segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Diário de uma motociclista

Andar de motocicleta causa uma sensação ímpar! Seus cabelos ficam esvoaçantes, seu corpo se refresca com o ventinho e a adrenalina originada pela situação te causa um misto de temor e felicidade. A cada acelerada, a intensificação desse sentimento bom aumenta. Pelo menos é isso que venho sentindo nas últimas aulas! No início do ano, paguei à autoescola tanto por aulas de carro quanto de moto, em um ímpeto de pobre na liquidação. Como o valor da diferença das habilitações A e B era ínfimo, achei que seria mais vantagem aprender duas coisas em um período só. Acontece que na primeiríssima aula com o instrutor, fiquei totalmente petrificada diante da minha ignorância. Eu só sabia que o veículo era perigoso e tinha duas rodas. E só. Não sabia como ligava, dava partida, acelerava, freava, ou como se comportava em cima daquilo sem cair. Só para ter uma ideia: na primeira aula, eu passei uns quinze minutos tremendo literalmente. Estou tendo a sorte (ou azar) de ser ensinada por um instrutor mandão que adora repetir meu nome a cada segundo. Pode parecer chato, mas se o objetivo da aula é aprender algumas noções, está dando certo!  


Listei alguns conceitos básicos que assimilei, considerando o modelo da minha moto, o modo como ela estava configurada e a didática do instrutor. É claro que para fazer as etapas, você tem que ter mais de 18 anos, ter passado na prova teórica (acertar mais de 21 pontos), ter em mãos documento oficial com foto e o RENACH (Registro Nacional de Carteira de Habilitação), estar devidamente seguro com o capacete e demais acessórios e estar na presença do instrutor. Não vale a pena tentar sozinho em casa. Eis os passos:
  1. Subir pelo lado do descanso. Para a moto ficar paradinha, ela tem um descanso semelhante ao de uma bicicleta. Você deverá subir por aquele lado, geralmente o esquerdo, por medida de segurança.
  2. Puxar o guidom para si. Ele estará inclinado para o lado do descanso, desta forma você terá que puxar o guidom para si, deixando alinhado ao seu corpo que, até agora, estará em pé. Achei a moto muito pesada! 
  3. Posicionar-se corretamente na moto. Pode parecer bobo, mas você tem que saber a forma correta de sentar no veículo, pois isso influenciará no desempenho do equilíbrio lá na frente. Caso você sente muito na frente ou atrás, poderá exercer um peso que dificultará as manobras. 
  4. Apoiar pé direito no chão enquanto levanta o descanso. Você retira o descanso com o peito do pé e deve lembrar de colocar de volta com o calcanhar. Na hora, você verá que essa é a maneira mais fácil de fazer o processo.
  5. Ligar a moto. Girar a chave. Tem lá o intuitivo on/off, rs.
  6. Conferir se a marcha está em ponto neutro. Se no carro o título é "ponto morto", na moto você vê um painel mostrar um "N" bem grande esverdeado. A moto tem que estar nesse estágio para, em breve, ser colocada na primeira marcha e sair andando.
  7. Pressionar a ignição. A moto que eu andei tinha uma ignição que era um botãozinho vermelho. Observando o trânsito, notei que existe outro dispositivo que fica na altura das pernas, e aparentemente o piloto tem que fazer um movimento brusco para baixo para o motor começar a roncar. Achei o botãozinho mais prático.
  8. Segurar a embreagem. A embreagem está mais próxima da sua mão esquerda. Você terá que segurar o manete e fechar completamente na sua mão. 
  9. Colocar na primeira marcha. O seu pé direito tem que estar apoiado no chão, e o esquerdo, que é o do lado do descanso (normalmente), vai passar a marcha, pisando o pedal. Um clique para baixo é colocar na 1º marcha. 
  10. Fazer meia embreagem. Você vai soltando a embreagem devagarinho, até ela chegar na metade ou em um ponto que a moto ande. O próximo passo ajuda nesse processo. Se soltar demais, a moto "morre".
  11. Impulsionar a moto para frente com o pé direito. Na aula, o instrutor ensina a dar um impulso com o próprio pé para a moto andar, para que você não precise girar o acelerador (ele põe um pino para impedir que o aluno, nas primeiras aulas, gire o acelerador e chegue à China ou emergência).
  12. Equilibrar-se. Se os passos precedentes forem executados perfeitamente, você estará andando a pouquíssimos km/h. Alguém que já andava de bicicleta antes pode ter mais noção de equilíbrio.
  13. Frear. Era o que eu mais queria saber. Seria o SOS perfeito se algo desse errado. O freio estará ao alcance do seu pé direito. Você deverá pisar no freio e simultaneamente apoiar o pé esquerdo no chão, caso contrário, a motocicleta poderá cair sobre você.
As dicas para obter um bom desempenho e ganhar a 1º habilitação de moto são simples: o ideal é usar o mesmo veículo dos treinamentos e a mesma didática, se estiver dando resultado. E lá, naquele nervosismo, fazer tudo o que aprendeu, sem muita criatividade. Comprei sete aulas que duravam 50 min cada, estou achando que será suficiente. Analise o seu progresso e só eventualmente compre mais aulas.

