobre a normalidade de pessoas que se relacionam com outras de mesmo sexo, e talvez haja a constatação de que isso NÃO É PROBLEMA DE NINGUÉM, e por isso você devia parar de falar mal da relação que VOCÊ considera errada de "homem com homem" ou "mulher com mulher". O segundo grupo, supostamente mais esclarecido, poderia ver o filme se quisesse apreciar uma história de amor entre dois caras peculiares, e poderia talvez ter o mesmo insight que eu tive. Gente, sei que o assunto é polêmico, mas sinceramente, só peço que vocês saibam de uma coisa: tolerância e educação são a chave para um mundo melhor.

Bom, é isso. Demorei a postar, mas trouxe uma breve resenha de um filme não tão famoso. Espero que gostem e que me sigam no Filmow, se também forem cinéfilos. Podemos trocar umas ideias por lá!

Imagens retiradas da fanpage do Castigliani Café, do Google e do IMDB, respectivamente.
 

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O mistério do livro "A Metamorfose"

É, eu sei. Parece que o título foi escrito por uma criança de 7 anos de idade. Porém é mais ou menos o que senti quando me deparei com o que ganhei ontem à tarde. Vou contar a história: 

Eu estava cochilando na minha cama enquanto ainda tinha minutos do meu horário de almoço (faço home office). Minha irmã entrou sem bater na porta, para variar um pouco, e eu tomei um susto. Ela trouxe um envelope amarelo, daqueles comuns, tamanho A4, e perguntou o que tinha dentro. "Sei lá, ué. Vou abrir!". Rasguei sem jeito o papel e retirei de lá um livro laranja. Corri os olhos para o título e li "A Metamorfose", de Franz Kafka. Tateei a aspereza quadriculada do objeto fino, prestei atenção aos detalhes da forma das imagens repetidas na capa e vi uma fitinha amarela, marcada nas páginas 38 e 39. Após visualizar alguns detalhes do presente confuso, peguei novamente o envelope e constatei que tinha lá um adesivo com as informações do destinatário, com meu nome e sobrenome, endereço completo e CEP. Não tinha remetente.

Agora não lembro exatamente se o recado que encontrei estava dentro do livro ou dentro do envelope, só sei que a pessoa que enviou "A Metamorfose" escreveu para mim em um papel branco, cortado um pouco mais da metade. Foi imprimido e digitado, então não tenho ideia da grafia. A forma como falava também não era nada familiar. Depois de ler o que o texto dizia, me senti em um filme. Daqueles em que acontece algo surreal e você tenta achar os porquês de tudo. Olhei para meus lados e minha primeira suspeita foi minha própria irmã. Eu disse algo como: "Vai, fala logo. Comprasse aonde esse exemplar?". Mas ela jurou não ter feito nada. Ela só achou o livro no 4º degrau das escadas da nossa casa (moramos no 1º andar), quando chegou da escola. Estranho, muito estranho, pensei. Começamos a tentar desvendar as características das pessoas que poderiam ter feito isso. De acordo com os fatos, e a cartinha digitada, chegamos às condições:
  1. É uma pessoa que sabe meu nome e sobrenome;
  2. É alguém que sabe meu endereço;
  3. Alguém que é daqui de Recife e sabe exatamente onde moro, pois o envelope não veio pelos Correios, foi deixado por alguém;
  4. Alguém que teve a ousadia de entrar no primeiro portão de casa, deixar a encomenda nas escadas, e sair de fininho, pois os vizinhos do térreo não viram nada OU alguém altamente habilidoso que jogou a encomenda através das grades do portão, e foi ninja a ponto de não rasgar o fino envelope amarelo;
  5. Alguém que quer me intrigar.
Além disso, essa pessoa já leu "A Metamorfose". Ela é um pouco egoísta, pois antes de entregar o lindo livro laranja, pensou em ficar com ele, e me pediu "perdão" por isso. Ela afirmou que o intuito dessa entrega era a existência desse pequeno mistério. Ela gosta de livros não apenas pelo seu conteúdo, mas também pela capa, existência de fitinhas marcadoras, etc. A escolha da obra foi feita por questões particulares, de preferência pela história do livro. O antigo leitor desse clássico afirmou que fazia tempo desde que lera a história de George Samsa. E por fim, ele transmitiu o significado básico que podemos esperar do conteúdo do livro, que seria ligado à metamorfose, mudança, transformação, e que isso significava evolução. Mas depois ele fala do outro sentido que eu posso descobrir, o sentido de Kafka. Eu só preciso "folhear as capas do livro laranja".

Minha extensa parte cética tenta encontrar as pessoas que podem se encaixar nas condições acima. Já falei com todas que estariam nesses filtros. Meu namorado disse que eu posso ter descoberto, mas a pessoa não quis admitir. Não descarto a possibilidade, mas continuo achando que o culpado pelo mistério ainda está no anonimato. Ao mesmo tempo, meu grande lado pessimista só está esperando alguém me sacanear de alguma forma, mas até agora nenhum pó de mico coçou minha pele, nem ninguém pegou o livro de volta. Além disso, cogitei a existência de alguma entrega aleatória, que por acaso me identificou e enviou um livro para fazer meu dia mais culto e feliz. Ou alguma seita secreta a qual buscou injetar literatura nas veias de jovens da era do Facebook, talvez.

O segredinho que vou contar aos meus amados leitores é que há uma minúscula parcela de esperança em mim. Esperança em dias melhores, pacíficos, em dias mágicos e em livros misteriosos, os quais chegam à sua casa sem passado, só futuro. Há dentro de mim algo que diz que eu ainda sou importante para o mundo, ainda importo na vida de um ou outro. Existe uma vozinha que fala: coisas incríveis e boas ainda acontecerão com você, Alien. Coisas até de outro mundo, quem sabe. 

Aí desde então sofri uma metamorfose e estou com 7 anos de novo: acredito em mágicas, e de quebra, em pessoas.