É isso. Resolvi compartilhar o pouquinho que aprendi com vocês, com todas as limitações de uma autoescola, é claro. Percebo o quanto o nosso trânsito é caótico também por causa da falta de educação dos pilotos. Infelizmente na autoescola - e acredito que isso seja uma característica do país todo -, você apenas aprende a passar na prova do Detran. Não entendo como o país continua sem perspectiva de um futuro mais promissor, sem investir verdadeiramente em educação de todo tipo. Só esse ano, em Pernambuco, 71.462 carteiras de habilitação foram emitidas (do tipo primeira habilitação). Isso significa que, em teoria, mais de setenta mil pessoas já sabem dirigir. Decerto uma ilusão, já que você não é ensinado a se comportar no trânsito. É só visualizar as estatísticas assustadoras de morte do Estado para comprovar que algo está errado. A única movimentação que vi do governo foi criar o CEPAM (Comitê de prevenção aos acidentes de moto em Pernambuco). As ações incluem educação no trânsito, palestras educativas, fiscalizações e capacitações de equipes médicas. Acho a campanha bem apelativa, já que estampa fotos de acidentados que perderam os pés ou as pernas, por exemplo, nos acidentes. Causar medo e ensinar não são atitudes de mesmo significado para mim.

E vocês, já dirigem? Pilotam? Como foi a prova? Estou ansiosíssima!




terça-feira, 14 de agosto de 2012

Escadas e sonhos tortos

Tive mais um daqueles sonhos longos e complicados.

Sonhei que precisava desesperadamente comprar roupas novas - algo bastante verdadeiro, pena que tenho preguiça -, e a loja que fui, em um sábado de poucas pessoas no centro da cidade, tinha essa seção no 2º andar. 

Quando fui chamar o elevador, notei que estava quebrado. Ao contar os sonhos para alguns amigos, lembrei que elevadores não estavam in no livro O Elevador Ersatz, graças às crenças de Esmé Squalor e outros. Rapidamente procurei as escadas para concretizar meu objetivo fútil, e quando as achei, iniciei uma jornada sombria e confusa. O que era para ser uma alegre e rápida subida tornou-se um pesadelo. Havia toda sorte de escadas: longas, estreitas, em formatos de caracol e outros indefinidos. Chegar ao 2º andar nunca tinha sido tão difícil - pensava no sonho - e, apesar de parar algumas vezes para descansar e constatar que estava no caminho certo, a jornada estava ficando cansativa. Quando finalmente percebi que estava perto, e aquela sensação de "ufa, finalmente esse sufoco vai acabar" começou a formigar, me deparei com uma curva obrigatória que me levou diretamente ao fim da escada. A escada simplesmente acabou, lá no alto (senti que tinha subido muito mais do que apenas dois andares).

Caminho tortuoso que não levou a lugar nenhum.

Assim como o final desse texto, o sonho apanhou sentimentos densos de frustração. Minhas entranhas estão rangendo de agonia até agora. Também senti umas pitadas de injustiça percorrendo o corpo magrelo. 

Vocês também ousam sonhar?



Obs.: A foto foi tirada por Allan, no parque da Jaqueira, em Recife, no fim de uma tarde. Eu estava devaneando horrores.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Sambinha, opinião e mantra

Quem gosta da Mallu Magalhães deve ter visto o clipe que foi lançado ontem na web. O nome da canção é Sambinha Bom, e definitivamente esse é o título que a descreve perfeitamente. A melodia é aveludada, a vozinha dela acalma o coração, e a letra é apaixonante e ainda tem o bônus de ser daquelas que NÃO grudam como chiclete na nossa mente. Apenas fluem com facilidade e naturalidade. 


Apesar de essa música já estar na minha playlist diária (desde o lançamento de Pitanga, o novo disco da Mallu crescidinha), para mim o vídeo exagerou demais no uso de HDR, mas por outro lado serviu para dar uma realidade aos contornos da pele da cantora. O vestido de cores quentes e longas fitas (que lindinho!), misturado com o quarto repleto de plantas, contrasta muito bem com a versão enregelante que aparece na segunda parte do vídeo - ela fica parecendo um alien, rs. Com as imagens rolando, interpretei a música de uma maneira bem romântica, e devaneei sobre uma garota que não aguenta mais se lamuriar por alguém que ama e está longe, e por esse motivo, canta essa canção que, como mágica, faz voltar aquele que ela quer tirar a roupa, entre outras coisas. Na minha leitura, a apresentação da filmagem ora quente, ora fria, busca passar o sentimento de felicidade e tristeza de alguém apaixonado, de acordo com a presença ou ausência do famigerado ser amado, respectivamente. Aprecia aqui:


Confesso que costumava ter vergonha da Mallu quando ela era mais novinha, apesar de sempre ter gostado do seu canto um tanto débil e sereno. Fiquei com esse sentimento zombeteiro (e ridículo) após assistir a entrevistas no Altas Horas e no Programa do Jô, e vislumbrar aquela menina adolescente sem nenhum tipo de preparo diante das câmeras. Ela parecia eternamente demente e falava de um jeito devagar que me irritava. Algumas pinturas no seu rosto me faziam franzir o cenho e contorcer os lábios em desaprovação, sem mencionar aqueles trapos que eu não conseguia acreditar que ela estava vestindo.