Notinha sobre as fotos: Tirei a primeira ontem, quando o Sol estava indo embora, e as posteriores hoje. Gostei dos céus diferentes, a despeito de terem sido capturados do mesmo lugar.

segunda-feira, 4 de março de 2013

{Book Tour} As vantagens de ser invisível


Aqui estou finalmente escrevendo sobre um amigo fictício. Bom, tentei dividir a postagem para ninguém se perder nesse mar de pensamentos e, por causa das divisões, vocês podem ler separadamente cada tópico, se quiserem. Mas tudo segue uma ordem, tá? Ou seja, é preferível ler tudo, he. Ah, gostaria de mandar um beijo especial para a Amanda, da Revista 21, e para todos os realizadores desse site genial. Aos demais leitores do blog, espero que gostem do conteúdo visível e invisível de hoje. E também espero que estejam todos bem. Obrigada!

*Importante: Nesse post, não estou explicitamente descrevendo o final, nem partes relevantes do decorrer do livro. Porém, obviamente escrevi alguns detalhes da história, como citações, dicas de filmes, livros, bandas e, é claro, minha percepção acerca das cartas de Charlie. Lá para o finalzinho terá um texto com spoilers devidamente indicados. Boa leitura!

SOBRE O BOOK TOUR

Eu nunca havia participado de um book tour antes. Na verdade, minha ignorância era grande a ponto de nunca ter ouvido falar. Quando a Revista 21 postou sobre isso, não hesitei em tentar a sorte. Houve um sorteio e, surpreendentemente, fui escolhida como a primeira a começar a leitura de As Vantagens de Ser Invisível, de Stephen Chbosky - mais nove blogueiros estão nessa jornada. O que me fez preencher o simples formulário foi a ideia do livro viajante ser uma divertida forma de incentivo à leitura,  o qual é intensificada pela integração entre os dez leitores, já que cada um deverá escrever sua percepção do livro. Achei tão legal o estímulo que penso em comandar, futuramente, um book tour com algum livro da minha humilde estante.

SOBRE O RECEBIMENTO DO LIVRO VIAJANTE

Como moro na mesma cidade de uma das redatoras da Revista 21, combinamos de trocar o livro sem intermédio dos Correios. Eu estava em casa, concentrada no home office, com cabelos rebeldes e despenteados, quando o telefone me assustou com o toque da Samsung - que eu nunca troco. Atendi e falei rapidamente para a voz masculina que desceria para apanhar a história. Cheguei ao térreo (minha casa fica no primeiro andar) e vislumbrei uma pessoa de verdade que, para mim, costumava ser um personagem de ficção, da vida escrita de Amanda, do Maças Verdes (que está fora do ar, como assim, produção?). Foi um sentimento engraçado e confuso, como se a realidade e ficção fossem uma coisa só, sem a costumeira linha tênue. Obviamente, no caso supracitado, a realidade e ficção eram mesmo uma coisa só, partindo da premissa de que o rapaz realmente existe, e Amanda sempre deixou claro a veracidade do que escrevia em seu blog. Mas a minha percepção não era exclusivamente assim. Entendeu? Bom, de qualquer forma, acho que deixei Wesley, noivo da Amanda, meio sem graça por comentar que o conhecia de crônicas, he. Ah vai, eu acharia legal ser reconhecida por aí.

No momento da troca do livro, pensei sobre "a realidade e ficção serem uma coisa só" justamente por causa da influência da leitura de As Vantagens de Ser Invisível, mais precisamente na parte do epílogo, em que tive um insight. Entendam: é que eu li o livro antes de a Revista 21 me mandar o viajante, pois tinha comprado o exemplar no ínterim do sorteio, divulgação dos participantes e recebimento. Além do mais, eu nunca acredito que posso ganhar sorteios, então a descrença na sorte me fez começar a devorar sobre o que Charlie - personagem principal - escrevia, antes mesmo de saber que teria a oportunidade de participar do book tour. Sobre esse insight, senti a estranheza de estar sendo vista por alguém, e a familiaridade de conhecer essa pessoa recaiu sobre minhas costas. Conhecer especificamente o próprio Charlie. Parece estupidez, mas a verdade é que senti uma conexão sem precedentes com o personagem, e ele estava ali, invisível, me observando. Senti isso na sala de espera do consultório do médico do coração, onde finalizei a leitura em meio a calafrios.


SOBRE "THE PERKS OF BEING A WALLFLOWER"

Para começar, o título original é esse aí de cima. O livro parece recente, provavelmente pela estreia do filme inspirado nele, mas é de 1999. A edição brasileira, no entanto, é de 2007. Essa literatura infantojuvenil traz um amontoado de cartas cronológicas escritas por Charlie - o garoto mais sensível que você conhecerá -, que escreve sinceramente sobre suas experiências, sensações, necessidades e vontades, para um destinatário que Charlie prefere manter em segredo. A história se passa em meados de 1991, e por isso cita diversos músicos da época. O livro é relativamente curto, com apenas 223 páginas, e é apresentado com 4 partes e epílogo. A citação "Eu me sinto infinito" vai marcar sua leitura com a primeira página, e a interpretação vai melhorar ao longo da história, assim que essa página se repetir. As 4 partes tratarão de um universo riquíssimo de assuntos, sentidos e vivenciados por Charlie. Traumas infantis, dramas familiares, suicídio, crises próprias da juventude, medos e experiências novas são alguns pontos descritos.

Um paradoxo que encontrei no livro, bem no início, foi um dos que mais me identifiquei: "Sou feliz e triste ao mesmo tempo". E é exatamente assim, como uma montanha-russa, que a vida de Charlie é mostrada ao longo dos meses.

SOBRE A CULTURA DO LIVRO

Como eu estava lendo para escrever uma resenha, saí anotando tudo o que acharia importante citar na postagem. Quando finalmente cheguei na última página do livro, percebi o quão importante foi ter rabiscado no "Organizer Memo Book" da Tilibra. Gostaria de criar essa rotina, mas sei da minha fome pelas histórias dos livros e o quanto isso dificulta o processo parar-para-escrever-rapidamente-algo-relevante-num-bloquinho. Risquei diversas folhinhas do bloco e percebi o quanto o livro estimula o leitor a ampliar sua bagagem cultural, por meio da menção de livros, filmes e músicas famosas da época. Poucos eu já conhecia e gostava, outros muitos estão sendo adicionados nas minhas redes sociais para não se perderem no limbo do esquecimento. Por conta  dessa peculiaridade, resolvi listar para vocês as referências encontradas no livro As Vantagens de Ser Invisível. Vai ficar mais fácil para ampliar os conhecimentos depois, no tempo de cada um. A margem de erro acobertará os momentos que não quis parar para escrever a dica do autor/esqueci de parar/não achei importante parar para escrever. Mas relaxem, a margem de erro foi seguramente baixa:

- Referências cinematográficas

1. Seriado MASH;
2. O barco do amor;
3. A ilha da fantasia;
4. A felicidade não se compra;
5. Os produtores;
6. A primeira noite de um homem;
7. Ensina-me a viver;
8. Minha vida de cachorro;
9. Sociedade dos poetas mortos;
10. A incrível verdade.

- Referências de livros

1. O Sol nasce para todos, de Harper Lee;
2. Este lado do paraíso, de F. Scott Fitzgerald;
3. Peter Pan, de J. M. Barrie;
4. O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald;
5. A Separate Peace, de John Knowles;
6. The Mayor of Castro Street, de Randy Shilts;
7. O apanhador no campo de centeio, J. D. Salinger;
8. Walden, de Henry David Thoreau;
9. On the road, de Jack Kerouac;
10. Naked Lunch, de William S. Burroughs;
11. Hamlet, de Shakespeare;
12. E. E. Cummings (escritor);
13. O estrangeiro, de Albert Camus;
14. The Fountainhead, de Ayn Rand;
15. A noite dos mortos-vivos, de John Russo.



- Referências musicais 

Reuni praticamente todas as músicas do livro em uma lista de reprodução muito amor. Só não consegui achar Daydream, dos Smashing Pumpkins, no Grooveshark. Enjoy!

1. Asleep, de The Smiths;
2. Blackbird, de The Beatles;
3. MLK, de U2;
4. Landslide, de Fleetwood Mac;
5. Laser Light Show, do Pink Floyd;
6. The Rocky Horror Picture Show (a peça);
7. Village People;
8. Blondie;
9. Nirvana;
10. Vapour Trail, de Ride;
11. Scarborough Fair, de Simon & Garfunkel;
12. A whiter shade of pale, de Procol Harum;
13. Time of no reply, do Nick Drake;
14. Dear prudence, dos Beatles;
15. Gypsy, da Suzanne Vega;
16. Nights in white satin, dos Moody Blues;
17. Daydream, dos Smashing Pumpkins;
18. Dusk, do Gênesis (antes do Phil Collins!);
19. Something, de Beatles;
20. Billie Holiday;
21. Broken Wings, de Mr. Mister;
22. I'm going home, de The Rocky Horror Picture Show;
23. Another Brick in the Wall, Pink Floyd - parte II.


SOBRE A HISTÓRIA [ATENÇÃO: SPOILERS SUTIS]

A narração é do próprio Charlie, garoto deveras solitário, e a partir da confiança que ele deposita no destinatário anônimo, revelações da sua vida particular são feitas por meio das cartas que ele sempre envia. Diante da necessidade de participar mais e fazer novos amigos na escola (ambiente de início hostil), Charlie conhece Patrick, divertido veterano da sala de "trabalhos manuais" [que inveja das escolas americanas!], e a partir dele conhece Sam, a meia-irmã de Patrick e a garota pela qual Charlie rapidamente se apaixona [minha gente, tá pra nascer alguém fofo e ingênuo como esse personagem ficcional!]. A partir dessas amizades, Charlie se depara com um universo de novos amigos, novas rotinas, novos lugares, inéditas drogas e principalmente experiências, como primeiro encontro, primeiro beijo. A parte mais hardcore do livro trata de assuntos polêmicos, e isso foi o que mais me encantou, já que eu comecei o livro com pouca fé, achando que seria meio bobinho. Aborto, homossexualidade, sexo, drogas, violência física, sobretudo em mulheres, abuso infantil e suicídio são temas abordados que incitam a reflexão de cada um. É incrível como ele é sensível a ponto de achar natural temas como a homossexualidade, e como ele é ingênuo a ponto de não perceber uma carta suicida. A sensatez também é vista quando ele decididamente não concorda com a violência que eventualmente sua irmã sofre com o namorado, já que ele lida querendo defender a irmã mais velha. Mas Charlie é, na maioria das vezes, uma pessoa que não se posiciona, não toma iniciativas e que aceita algumas situações apenas por não conseguir se expressar. Patrick diz: "Você vê as coisas. Você guarda silêncio sobre elas. E você compreende.”.

Os anos narrados são 1991 e 1992, e no decorrer da história, é perceptível a evolução da maturidade de Charlie, frente a tudo o que ele viveu. Além dos acontecimentos da vida dele, pode-se dizer que Charlie vai sendo lapidado pelo seu professor de inglês (Bill), o qual dá livros clássicos para o aluno durante todo o ano letivo. É legal a transformação da simples relação de aluno e professor para a de amigos, já que o professor acredita, escuta  e aconselha Charlie. Mais legal do que é isso são as diversas dicas de literatura estrangeira que você decerto ainda quer ler antes de morrer. Uma das citações que mais gosto no livro é feita pelo professor Bill, quando ele prevê que "A gente aceita o amor que acha que merece.". Adicionei a citação à foto que tirei em Curitiba, no Jardim Botânico. Lá, todas as plantas têm seu nome numa plaqueta, e essa florzinha amarela se chama "amor-perfeito". É ousadia demais ter essa citação nessa flor?


Já para o fim, o interessante do mistério do destinatário é que, no epílogo, eu tive a inédita sensação de conexão com o livro, já que eu me tornei o destinatário de Charlie, com a ajuda da minha percepção e imaginação. Achei, no mínimo, mágico. Sério, fiquei muito emocionada e até chorei com os calafrios que senti. Em outras palavras: pareci o Charlie afetado e sentimental, haha. E por isso que eu adorei esse livro - parafraseando a ideia inicial de Charlie: tão simples e tão complexo ao mesmo tempo.