Hoje enxergo o quão estúpida era, e que minhas opiniões eram baseadas em uma mente fechada, a qual não tolerava artistas menos robóticos e verdadeiramente autênticos. Esse assunto me lembra daquela máxima do filme O Diário de Bridget Jones: legal é gostar de alguém pelo que ela realmente é, a despeito de todas as características que podem ser vistas como defeitos por nós. Quando eu li o livro (há alguns dias), revi o filme em seguida e dei print nessa parte memorável. Gente, pelo amor de Deus, todo mundo já viu esse filme, right? Se a resposta for negativa, evitem o spoiler nas imagens abaixo:

Por causa da ordem dos prints, faz mais sentido assim: "Sim, gosto muito de você. Do jeito que você é."

De modo que optei por escrever sobre a música da Mallu pelo simples fato de gostar dela, do jeito que ela é (mesmo com seu semblante eternamente chapado, rs). Estou repetindo esse mantra cotidianamente para esperar menos das pessoas, pois estou percebendo que o nível de frustração com a vida e o cosmos diminui drasticamente. E aí, se a palavra exigência for usada, que seja exclusivamente para minhas próprias mudanças. Ou no job, é claro.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Dicas {infalíveis} para dores de cotovelo

Algum boy te deixou na mão? Damn it. But we can fix this! 


Em tempos de comunicação instantânea, você se abstém daquele ser frio e calculista que está distante e te causa mágoa em nove passos super simples:

1. Cancele as assinaturas do Facebook. Não importa se ele viajou para Paris e está super feliz com seus amigos. Não curta a indiferença dele para com você, com um like naquela foto que está perfeita, com aqueles traços maravilhosos e uma torre meio assimétrica de fundo.

2. Não fuce as demais redes como Twitter e Foursquare. A última coisa que você precisa saber é o que ele anda fazendo ou reclamando, ou por onde ele anda. Viu que ele foi naquele restaurante que vocês amavam ir? Ou naquele outro que você sempre pediu que ele o levasse? Não adianta, foi-se o tempo. Pare com a geolocalização, e a autoflagelação. 

3. Apague as mensagens do início dos diálogos carinhosos e aquelas que são top de linha e você mostrou a todas as suas amigas. Agora, a possibilidade daqueles textos sedosos serem verdadeiros é bastante remota.

4. Apague o número dele. Caso você tenha acesso aos 8 algarismos mágicos de alguma forma (infelizmente talvez você tenha decorado), naquela hora em que você estiver ébria de margaritas ou mojitos, seus dedos confusos discarão o destino sofrível e você dirá, de uma forma desconcertante, que o ama e quer a presença dele agora. Ele estará com a outra.

5. Não converse com o best dele. Você sabe que está fazendo isso só para saber como o dito-cujo está vivendo e amando a nova vida sem você. Seja mais do que isso! E assista a Friends imediatamente (a fim de tentar desanuviar)!

6. Apague as músicas que lembram dos momentos que vocês estiveram juntos, não importa o quanto você goste delas. Você não está em condições de relembrar bons instantes quando, na verdade, está sozinha.

7. Aproveitando o embalo: em hipótese alguma escute Adele. Sim, eu sei, ela conseguiu sucesso e dinheiro com suas dores de cotovelo. Mas é improvável que você consiga alguma grana com esse sofrimento todo.

8. Evite a praça que vocês costumavam sentar e ler juntos ou escutar as histórias maravilhosas ou revoltantes um do outro. Ele não quer mais contar pra você.

9. Diga sim a todas as festas que você for chamada (caso seja impopular, vale dar um search na noite da sua cidade e marcar presença mesmo assim), e mostre publicamente sua rotina avassaladora e divertida. Atenção: ninguém precisa saber que a cada dez confirmações, você foi apenas em uma, e só para levar sua irmã mais nova.

Em tempos de comunicação instantânea, as aparências importam muito mais do que a realidade, a qual revela você desajeitada, sem frequentar à casa de depilação, com a academia atrasada e exercendo piamente a moda zumbi.


(Descarte as dicas de um Alien afetado. 
A resposta para pessoas que não querem estar com você é simples: elas não são capazes de mensurar o quanto estarão perdendo com isso).

Nota da autora: A confecção e publicação de um texto humorístico, bobo e irônico desses foi fruto da vida adulta e conturbada dos últimos tempos. Se eu levar a vida mais a sério, vou ter um infarto aos vinte e um anos! Em respeito à minha sanidade e na tentativa de impedir uma morte prematura, publico meu primeiro texto de dicas infalíveis. O formato colunista foi possível graças às lembranças de Antonio Prata e suas interações com leitoras da Capricho do ano milenar. Alguém lembrou dele? Hahay. (Gente, não precisam se preocupar, eu não levei um pé na bunda do meu namorado - ainda.)

© Escreva carla, escreva
Maira Gall