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

My Valentine

Aí dizem que é Valentine's day, e eu não entendo muito a tradição ser no dia 14 de fevereiro, pois sou brasileira, e aqui fomos influenciados pelo santo casamenteiro, santa igreja católica. Apesar disso, lembro das escolas que tinham o sistema de mensagens anônimas. Estudei em muitas, aprendi a ser novata sem medo. Alguns cartões foram enviados para mim, mas só de amigos. Fiquei secretamente feliz de não ter ficado sem nenhuma cartinha. 

Amor é todo dia, não? 

Lá vem aquela raiva estrondosa de datas comemorativas. Relação paradoxal, na verdade. A tradição faz a data especialíssima, mas a cultura do esperar-o-dia-de-comemorar-para-comemorar não parece sustentável a longo prazo. É preciso amar as pessoas como se não houvesse... nada. Só pela delicadeza do sentimento mesmo. Pelo egoísmo de se sentir bem, às custas dos outros - é, amor também é egocêntrico. À custa do afeto que nos proporcionam, do bem-estar. Ser querido pela velhinha da esquina, pelo fazedor de pães, pela vizinha que, quando criança, disse a uma menina de franja cortada (irregularmente) que ela poderia chamá-la de avó. Aí o amor cria mais de uma avó, mais de uma irmã, a exemplo da amiga de trocentos anos, tão fucking distinta de mim, tão amada pelas diferenças. É, ou deveria ser, amor para tudo e todo mundo: mãe, pai, gato, cachorro, país, violão. Namorado. Ou namorada, quem sabe o desejo toma conta? Mas Valentine's day é coisa de namoradinhos, right? A história conta a saga do São Valentine pelo amor. A condenação à morte por ele.

Bem, Valentine's day é coisa de casal, como ia dizendo. Mas aí vem a mania de questionar. Indago: os que vivem a três ficam de fora? E os que têm relações amorosas e até sexuais com bichos? E com mortos (lembrei inexoravelmente do Nicolas)? A delonga é motivada pelo medo do sentimento bom. E, hoje, o receio, a vergonha da manifestação pública. Ser feliz assusta quem um dia já viveu triste. Então penso que amar, no fim das contas, é um ato de extrema coragem.

Em outras palavras,
amo você, Nu.

1 riso + 1 beijo

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

{filme} O Som ao Redor

Gostaria de fazer uma resenha do filme "O Som ao Redor". Ele será a obra cinematográfica que estreará a tag cinema por estas bandas (culpa das resoluções de 2013). Esclareço: sou cinéfila, mas simplesmente não escrevia sobre isso, até hoje. Apenas discutia, e muito, com meus poucos amigos que também gostam de filmes. 

Devido à peculiar diferença do filme em questão, pensei em dividí-lo em duas partes: a primeira seria uma tentativa de olhar mais descritivo, contudo sem levar em consideração as sensações causadas pelo filme por conter gente conhecida, prédios recorrentes, histórias verdadeiramente vividas por mim pelos arredores das ruelas, praia de tardes peguentas e das leituras sob o Sol manso. A segunda parte vai conter justamente o supracitado: um relato pessoal misturadíssimo ao filme. Isso pelo motivo de eu ter vivido ali, naquele contexto, naquele bairro, a pouquíssimos metros da rua em que ocorreram as gravações. Explicarei-me logo mais. O trailer abaixo vai corroborar com meus elogios, deem uma apreciada:



1º PARTE

O filme "O Som ao Redor", de Kleber Mendonça Filho, é a primeira investida do diretor em longa-metragem de ficção. Nunca vi outros filmes dele, mas já escutei falar muito bem de "Recife Frio". O conhecimento que tinha de Kleber era apenas da Janela Internacional de Cinema do Recife, evento grandioso que junta um pessoal amante de cultura de cinema (geralmente são mostras de clássicos e filmes pernambucanos), lá no São Luiz (cinema velhinho que foi restaurado para abrigar essa evolução pernambucana, foto logo abaixo) e no Cinema da Fundação. Tinha visto o cineasta fazendo algumas apresentações antes do festival começar. Na época (há menos de um ano), ele parecia só um idealizador estudioso com ar nerd, por conta dos óculos de armação grossa. Criou um filme inesquecível.


A história é ambientada no Recife, capital de Pernambuco, com destaque para uma rua em que existem, predominantemente, altos prédios. As casas já são raras, porém as lembranças dos tempos em que as residências não eram sugadas por especulação mobiliária permanece na mente de alguns moradores. Essa arquitetura ilustra muito bem a brutalidade dos lugares em que moramos, os quais são construídos cada vez mais verticais e solitários, com a tentativa de proteção que, por vezes, se confunde em desigualdade social e afastamento.

A (falta de) segurança é questão crucial, abordada com sagacidade pelo diretor. As famílias que vivem nessa rua sofrem com o descaso do governo diante da violência comum nos centros urbanos de todo o país.  Sofrem e pagam por isso. Essa narrativa (a exemplo de roubos do som de carro ou privação da classe média em possuir certos objetos) é contextualizada em Recife, mas abrange perfeitamente outras capitais brasileiras. Esse tema impacta diretamente na milícia, liderada por Clodoaldo (Irandhir Santos), que rapidamente se estabelece na vizinhança e promete a paz, em troca da bagatela de R$ 20 por cada casa protegida. É maravilhosamente paradoxal como o grupo de seguranças traz tensão àquela rua.

Se o tema segurança permeia todo o enredo, os sons são vitais para a obra ter êxito. A poluição sonora frequente, como o relato da vizinha incrivelmente incomodada pelo cachorro que só sabe uivar, ou até o barulho agoniante da chave destruindo o carro (vista no comecinho do trailer), desenvolve a identidade dos problemas de uma sociedade dividida pelas diversas classes que o capitalismo cultiva e que os senhores de engenho deixaram de herança.

Dentro de tudo isso, ainda tem um humor impagável, que revela tanto gírias do povo pernambucano e recifense, como situações cotidianas, engraçadas pelo desenrolar das histórias. Destaque para a cena em que os condôminos se reúnem para decidir sobre a permanência do porteiro que dorme, e quais argumentos são usados.

Alguns personagens marcam forte presença na trama de final inesperado, embora não sejam os únicos com boas histórias para contar. O moço jovem, rico, simpático e educado, chamado João (Gustavo Han), que administra os negócios da família (mas odeia), a dona de casa de classe média, incomodada pelo cachorro do vizinho, mãe de dois filhos, esposa de homem trabalhador, usuária de maconha vez ou outra. O Sr. Francisco (Waldemar Solha), avô de João, um exemplo de como o patriarcado e a opressão social persistem com o passar dos anos, diante do poder que ele apresenta na vizinhança (ele detém mais da metade dos imóveis do bairro), e o segurança Clodoaldo. A história expõe intuitivamente as contradições da típica sociedade brasileira e também o preconceito enraizado, perante hierarquia invisível ou visível a partir de eufemismos. Uma cena que ilustra muito bem isso é quando o Sr. Francisco vai, tarde da noite, mergulhar na praia de Boa Viagem, mesmo com o aviso enorme sobre o perigo de tubarões.

O filme não é só aclamado por mim, reles mortal magricela. A repercussão foi tanta que chegou aos ouvidos do The New York Times, o qual escolheu como um dos melhores filmes do ano passado (apenas citando, já que adoramos tanto a opinião dos americanos). Vários prêmios, como de Roterdã, Rio de Janeiro e Gramado, também respaldaram a qualidade do filme bastante revelador.

Seguem algumas fotos do filme, retiradas do site oficial:




2º PARTE

Agora vem uma parte meio non-sense, mais pessoal e, sobretudo melosa. Curta, ao menos. E meio babona. Eu poderia escolher eufemismos, pois isso é o que mais sabemos fazer para nos incluirmos em papéis sociais bem aceitos, porém abrirei mão da palhaçada. 

Vou falar com os olhinhos cheios de orgulho: assisti a uma obra prima filmada ali, a duas ruas do meu apartamento minúsculo. Eu, que estou tão acostumada a venerar lugares que estão a quilômetros de distância. Eu, repleta de desejo por Paris e Inglaterra, e cheia de sentimento de injustiça divina. Eu, que crio indagações repetitivas e precárias como: "qual motivo, ó Senhor, que escolheste me jogar aqui? Qual pecado cometi, além de ter nascido mulher, claro?". [Lembrem-se/saibam que sou irônica.]

Nesse aclamado filme, você encontrará o bairro em que já morei por alguns anos, Setúbal, que não se decide se é bairro ou adendo do célebre Boa Viagem (as cartas endereçadas ficavam deveras confusas nessa escolha). As gírias da minha cidade, os traços de rostos conhecidos (Alô Sandrinho, companheiro das paradas esperando para sempre ônibus, atuando lá lindamente, e Bruno Negaum, produtor de eventos famosíssimo aqui de Recife, desenvolvendo cena hilária), as árvores, as esquinas, o colégio filmado (considerado de péssima escolha por pais e mestres), as relações, o problema social, os carros violentados, os encontros íntimos sem nenhum compromisso (não dá para taggear), a reunião de condomínio, os chatos condôminos - aqueles insuportáveis hipócritas -, os malditos seguranças que mais dão medo que protegem. Tudo aquilo que está na tela é muito próximo do que vivo, do que vivi. Minhas intocadas memórias, agora cutucadas. Foi um presente inesperado. Quero rever!

E você, já ouviu falar de "O Som ao Redor"? Está passando aí na sua cidade? Estou curiosíssima para ver opiniões e compreensões que o filme causará em cidadãos de outros Estados do Brasil e, sobretudo, em estrangeiros. Vá ao cinema, vale muito a pena. E o cinema também ajuda a mostrar, com mais qualidade, o desenho de som genial de Kleber e Pablo Lamar.


domingo, 6 de janeiro de 2013

{livro} Manual para Jovens Sonhadores

Sabe quando você lê algo que gostaria de ter escrito algumas partes? Aconteceu comigo nos primeiros dias de 2013, quando estava cumprindo minha meta de ler diariamente. O livro "O Manual para Jovens Sonhadores", de Nathalie Trutmann, ousa apresentar para você, jovem de 15 ou 40 anos, "algumas verdades que você sempre quis ouvir". A guatemalteca mostra, por meio de suas experiências com viagens e trabalhos, a importância de sonhar e correr atrás do que se acredita, a despeito dos conselhos dos nossos pais (que tiveram experiências mas que não são donos da verdade nem do futuro), dos caminhos que nossa cultura nos impõe como sendo seguros e corretos e, sobretudo, do que os outros irão dizer. 

A leitura do livro é simples e nos presenteia com fatos engraçados e inspiradores da vida predominantemente nômade da autora, como os trabalhos que já fez, a exemplo da vez que teve aulas de mergulho em Utila - ilha na baía de Honduras -, e ficou cuidando de iguanas para poder dormir de graça na estação de pesquisa, ou quando morou a trabalho, no Sri Lanka, e conheceu a forma como as pessoas lidam com a sorte (a cultura é bastante direcionada a seguir o que os mapas astrais determinam, sem questionamentos).  

O que Nathalie mais quer passar, por meio de uma escrita bastante biográfica e pouco pretenciosa, é a ideia de que podemos, realmente, fazer o que quisermos de nossas vidas, assim como pensávamos quando éramos crianças. O importante é acordar com vontade de ser feliz no que se faz para viver. Parece clichê, mas a parte interessante é a escritora descrevendo as dificuldades que teve, e os acontecimentos de sua vida que ajudaram na conclusão de nunca desistir do que você mais gosta. Dificuldades sempre ocorrerão, mas a falácia de que "a vida é assim" deve ser questionada com atitudes. 

Alguns momentos do livro parecem bem auto-ajuda, em que a autora reitera ideias como: "não siga o caminho dos outros, não dará necessariamente certo para você", ou até: "siga suas paixões". Tenho um pouco de antipatia por essa categoria, mas a forma como ela levanta essas questões é bastante sutil e dá para ler tranquilamente, sem a agonia de auto-ajuda meloso. Outro ponto é dar valor à jornada trilhada para alcançar o sonho, e não apenas no momento em que este virar realidade. 

Há também dinamicidade no livro, e por isso a leitura é tão rápida. Essa parte dinâmica também é vista nas dicas de vídeos que a autora seleciona, ao fim de todo capítulo. Eles procuram motivar as pessoas a serem mais criativas, autênticas e sonhadoras. Vi apenas o de Steve Jobs, já com legendas em português, que sintetiza bastante o que Nathalie vem discorrendo ao longo da sua obra. O título é "Você tem que encontrar o que ama", aqui, já legendado. Achei genial.

Como todo bom livro de inspiração, coletei algumas citações da autora e postei lá no tumblr para reler quando as coisas parecerem difíceis. Vocês estão convidados também! Li o livro no meu smartphone, pela primeira vez, e até que foi tranquilo, já que a leitura era curta. Ele está disponível para download aqui

Enfim, indico bastante o livro para quem gostaria de viajar e ainda está procrastinando o sonho (Oi, sou eu!). A autora desde cedo quis sair da Guatemala, seu país de origem, e passou por vários países até parar um pouco aqui no Brasil, por influência do namorado que virou marido.

Bom, espero que leiam e gostem. Caso dê aquela preguiça, veja a palestra da Nathalie falando um pouco sobre o livro. É uma síntese que já mostra a essência do que ela quis compartilhar com o mundo. Só pelo sotaque lindo já vale a pena!

E vocês, têm dicas melhores de livros nessa categoria? Fiquei interessada!



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

{meme} 2012: o ano apocalíptico

Sei que não deve ser muito bonito e, pior, (fucking) clichê, mas começo 2013 pedindo perdão por essa demora em atualizar esse cantinho aqui, que me faz tão bem. Talvez seja aquele sentimento estranho que, esporadicamente (ou não), nos acomete: nos afastamos daquilo que tanto amamos, por causa de distrações, trabalho, necessidades ou até outras paixões.

Bom, sem mais delongas, volto com muito orgulho para dizer que este será um ano revolucionário e feliz. Para mim e para vocês, tenho certeza. Bastam apenas atitudes, e aquela vontade de mudar o mundo. Feliz 2013, hihi.

Decidi fazer um overview do meu ano apocalíptico - o qual, graças ao calendário que usamos, já passou há  quase três dias! -, e acabei lendo um meme que poderia ajudar nisso (foi no Lace Place, blog que descobri há pouco tempo e já estou gostando). A essência do meme, que vocês já devem ter lido em outros blogs, é ter gratidão suficiente para elencar 15 coisas boas que ocorreram no ano, e mais 15 metas para 2013. Com meu ano foi predominantemente chato/triste/deprimente, vou ser birrenta e elencar, também, alguns desastres que aconteceram na minha humilde vida. Aqui embaixo postei a foto que tirei numa das primeiras luzes de 2012, e no momento que nem imaginava quanta dor eu podia suportar:


15 bizarrices deveras intensas:

- Amizades desfeitas (foram cinco, ao todo, então já vou contabilizando);
- Vontade suicida (só de leve, nada grave afinal estoy aquí, haha);
- Desilução amorosa;
- Decepções com um ou outro amado;
- Desistência do Projeto 365 dias (decorrente dos fatores supracitados, segundo Freud);
- Pintura de cabelo desastrosa e a bagatela de R$ 80 por água abaixo (foto aqui, mas não se engane, existe um filtro do ~estragão~);
- Mudança da casa materna, de Recife para Jaboatão dos Guararapes (rua Olimpia, vulgarmente conhecida como "fim do mundo", por ser longe demais);
- Problemas financeiros na família;
- Ida eterna do pitbull mais forte e carinhoso de todo o mundo (em memória);
- Irmão de um velho amigo com leucemia. Por favor, quem for de Recife (PE), doe sangue em nome de Marcus Nery. Aqui tem mais informações;
- Stress com faculdade.

15 belezinhas:


- Participação de protestos estudantis contra o aumento das passagens de ônibus;
- Experiências novas, efêmeras e psicodélicas (favor não associar às drogas ilícitas);
- Promoção na empresa em que trabalho (saí da vida de estagiária de pijama para a vida de funcionária, ainda de pijama!);
- Leitura de As Desventuras em Série (Lemony Snicket me fez gargalhar em momentos de tristeza, valeu muito a pena!);
- Show inédito de Paul McCartney (escrevi sobre isso aqui);
- Viagem à Curitiba (muito amor);
- Novos amigos feitos, com a característica de já serem colegas/amigos, mas terem se tornado pessoas incrivelmente especiais;
- Compra do S2 e do Notebook da Dell (estou satisfeita com ambas marcas, por enquanto);
- Carteira de habilitação (A e B o/);
- Mais um ano de faculdade finalizado (agora falta um ano e meio para a graduação!);
- Primeira doação de sangue (finalmente passei dos 50kg e me tornei capaz);
- Centenas de filmes vistos. A listagem dos que vi, a partir de setembro de 2012, se encontra aqui;
- Paixão por menino cheio de defeitos;
- Finalmente a compra da coleção de Harry Potter só para mim (nunca estimularam a leitura de HP quando eu era criança, mesmo assim li todos com a ajuda dos amiguinhos que emprestaram, e no final de dezembro peguei no Submarino uma promoção desta coleção colorida); 
- Consegui sobreviver ao apocalipse Maia (não foi um ano muito próspero, foi difícil fazer a listinha dos agradecimentos).


15 metas para 2013, o ano que será REVOLUCIONÁRIO:

- Criar o hábito da leitura diária de livros ou poemas;
- Fazer academia (Pilates, Yoga ou musculação mesmo);
- Reclamar menos, fazer mais;
- Estudar mais;
- Ser mais produtiva, em tudo o que interessar;
- Viajar para o Rio de Janeiro, para venerar Muse!!!!1;
- Pensar sobre intercâmbio;
- Pensar mais em mim e ser menos altruísta (se isso significar sofrimento ou ingratidão, haha);
- Ser mais segura;
- Ser mais equilibrada/zen, e menos estressada;
- Comprar um carro;
- Juntar dinheiro e manter a planilha de orçamento pessoal (baixei um arquivo xls no BM&F Bovespa, e estou customizando);
- Ser mais organizada;
- Ser mais família;
- Retomar estudos sobre fotografia.

Meu ano novo começou cheio de lama e gente bizarra, na praia de Candeias ao som de Capital Inicial. Muita confusão, muvuca e empurrões, mas a presença de pessoas amadas salvou um pouquinho a agonia do pandemônio.

E vocês, como estão?

terça-feira, 17 de abril de 2012

Dog days aren't over


Há semanas estou em desventuras em série. Será coincidência vide livro que estou lendo - O Elevador Ersatz? Acho que não. Só sei que está difícil, viu. 

Alien Baudelaire está prestes a arrancar os cabelos, mas acabou por apenas criar a foto acima, que está fazendo parte do #365project. A trigésima quarta fotografia demonstra aspectos presentes na minha vida nos últimos dias. O pior é que já abdiquei de finais de semana, deixei de ver o namorado, dei um tempinho no Facebook e até nas leituras pessoais. Tempo escasso versus inúmeras atividades. A vida sempre naquele estado perene de decisões frequentes. Inclusive hoje decidi faltar à prova de Processo Decisório. Achei no mínimo engraçada a minha situação, pois decidi não fazer uma prova que estuda as teorias das decisões. O quão boa aluna devo ser nessa cadeira? Aliás, não é só um tema para a faculdade, é também para a vida, e, ao invés de estudar, fico lendo tirinhas de Calvin ou de gatos versus human? Ou, sendo mais verdadeira e isentando a ironia: no lugar de estudar, fico executando todas as outras atividades pertinentes?

A questão é que estou repleta de responsabilidades como social media e estudante e o que posso chamar de tempo free por vezes são os momentos de refeição e higiene. E as poucas horas de sono.  

Mas não vou desistir. Vou correr atrás dos prejuízos e planejar melhor minhas atividades. E ter a consciência de que não posso fazer tudo a todo instante. Mas que posso ser melhor em tudo o que eu quiser. Decidir é dar prioridade, avaliar as alternativas existentes e abraçar aquela que parecer a mais ótima possível (depois faço um update com um fundamento teórico mais consistente do que esse apenas proveniente da minha cabeça alienígena).

Por ora, vou tornar essa madrugada de terça-feira uma prioridade só minha.

E você, como está sua vida momentânea?

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Meme o quê?

Esse foi o primeiro meme que recebi! Imagine o quanto fiquei emocionada, haha. Por isso demorei um tempo para postar. Fui indicada pelo Pablo, um fofo. E, só para constar, isso é uma motivação para continuar postando no blog. Então, agradeço alegremente!

REGRAS
• Write 11 (random) things about yourself on your blog;
• Answer the questions the tagger set for you and create 11 new questions for the people you tag;
• Choose the next 11 people to tag and link them on the post;
• Go to their page and tell them you have linked him or her;
• No tag backs;
• You must post these rules.

Abaixo o meme é iniciado:

{11 coisas aleatórias sobre mim}

01 - Amar, comer e dormir são grandes paixões.
02 - Apesar de me sentir triste com as pessoas que me magoam de alguma forma, quero sempre resolver tudo para ficarmos bem. Sou fraca e péssima para guardar rancor. Mas não sou estúpida.
03 - Esqueço de memórias ruins e até aquelas boas que não servem mais para nada, já que provavelmente não poderão mais ser vividas.
04 - Namoro há quase quatro anos e já passamos por milhares de experiências interessantes e incomuns. Ele me dá motivação para viver.
05 - Apesar de tudo, acho que sou uma workaholic. Gosto muito do meu trabalho.
06 - Não sei o que é tédio.
07 - Vivo predominantemente o presente, lido um pouco mal com o passado e por vezes tenho medo do futuro.
08 - Como muito mas não engordo na mesma proporção. Ou quase não engordo, apesar de ultimamente estar agoniada com uma saliência na barriga.
09 - Gosto de quem me dá atenção. Geralmente gosto de quem gosta de mim.
10 - Ao caminhar, imagino a história das pessoas desconhecidas e gostaria de ter sempre uma câmera por perto.
11 - Sou inconstante e gosto de mudar sempre para o meu melhor. Portanto, as questões daqui podem estar obsoletas em alguns dias, meses ou anos. Precisaria de outro meme para comparar as respostas!

{Minhas respostas para as 11 questões do Pablo}

1. Você é impulsivo?
Algumas vezes. E quando sou, geralmente surpreendo as pessoas. E me surpreendo também, além do mais, respiro uma felicidade inexplicável nesses momentos. E tomo atitudes bem incomuns, dignas de histórias.

2. Você respeita as pessoas ao seu redor?
Muito. Adoro diversidade, sem hipocrisia, e tento respeitar tudo e todos, mas com um senso. Por exemplo, não consigo ter respeito por pessoas preconceituosas, mas estou tentando me afastar delas, quando não consigo persuadir suas mentes impuras, haha. Também tenho que respirar repetidas vezes quando sou obrigada a estar num ambiente em que as pessoas são diferentes de mim em relação ao meu gosto musical.

3. Já cometeu algum deslize muito tenso?
Já, na minha opinião. Muito tenso! Coisa de vida ou morte. E secreta.

4. Se pudesse comprar algo bem caro hoje, o que seria?
Um carro. Ando me estressando demais com os transportes públicos de Recife, uma lástima.

5. Se pudesse proibir um gênero musical, qual seria?
Gente, seriam muitos. Não quero me comprometer muito para não assustar ninguém, mas definitivamente eu aboliria dos meus ouvidos o gênero sertanejo. Minha irmã adora, e eu sofro claramente com isso. Existem outros.

6. Uma música que marcou/descreve sua vida.
Invincible, de Muse. Prestem atenção à letra da música e suspirem <3.

7. Acha que o mundo pode acabar esse ano? Tem medo disso?
Não acredito nisso, logo, não tenho medo. Acho que só tenho medo de Aliens.

8. Se pudesse mudar para outro país, qual escolheria?
Inglaterra, Londres! Eu sei, é clichê, e é super caro. Mas eu iria amar todos os detalhes da cidade todos os dias!

9. Dia ou Noite?
Tanto faz, contanto que seja feliz, ou pelo menos bem aproveitado :). Ah, para fotografar eu escolheria dia.

10. Inverno ou Verão?
Na minha cidade não podemos dizer que existe um Inverno com aquele frio gostoso, e que eu possa abusar da moda Inverno, então sou frustrada com essa estação. Mas prefiro o Inverno.

11. Cinema ou Teatro?
Seria palhaçada eu dizer que prefiro Teatro a Cinema, pois assisto a muitíssimos filmes e sou uma louca por eles. Acho Teatro transcendente, mas confesso nunca ir a peças. Isso é bem triste e algo a se pensar.

{Minhas 11 perguntas}

1. Qual o motivo de ter criado o blog?
2. O que estuda/qual a sua profissão?
3. Qual o seu hobbie predileto?
4. Tem algum preconceito?
5. Você é feminista como eu (feminismo = igualdade entre os sexos)?
6. Já viajou para algum lugar distante da sua cidade? Como foi?
7. Que filme maravilhoso você indicaria?
8. E livro, até agora já se encantou por algum?
9. O que falta na sua vida?
10. Faz algo para mudar o mundo?
11. Afinal, o que é felicidade para você?

{Meus 11 blogueiros}

É bem simples. Basta escrever 11 coisas sobre você, responder as 11 perguntas que eu fiz e criar 11 perguntas para as 11 pessoas que você vai indicar! 

No meu caso, foi bem forever alone, pois tenho poucos amigos blogueiros e dos poucos, suponho que poucos curtam essa ideia do meme. Mas viver é tentar, certo? Espero ver respostas por aí.

E ah, nova regra para os blogueiros menos populares: se você tiver menos de onze pessoas para indicar, modifica o meme para a quantidade ideal :). Só não deixa de fazer.


Update: Gente, eu devo ter copiado algo diferente, haha. As três perguntas iniciais do Pablo na verdade eram as seguintes:

1. O que é ser feliz pra você?
Ter amigos fantásticos, um namorado incrível, uma família que me apóia, um trabalho motivador e ter tempo para estudar e fotografar. E, sobretudo, estar satisfeita fazendo o que quero.

2. O que você faz quando está entediado de fim de semana? 
Nunca fico entendiada, tenho sempre muitas coisas pra fazer!

3. Qual foi o último livro que você leu?
Desventuras em Série - Inferno no Colégio Interno.

Achei melhor não excluir as demais, então esse meme teve três respostas bônus - o que quer que isso signifique.



sexta-feira, 23 de março de 2012

Carta entregue

Garoto franzino, deitado na rua. Estava sozinho pois seus amigos (espero nunca o tê-los) o deixaram. Vagava com o olhar os primeiros transeuntes da Conde da Boa Vista. Luz (já) forte do Sol de Recife, início da manhã. Tentou raciocinar qual ônibus pegaria enquanto procurava nos bolsos alguma moeda para se hidratar - a noite tinha sido de muitas cachaças e promessas desfeitas. 

Enquanto se remexia em sua calçada, sentiu um vento gostoso, que simultaneamente trouxe um papel para perto dele. A princípio ficou feliz, pois confundiu com uma cédula capaz de comprar sua necessitada água, mas ao apertar os olhos pequenos, visualizou algo raro: uma carta.

De supetão, ajeitou-se sentando no meio-fio, e leu em voz baixa parte do que dizia:

...Vamos aproveitar a sorte de termos nos conhecido, mesmo nessas circunstâncias. Vamos pensar menos e fazer mais, afinal nos damos bem. Estou criando dramas, pois isso também faz parte do meu ser. Mas não está dando resultado, não está sendo benéfico para nenhuma parte. Então vamos aproveitar nossos momentos juntos, mesmo sabendo que são efêmeros, mas o que não é nessa vida? Vamos deixar a tristeza de lado, quero você numa outra dimensão. Vamos sonhar juntos quando tivermos oportunidade? Vamos nos unir por pensamentos livres e libertinos? Vamos nos guiar por um tipo de amor que eu nem sabia que existia! Fico tão feliz com você. Que tipo de pessoa afasta a felicidade? Vamos ser os personagens de uma fantasia, vamos transformar nossas histórias em um livro. Vamos, venha comigo. Pegue a minha mão, acaricie meu rosto e fique um pouco mais baixo para eu te abraçar forte. Quero senti-lo perto de mim. E em mim também. Vamos aproveitar as folgas, que serão os dias que poderemos nos ver. Não, não pare de me acariciar com as suas poderosas palavras. Você me acorda com elas. Depois de ouvir suas gravações ou ler suas escritas, já não consigo mais dormir, fico com vontade de reler ou de qualquer outra coisa, menos continuar a dormir. Fico com medo de perder tempo,  não quero perder tempo, só se for para estar com você...

Não quis mais continuar. O garoto, apesar de ainda bêbado da noite anterior, estava lúcido. Pensou demoradamente sobre o assunto, e concluiu como o amor (ou a ideia dele) pode ser cruel, enganoso e doloroso: dopa de felicidade inquestionável o indivíduo contaminado - com muitas ilusões e promessas, vide carta - mas incorre em sequelas verdadeiramente profundas, e (infelizmente) várias vezes pungentes.

Apesar de claramente sagaz, pegou um ônibus errado e cochilou nele, chegando a um bairro totalmente desconhecido da cidade. Entrou em pânico e temeu por não conhecer nada, ao vislumbrar sua volta. 

Percebi que o tal menino falou de amor com uma prioridade inexistente. Amor pode ser tudo. O teor negativo que ele deu a essa força colossal, era por ter medo do desconhecido. Ele era um pessimista ébrio.

Afinal, entendi: O amor é um negócio cheio de surpresas de toda natureza. É coisa de quem está vivo. É para os corajosos que aceitam entrar em um mundo desconhecido. Ou em um bairro qualquer. 


© Escreva carla, escreva
Maira Gall